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[1] O próprio Isaías anunciou manifestamente a alegria que haverá na ressurreição dos justos, quando diz: “Os mortos ressuscitarão, os que estão nos sepulcros se levantarão, porque o orvalho que vem de ti é uma cura para eles”.

[2] Igualmente diz Ezequiel: “Eis que abrirei os vossos túmulos, e vos farei subir dos vossos túmulos, ó meu povo. Porei o meu espírito dentro de vós e revivereis; eu vos reporei em vossa terra, e sabereis que eu sou o Senhor”.

[3] O mesmo profeta diz ainda: “Eis o que diz o Senhor: Reunirei Israel de todas as nações, por onde foram espalhados, revelarei entre eles a minha santidade aos olhos das nações e habitarão na terra que dei ao meu servo Jacó. Nela habitarão em segurança, edificarão casas e plantarão vinhas; habitarão em segurança, quando executarei o julgamento contra todos os que os desprezam dentre os seus vizinhos, e saberão que eu sou o Senhor, Deus deles e dos seus pais”.

[4] Ora, indicamos mais acima, que a Igreja é a posteridade de Abraão; por isso, para que saibamos que tudo isso se realizará na Nova Aliança, que reunirá os que são salvos de todas as nações, suscitando das pedras filhos para Abraão, Jeremias diz: “Eis que dias virão, diz o Senhor, em que não se dirá mais: Viva Javé que tirou os israelitas do Egito. Em lugar disso dirão: Viva o Senhor que fez subir Israel da terra do Norte e de todas as regiões onde os tinha dispersado e os reconduzirá à terra deles, que dera a seus pais”.

[5] Que toda criatura deva, conforme a vontade de Deus, crescer e chegar à plenitude de seu desenvolvimento, para produzir e amadurecer os frutos, é o que diz Isaías: “Sobre todo monte alto e sobre todo outeiro elevado, haverá cursos de água e mananciais, no dia da grande matança, ao ruírem as fortalezas. Então a luz da lua será igual à luz do sol, e a luz do sol será sete vezes mais forte, como a luz de sete dias reunidos, no dia em que o Senhor pensar a ferida de seu povo e curar a dor da tua praga”.

[6] A “dor da praga” é aquela com que foi atingido o homem no princípio, quando em Adão desobedeceu, e é a morte, da qual Deus nos curará, ressuscitando-nos dentre os mortos e restabelecendo-nos na herança dos pais, como diz ainda Isaías: “Porás a tua confiança no Senhor e te fará prosperar sobre toda a terra; ele te alimentará com a herança de Jacó, teu pai”.

[7] É o mesmo que diz o Senhor: “Bem-aventurados os servos que o Senhor na sua vinda encontrar vigilantes. Na verdade vos digo que se porá o avental, fá-los-á sentar à mesa, e passando diante deles servi-los-á. E, se chegar pela tarde e os encontrar assim, serão felizes, porque fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á. E se chegar à segunda ou à terceira vigília, serão felizes”.

[8] A mesma coisa diz João no Apocalipse: “Bem-aventurado e santo quem participa na primeira ressurreição”.

[9] Isaías anunciou também o tempo em que acontecerão estas coisas: “E eu disse: Até quando, Senhor? Até que as cidades estejam despovoadas por falta de habitantes, bem como as casas por falta de homens e a terra fique deserta. Depois disto o Senhor afastará os homens e os que ficarem se multiplicarão”.

[10] Daniel diz o mesmo: “E o reino e o império e as grandezas dos reinos sob todos os céus serão entregues ao povo dos santos do Altíssimo. Seu império é império eterno, e todos os impérios o servirão e lhe prestarão obediência”.

[11] E para que não se pense que esta promessa se refere ao tempo presente, foi dito ao profeta: “Tu, vem, para receber a tua parte, no fim dos dias”.

[12] Que estas promessas não se dirigiam somente aos profetas e aos pais, e sim às igrejas reunidas de entre todas as nações, que o Espírito chama de ilhas; que elas sejam postas no meio do alvoroço e provem as tempestades das blasfêmias; que sejam porto de salvação para os que estão em perigo e refúgio para os que amam a verdade e se esforçam por fugir do abismo do erro, é o que diz Jeremias: “Nações, escutai a palavra do Senhor, anunciai-a às ilhas distantes. Dizei: Aquele que dispersa Israel o reunirá e o guardará como o pastor a seu rebanho. Porque o Senhor resgatou Jacó, libertou-o da mão do mais forte. Eles virão gritando de alegria sobre os altos de Sião, afluirão aos bens do Senhor: o trigo, o mosto, o azeite, as ovelhas e os bois; sua alma será como árvore frutífera, e não terão mais fome. Então as moças se alegrarão na companhia dos jovens e dos velhos. Converterei seu luto em alegria, eu os alegrarei e engrandecerei, e inebriarei a alma dos sacerdotes filhos de Levi, e o meu povo se saciará com os meus bens”.

[13] Mostramos no livro precedente que os levitas e os sacerdotes representam todos os discípulos do Senhor que no templo violam o sábado e ficam sem culpa.

[14] Essas promessas, portanto, significam com toda evidência o festim que esta criação, que recebeu a promessa de Deus, dará aos justos no reino.

[15] Isaías diz ainda a respeito de Jerusalém e de seu rei: “Bem-aventurado quem tem posteridade em Sião e parentes em Jerusalém. Eis que um Rei justo reinará e os príncipes reinarão com justiça”.

[16] E acerca dos preparativos para a sua reconstrução, diz: “Eis que te preparo carbúnculo como pedras e safira para as fundações, jaspe para as torres, cristal para as portas e pedras preciosas para as muralhas. Todos os teus filhos serão instruídos pelo Senhor e viverão em grande paz; e serás edificada na justiça”.

[17] O mesmo profeta diz ainda: “Regozijar-me-ei em Jerusalém, alegrar-me-ei em meu povo. Nela não se tornará a ouvir choro nem lamentação. Não haverá mais criancinhas que tenham morte prematura nem velhos que não completem o seu tempo. Os jovens terão cem anos e o pecador ao morrer aos cem anos será amaldiçoado. Construirão casas e eles mesmos as habitarão; plantarão vinhas e eles mesmos comerão seus frutos e beberão seu vinho. Já não construirão para que outro habite a sua casa, não plantarão para que outro coma o fruto, pois a duração dos dias de meu povo será como os dias da árvore da vida; consumirão eles mesmos o fruto do trabalho de suas mãos”.

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