[1] Nos livros precedentes expusemos os motivos pelos quais Deus permitiu que acontecessem estas coisas e mostramos como todas elas se cumpriram em benefício do homem que se salva, amadurecendo-lhe o livre-arbítrio para a imortalidade e tornando-o mais apto para a eterna submissão a Deus.
[2] É por isso que a criação está submetida ao homem, porque não é o homem que foi feito para ela, mas ela para o homem.
[3] Até os pagãos que não levantaram os olhos ao céu, não agradeceram o seu Criador e não quiseram ver a luz da verdade, escondendo-se como ratos cegos nas profundezas da sua loucura, foram justamente considerados como uma gota que cai do balde, ou como um grão de pó nos pratos da balança e como nada, úteis para os justos quanto o pode ser uma espiga para o crescimento do trigo ou uma palha para o fogo que derrete o ouro.
[4] Por isso, quando, no fim, de repente a Igreja será levada daqui, “haverá, como está escrito, uma tribulação como nunca houve desde o princípio e nunca mais haverá”; será a última prova dos justos e os vencedores serão coroados com a incorruptibilidade.
[5] Por isso, na besta que há de vir, haverá a recapitulação de toda a iniquidade e de todo o engano, para que todo o poder da apostasia que se ajuntou e recolheu nela, seja lançado na fornalha ardente.
[6] Por esta razão o número de seu nome será justamente seiscentos e sessenta e seis, recapitulando em si toda a mistura do mal que se desencadeou antes do dilúvio em consequência da apostasia dos anjos — Noé tinha seiscentos anos quando se precipitou o dilúvio na terra, destruindo a rebelião da terra por causa da geração perversa dos tempos dele —; recapitulando também toda a falsidade que houve depois do dilúvio, aquela que recomendava o culto dos ídolos, a matança dos profetas e o suplício do fogo infligido aos justos.
[7] Com efeito, a estátua construída por Nabucodonosor tinha sessenta côvados de altura e seis de largura e, por se terem recusado a adorá-la, Ananias, Azarias e Misael foram lançados na fornalha acesa, profetizando com o que lhes acontecera, a prova do fogo a que serão submetidos os justos no final dos tempos.
[8] Aliás toda esta estátua foi a prefiguração da vinda daquele que pretendia se fazer adorar por absolutamente todos os homens.
[9] Assim os seiscentos anos de Noé, na época do dilúvio que se deu por causa da apostasia, e o número dos côvados da estátua, por causa da qual os justos foram lançados na fornalha acesa, indicam o número do nome daquele em que será recapitulada toda apostasia, a injustiça, a iniquidade, a pseudoprofecia e o engano de seis mil anos, por causa dos quais acontecerá o dilúvio de fogo.

