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[1] Isso ele o diz para que não rejeitemos o enxerto do Espírito, por amor da carne.

[2] Com efeito, diz, “tu, que eras oliveira silvestre, foste enxertado na oliveira mansa e te beneficiaste da sua abundante seiva”.

[3] Se uma oliveira silvestre, depois de enxertada continua silvestre como era antes, será cortada e lançada ao fogo.

[4] Se, porém, conserva o enxerto e se transforma em oliveira mansa e se torna frutífera, é como se fosse plantada no jardim do rei.

[5] Sucede o mesmo com os homens: se pela fé progridem para o melhor, recebem o Espírito de Deus e produzem os seus frutos, serão espirituais e como que plantados no jardim de Deus; se, porém, rejeitam o Espírito e continuam a ser os de antes, querendo ser antes carne do que Espírito, justamente poder-se-á dizer deles: “que a carne e o sangue não herdarão o reino de Deus”, como a dizer que uma oliveira silvestre não será admitida no jardim de Deus.

[6] O Apóstolo, portanto, mostra admiravelmente a nossa natureza e toda a economia de Deus, quando fala de carne, de sangue e de oliveira silvestre.

[7] Como a oliveira abandonada por muito tempo no deserto começa a dar frutos silvestres e se torna brava, e se esta oliveira brava é tratada e enxertada numa oliveira mansa voltará à fertilidade primitiva, assim os homens, tornados negligentes e produzindo estes frutos silvestres que são as paixões carnais, tornam-se, por sua culpa, estéreis em frutos de justiça — pois é quando os homens dormem que o inimigo semeia o joio e por isso o Senhor ordena aos seus discípulos que estejam vigilantes —; mas se estes homens, estéreis em frutos de justiça e como cultura invadida pelo mato, são rodeados de cuidados e recebem, como enxerto, a palavra de Deus, voltam à natureza primitiva do homem, a que foi criada à imagem e semelhança de Deus.

[8] Como a oliveira silvestre quando enxertada não perde a substância da sua matéria, e sim muda a qualidade de seus frutos e recebe outro nome, porque não é mais oliveira silvestre, mas oliveira fértil e é chamada assim, o mesmo se verifica no homem que é enxertado pela fé e recebe o Espírito de Deus; não perde a natureza da carne, e sim muda a qualidade dos frutos que são as suas obras e recebe outro nome que indica a sua transformação para melhor, porque não é, nem mais é chamado carne e sangue, e sim homem espiritual.

[9] E como a oliveira silvestre, que não foi enxertada, continua sem utilidade para o seu proprietário por causa da sua qualidade silvestre, é cortada e lançada ao fogo, como árvore estéril; assim o homem que não recebe pela fé o enxerto do Espírito, continua sendo o que era antes, isto é, “carne e sangue e não pode receber a herança do reino de Deus”.

[10] Por isso, com razão o Apóstolo diz: “A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus”; e: “Os que estão na carne não podem agradar a Deus”; não renegando a natureza da carne, mas exigindo a infusão do Espírito.

[11] É por isso que diz: “É necessário que este ser mortal revista a imortalidade e este ser corruptível revista a incorrup-tibilidade”.

[12] Ele diz ainda: “Vós não permaneceis na carne, mas no Espírito, pois o Espírito de Deus habita em vós”.

[13] E o mostra ainda mais claramente quando diz: “O corpo é morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida por força da justiça. Ora, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus da morte habita em vós, aquele que ressuscitou Cristo vivificará também os vossos corpos mortais por causa do seu Espírito que habita em vós”.

[14] Ele diz ainda na carta aos Romanos: “Se viveis segundo a carne começareis a morrer”.

[15] Com isso ele não quer negar a vida deles na carne — ele próprio estava na carne quando lhes escrevia — mas exortava-os a afastar as concupiscências carnais que matam o homem.

[16] Por isso acrescentou: “Mas se pelo Espírito mortificareis as obras da carne, vivereis; porque os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”.

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