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[1] E visto que Adão foi modelado com esta nossa terra, na Escritura se refere que Deus lhe disse: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto até que voltes à terra da qual foste tirado”.

[2] Se, portanto, depois da morte, os nossos corpos voltassem a qualquer outra terra, seria preciso que fossem para aquela da qual tiveram origem.

[3] Mas se eles voltam para esta mesma terra, está claro que é com esta que foram modelados, como o demonstrou o Senhor ao remodelar por meio dela os olhos do cego.

[4] Se, portanto, foi mostrada, de maneira clara, a mão de Deus pela qual foi plasmado Adão e nós, por nossa vez; se não há senão um só e idêntico Pai cuja voz está presente, do princípio ao fim, à obra modelada por ele; se, finalmente, no Evangelho, foi indicada claramente a substância da nossa criação, não é mais necessário procurar outro Pai diverso do que conhecemos, nem outra substância para esta criação além da que indicamos e que o Senhor mostrou, nem outra mão de Deus afora a que, do princípio ao fim, nos modela, nos faz viver, está presente à sua obra e a completa segundo a imagem e a semelhança de Deus.

[5] A verdade de tudo isso apareceu quando o Verbo de Deus se fez homem, tornando a si mesmo semelhante ao homem e o homem semelhante a si, para que o homem, por esta semelhança com o Filho, se tornasse precioso aos olhos do Pai.

[6] Em tempos passados já se dizia que o homem era feito à imagem de Deus, porém não aparecia, porque o Verbo, à imagem do qual o homem fora criado, era invisível.

[7] Por isso perdeu facilmente esta semelhança.

[8] Mas quando o Verbo de Deus se fez carne confirmou as duas coisas: fez aparecer a imagem em toda verdade, tornando-se a si mesmo exatamente o que era a sua imagem, e restabeleceu a semelhança tornando-a estável e o homem perfeitamente semelhante ao Pai invisível por meio do Verbo visível.

[9] Não é somente pelo que foi dito que o Senhor revelou a si mesmo e o Pai, mas também na sua paixão.

[10] Pois, para destruir a desobediência original do homem que se deu por causa do lenho, “se fez obediente até a morte e morte de cruz”, curando assim com a sua obediência sobre o lenho a desobediência que acontecera pelo lenho.

[11] Ora, não teria vindo destruir a desobediência feita ao nosso criador pela sua obediência se tivesse pregado outro Pai.

[12] Com efeito, foi justamente pelas mesmas coisas pelas quais não obedecemos a Deus e não cremos na sua palavra que reintroduziu a obediência a Deus e o assentimento à sua palavra.

[13] Mostrou claramente com isso o Deus que ofendêramos no primeiro Adão, não cumprindo o seu mandamento, e com o qual somos reconciliados, no segundo Adão, tornando-nos obedientes até a morte; de fato, só éramos devedores com aquele de quem transgredimos, no início, o preceito, e de ninguém mais.

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