Aviso ao leitor
Este livro - Rute - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica. Trata-se de uma narrativa curta e teologicamente rica sobre fidelidade, providência e redenção familiar, situada no contexto social do antigo Israel.
[1] No tempo em que os Juízes governavam, houve uma fome no país e um homem de Belém de Judá foi morar nos Campos de Moab, com sua mulher e seus dois filhos.[2] Esse homem chamava-se Elimelec, sua mulher, Noemi, e seus dois filhos, Maalon e Quelion; eram efrateus, de Belém de Judá. Chegando aos Campos de Moab, ali se estabeleceram.[3] Morreu Elimelec, marido de Noemi, e esta ficou só com seus dois filhos.[4] Eles tomaram por esposas mulheres moabitas, uma chamada Orfa, e a outra, Rute. Permaneceram lá uns dez anos.[5] Depois morreram também os dois, Maalon e Quelion, e Noemi ficou sozinha, sem filhos nem marido.[6] Então, com suas noras, preparou-se para voltar dos Campos de Moab, pois ficara sabendo nos Campos de Moab que Iahweh visitara seu povo dando-lhe pão.[7] Saiu, pois, com suas noras, do lugar onde tinha morado e puseram-se a caminho para voltar à terra de Judá.[8] Noemi disse a suas duas noras: “Ide e voltai cada qual para a casa de sua mãe. Que Iahweh vos trate com a mesma bondade com que tratastes os que morreram e a mim mesma![9] Que Iahweh conceda a cada uma de vós encontrar descanso na casa de um marido!” Abraçou-as, mas elas choravam em alta voz,[10] dizendo: “Não! Vamos voltar contigo para junto de teu povo.”[11] Noemi respondeu-lhes: “Voltai, minhas filhas; por que haveríeis de vir comigo? Porventura trago ainda em meu seio filhos que possam vir a ser vossos maridos?[12] Voltai, minhas filhas, parti, pois estou velha demais para tornar a casar-me! E mesmo que eu dissesse: ‘Ainda existe para mim esperança: esta noite mesmo estarei com meu marido e terei filhos’,[13] esperaríeis por eles até que crescessem? Renunciaríeis ao matrimônio? Não, minhas filhas! É grande a minha amargura por vossa causa, pois a mão de Iahweh pesa sobre mim.”[14] Elas choraram novamente em alta voz; depois Orfa abraçou sua sogra e voltou para junto de seu povo, mas Rute ficou em sua companhia.[15] Disse-lhe então Noemi: “Olha, tua cunhada voltou para junto do seu povo e para seu deus; volta também com ela.”[16] Respondeu Rute: “Não insistas comigo para que te deixe, pois para onde fores, irei também, onde for tua moradia, será também a minha; teu povo será o meu povo e teu Deus será o meu Deus.[17] Onde morreres, quero morrer e ser sepultada. Que Iahweh me mande este castigo e acrescente mais este se outra coisa, a não ser a morte, me separar de ti!”[18] Noemi, vendo que Rute estava firmemente decidida a acompanhá-la, não insistiu mais com ela.[19] Partiram, pois, as duas e chegaram a Belém. À sua chegada, Belém inteira se alvoroçou e as mulheres diziam: “Esta é Noemi?”[20] Mas ela respondeu-lhes: “Não me chameis de Noemi; chamai-me de Mara, pois Shaddai me encheu de amargura.[21] Parti com as mãos cheias, e Iahweh me reconduz de mãos vazias! Por que haveríeis de me chamar de Noemi quando Iahweh se pronunciou contra mim e Shaddai me afligiu?”[22] Foi assim que regressou Noemi, tendo consigo sua nora Rute, a moabita, que veio dos Campos de Moab. Chegaram a Belém no começo da colheita da cevada.

