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[1] Uma revelação mais clara ainda acerca dos últimos tempos e dos dez reis, entre os quais será dividido o império que agora domina, foi feita por João, o discípulo do Senhor, no Apocalipse.

[2] Explicando o que eram os dez chifres vistos por Daniel, refere o que lhe foi dito: “Os dez chifres que tu viste são dez reis que ainda não receberam o reino, mas que receberão o poder como reis, por uma hora, com a besta. Eles não têm senão um pensamento, o de homenagear a besta com a sua força e o seu poder. Eles combaterão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis”.

[3] Está claro, portanto, que aquele que deve vir matará três destes dez reis, que os outros se lhe submeterão e que ele será o oitavo entre eles.

[4] Eles destruirão Babilônia, reduzi-la-ão a cinzas, darão o seu reino à besta e perseguirão a Igreja, mas, em seguida, serão destruídos pela vinda de nosso Senhor.

[5] O Senhor disse que o reino deve ser dividido e ser destruído: “Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruína e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma poderá subsistir”.

[6] O reino, a cidade, a casa devem ser divididas em dez partes, e por isso o Senhor desde já predisse essa divisão e partilha.

[7] O próprio Daniel identifica exatamente o fim do quarto reino nos dedos dos pés da estátua vista por Nabucodonosor, com os quais se chocou a pedra que se desprendeu sem intervenção de mão alguma.

[8] Ele diz assim: “Os pés eram parte de ferro e parte de argila, quando uma pedra, sem intervenção de mão alguma, destacou-se e veio bater na estátua, nos pés de ferro e de argila e os triturou completamente”.

[9] Mais adiante, na explicação, diz: “Os pés e os dedos que viste, parte de argila e parte de ferro, designam um reino que será dividido; haverá nele a estabilidade do ferro, como viste o ferro misturado à argila. E os dedos dos pés eram parte de ferro e parte de argila”.

[10] Os dez dedos dos pés significam os dez reis entre os quais será dividido o reino; alguns deles serão fortes, hábeis e poderosos e outros serão fracos e ociosos e contrários, como diz Daniel: “Uma parte do reino será forte e será quebrada pela outra parte. O fato de teres visto ferro misturado à argila, indica que se misturarão por casamentos, mas não se fundirão um com o outro, da mesma forma que o ferro não se funde com a argila”.

[11] E sobre o que acontecerá no fim, diz: “No tempo desses reis o Deus do céu suscitará um reino que jamais será destruído, um reino que jamais passará a outro povo. Esmagará e aniquilará todos os outros reinos, enquanto ele mesmo subsistirá para sempre. Foi o que pudeste ver na pedra que se destacou da montanha, sem que mão alguma a tivesse tocado e reduziu a pó o ferro, o bronze, a argila e a prata. O grande Deus manifestou ao rei o que deve acontecer depois disto. O sonho é verdadeiramente este, e digna de fé é a sua interpretação”.

[12] Se, portanto, o grande Deus deu a conhecer o futuro por meio de Daniel e o confirmou por meio de seu Filho; se o Cristo é a pedra que se desprendeu sem intervenção de mão alguma, aquele que deve aniquilar os reinos temporais e introduzir o reino eterno, isto é, a ressurreição dos justos — “o Deus do céu, diz, suscitará um reino que nunca mais será destruído” —, deem-se por vencidos e se emendem os que, rejeitando o Criador, não admitem que os profetas foram enviados pelo mesmo Pai que também enviou o Senhor, mas dizem que as profecias derivam de Potências diferentes.

[13] Com efeito, o que o Criador predisse de forma idêntica por meio de todos os profetas foi o que o Cristo cumpriu, no fim, obedecendo à vontade do Pai e realizando a sua economia do gênero humano.

[14] Portanto, os que blasfemam o Criador — explícita e abertamente, como os discípulos de Marcião ou astuciosamente, como os discípulos de Valentim e todos os falsos gnósticos — sejam reconhecidos por todos os que adoram a Deus como instrumentos de Satanás, que começou nestes nossos dias o que ainda não começara, isto é, a amaldiçoar a Deus, que preparou o fogo eterno para toda apostasia.

[15] Ele não tem a coragem de ofender o seu Senhor abertamente, por sua conta, como no princípio, sob a forma de serpente, seduziu o homem, escondendo-se de Deus.

[16] Foi Justino a dizer que Satanás, antes da vinda do Senhor, nunca teve a ousadia de blasfemar a Deus, porque ignorava o alcance da sua condenação, visto que os profetas haviam falado dele em parábolas e alegorias.

[17] Mas depois da vinda do Senhor ficou sabendo claramente, pelas palavras de Cristo e dos apóstolos, que um fogo eterno foi preparado para ele que se separou voluntariamente de Deus, e para todos os que, recusando-se de fazer penitência, perseveram na apostasia.

[18] Assim, por intermédio destes homens, blasfema o Senhor que faz sobrevir o juízo e, como já condenado, culpa o seu Criador pelo pecado de apostasia e não a sua livre vontade, assim como os transgressores da lei, quando punidos, incriminam o legislador em lugar de imputar a si mesmos a culpa.

[19] Assim estes, cheios de espírito diabólico, proferem inumeráveis acusações contra o nosso Criador, que nos deu o Espírito de vida e estabeleceu uma lei apropriada para todos e não querem aceitar o justo juízo de Deus.

[20] Por este motivo imaginam outro Pai que não cuida e nem se importa das nossas coisas, e até aprova todos os nossos pecados.

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