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[1] Se alguns quiserem interpretar estas profecias em sentido alegórico não chegarão a acordo entre si sobre todos os pontos e serão refutados pelas próprias palavras sobre as quais discutem e dizem: “Quando as cidades das gentes estarão despovoadas por falta de habitantes e as casas por falta de homens e a terra ficará deserta”.

[2] “Eis, pois, diz Isaías, o dia do Senhor terrível, cheio de furor e de ira. Ele vem para tornar deserta a terra e exterminar os pecadores”.

[3] Ele diz ainda: “Será eliminada, para que não veja a glória do Senhor”.

[4] E depois que isso tiver acontecido, diz: “O Senhor afastará os homens e os que ficarem se multiplicarão sobre a terra”.

[5] “Construirão casas que eles mesmos habitarão e plantarão vinhas cujos frutos eles mesmos comerão”.

[6] Todas estas profecias se referem, sem contestação, à ressurreição dos justos, que se realizará depois do advento do Anticristo e da eliminação de todas as nações submetidas à sua autoridade, quando os justos reinarão sobre a terra, aumentarão pela aparição do Senhor e se acostumarão, por ele, a participar da glória do Pai e, com os santos anjos, participarão da vida, da comunhão e da unidade espirituais, neste reino.

[7] Os que o Senhor encontrar na carne, esperando-o vindo dos céus, depois de ter suportado a tribulação e escapado das mãos do ímpio, são aqueles dos quais fala o profeta: “Os abandonados sobre a terra se multiplicarão”, e também todos os que, dentre os pagãos, o Senhor tiver preparado, para que, após ser deixados, se multipliquem sobre a terra, sejam governados pelos santos e sirvam a Jerusalém.

[8] O profeta Jeremias falou mais claramente ainda sobre Jerusalém e o reino que será estabelecido nela, dizendo: “Dirige o teu olhar para o oriente, Jerusalém, e vê a alegria que te vem da parte de Deus! Olha, estão chegando teus filhos a quem vistes partir; eles vêm, reunidos do nascente ao poente pela palavra do Santo, jubilando com a glória de Deus.

[9] Despe, Jerusalém, a veste da tua tristeza e desgraça e reveste para sempre a beleza da glória que vem do teu Deus.

[10] Cobre-te com o manto da justiça e cinge a cabeça com o diadema da glória eterna.

[11] Pois Deus mostrará o teu esplendor a toda a terra que está debaixo do céu e te chamará com o nome que vem de Deus para sempre: Paz-da-justiça e Glória-da-piedade.

[12] Levanta, Jerusalém, coloca-te sobre o alto e olha na direção do oriente: vê teus filhos, reunidos desde o pôr-do-sol até o nascente à ordem do Santo, alegres por Deus ter-se lembrado deles.

[13] Eles saíram de ti a pé, arrastados por inimigos, mas Deus os reconduziu a ti, carregados de glória, como por um trono real.

[14] Pois Deus ordenou que sejam abaixadas toda alta montanha e as colinas eternas, e se encham os vales para aplainar a terra, a fim de que Israel possa acorrer com segurança, à glória de Deus.

[15] Também as florestas e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus.

[16] Pois Deus conduzirá Israel com alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que dele procedem”.

[17] Todas estas coisas não se referem a mundos supracelestes, porque diz: “Deus mostrará o teu esplendor a toda a terra que está debaixo do céu”, mas aos tempos do reino, quando a terra será renovada por Cristo e Jerusalém será reconstruída conforme o modelo da Jerusalém do alto, da qual o profeta Isaías disse: “Eis que desenhei teus muros nas minhas mãos e tu me estás sempre diante dos olhos”.

[18] E o Apóstolo, escrevendo aos Gálatas, diz: “A Jerusalém do alto é livre e é a mãe de todos nós”.

[19] Neste momento não pensa no Éon errante, nem em Potência separada do Pleroma chamada Prounicos, e sim na Jerusalém desenhada nas mãos de Deus.

[20] E é esta mesma que João, no Apocalipse, viu descer a uma terra nova.

[21] De fato, depois dos tempos do reino, ele diz, “eu vi um grande trono branco e aquele que estava assentado nele; o céu e a terra fugiram de diante dele e não se encontrou mais lugar para eles”.

[22] Então ele descreve a ressurreição e o juízo universais, dizendo: “Eu vi os mortos, os grandes e os pequenos.

[23] Pois a morte restituiu os mortos que se encontravam nela; a morte e o inferno restituíram os que estavam neles.

[24] E foram abertos os livros.

[25] Foi aberto também o livro da vida e os mortos foram julgados de acordo com o que estava escrito nestes livros e conforme as suas obras.

[26] Depois, a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo, que é a segunda morte”.

[27] É o que se chama Geena e o Senhor o chama fogo eterno.

[28] “E quem não estava escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”.

[29] A seguir diz: “Eu vi um céu novo e uma terra nova, porque o primeiro céu e a terra se foram, e o mar já não existia.

[30] E vi a cidade santa, a nova Jerusalém descer do céu, enfeitada como esposa para o seu esposo.

[31] E ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: Eis a morada de Deus com os homens e habitará com eles e eles serão o seu povo; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus.

[32] E enxugará toda lágrima dos seus olhos, e não haverá mais morte, nem luto, nem gritos, nem dores, porque as coisas de antes passaram”.

[33] É o que já dissera Isaías: “Haverá céu novo e terra nova; não se lembrarão mais das primeiras coisas e elas não voltarão à memória, mas encontrarão nela a alegria e o regozijo”.

[34] Foi isso também que o Apóstolo disse: “Com efeito, passa a figura deste mundo”.

[35] E o Senhor: “O céu e a terra passarão”.

[36] Quando terão passado estas coisas, diz João, o discípulo do Senhor, descerá a Jerusalém do alto sobre uma terra nova, como esposa adornada para o seu esposo, e ela será o tabernáculo de Deus, em que Deus habitará com os homens.

[37] A Jerusalém que se encontrava na terra de antes é a imagem da Jerusalém em que os justos se exercitarão para a incorruptibilidade e se prepararão para a salvação.

[38] Foi deste tabernáculo que Moisés recebeu o modelo no monte.

[39] E tudo isto não pode ser interpretado alegoricamente, mas se deve crer tudo verdadeiro, certo e real, realizado por Deus para a alegria dos homens justos.

[40] Como é realmente Deus que ressuscita o homem e não em sentido alegórico, como demonstramos de várias maneiras.

[41] E como realmente ressuscita, assim realmente se exercitará na incorruptibilidade e crescerá e amadurecerá nos tempos do reino para ser capaz da glória de Deus Pai.

[42] Em seguida, renovadas todas as coisas, habitará verdadeiramente na cidade de Deus.

[43] Com efeito, diz João: “Aquele que está assentado no trono diz: Eis que faço novas todas as coisas.

[44] E o Senhor diz: Escreve tudo isso, porque estas palavras são certas e verdadeiras.

[45] E me disse: Assim foi feito”.

[46] Nada de mais justo.

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