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[1] Como Cristo ressuscitou na substância da sua carne e mostrou aos discípulos os sinais dos pregos e a abertura do lado — estes são os sinais da sua carne ressuscitada dos mortos —, assim ele diz: Deus ressuscitará também a nós pelo seu poder.

[2] E aos romanos diz: “Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, aquele que ressuscitou o Cristo dos mortos vivificará os vossos corpos mortais”.

[3] O que são os corpos mortais? Serão as almas? Mas as almas são incorporais em comparação aos corpos mortais.

[4] Com efeito, Deus soprou no rosto do homem “o sopro de vida e o homem se tornou alma vivente”: o sopro de vida é incorporal.

[5] Assim como não podem dizer que a alma é mortal porque o sopro de vida permanece — com efeito, Davi diz: “E a minha alma viverá para ele”, visto ser a sua substância imortal —, assim não podem dizer que o Espírito é corpo mortal.

[6] O que fica então para ser denominado corpo mortal a não ser a obra modelada por Deus, isto é, a carne, aquilo que o Apóstolo declara que Deus vivificará?

[7] É esta que morre e se decompõe e não a alma ou o Espírito.

[8] Morrer é perder a capacidade vital, ficar em seguida sem o sopro, sem a vida, sem os movimentos e decompor-se nos elementos dos quais teve início a existência.

[9] Ora, isso não pode acontecer com a alma, porque é sopro de vida, nem com o espírito por ser simples e não composto e por ser ele a vida dos que o recebem.

[10] Resta que a morte se manifeste na carne a qual, com a saída da alma, fica sem respiração e sem vida e lentamente se decompõe na terra de onde foi tirada.

[11] É esta, pois, que é mortal.

[12] E é dela que o Apóstolo diz: “Ele vivificará os vossos corpos mortais”.

[13] Por isso afirma na primeira carta aos Coríntios: “Assim acontecerá na ressurreição dos mortos: semeia-se na corrupção, ressuscitará na incorrupção”.

[14] Com efeito, ele diz: “O que tu semeias não é vivificado se primeiro não morre”.

[15] O que é semeado como o grão de trigo e se desfaz na terra?

[16] Não são os corpos que são depositados na terra onde se lança a semente?

[17] Por isso diz: “Semeia-se no aviltamento, ressuscitará na glória”.

[18] O que há de mais aviltado do que a carne morta?

[19] Ao contrário, o que é mais glorioso do que ela quando ressuscita e recebe o dom da incorruptibilidade?

[20] “Semeia-se na fraqueza, ressuscitará no poder”.

[21] A fraqueza da carne, sendo terra acaba na terra; o poder de Deus, porém, a ressuscita da morte.

[22] “Semeia-se um corpo psíquico, ressuscitará corpo espiritual”.

[23] Sem dúvida, nos ensina que não fala da alma, nem do espírito, mas de corpos submetidos à morte; estes corpos são psíquicos, isto é, têm a alma, mas se a perdem, morrem; em seguida, pelo Espírito ressurgem, tornando-se corpos espirituais e perseverando, sempre por obra do Espírito, possuem uma vida que dura para sempre.

[24] Porque, agora, diz, “conhecemos em parte, e profetizamos parcialmente, então será face a face”.

[25] A mesma coisa diz Pedro: “O amais sem tê-lo visto, e nele credes agora sem tê-lo visto, mas crendo exultareis com alegria inexprimível”.

[26] O nosso rosto verá o rosto de Deus e se alegrará de alegria inexprimível, pois ele verá a sua alegria.

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