Aviso ao leitor
Este livro - Rute - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica. Trata-se de uma narrativa curta e teologicamente rica sobre fidelidade, providência e redenção familiar, situada no contexto social do antigo Israel.
[1] Noemi tinha um parente por parte de seu marido, pessoa importante, do clã de Elimelec, cujo nome era Booz.[2] Rute, a moabita, disse a Noemi: “Permite que eu vá ao campo respigar atrás daquele que me acolher favoravelmente.” Ela lhe respondeu: “Vai, minha filha.”[3] Ela partiu, pois, foi respigar no campo atrás dos segadores. Por felicidade, entrou ela na parte do campo pertencente a Booz, do clã de Elimelec.[4] Naquele momento, Booz estava chegando de Belém e disse aos segadores: “Que Iahweh esteja convosco!”, e eles responderam-lhe: “Que Iahweh te abençoe!”[5] Booz perguntou depois ao seu servo, o feitor dos segadores: “De quem é esta jovem?”[6] E o servo, feitor dos segadores, respondeu: “Esta jovem é a moabita, que voltou com Noemi dos Campos de Moab.[7] Ela pediu: ‘Permiti que eu respigue e recolha entre os feixes de trigo atrás dos segadores.’ Veio, pois, e ficou; desde cedo até agora ela não descansou senão um pouco no abrigo.”[8] Booz disse a Rute: “Estás ouvindo, minha filha? Não vás respigar noutro campo, não te afastes daqui, mas fica na companhia das minhas criadas.[9] Observa o terreno que os homens estiverem ceifando e vai atrás deles. Acaso não ordenei aos servos para não te molestarem? Quando tiveres sede, vai procurar os cântaros e bebe da água que os servos tiverem buscado.”[10] Então Rute, caindo com o rosto em terra, prostrou-se e disse-lhe: “Por que encontrei favor a teus olhos, de modo que te tenhas interessado por mim, que não passo de uma estrangeira?”[11] Em resposta, Booz lhe disse: “Foi-me contado tudo o que fizeste por tua sogra após a morte do teu marido, e como deixaste pai e mãe e tua terra natal para vires morar no meio de um povo que antes não conhecias.[12] Que Iahweh te retribua o que fizeste e que recebas uma farta recompensa da parte de Iahweh, Deus de Israel, sob cujas asas vieste buscar refúgio!”[13] Ela respondeu: “Possa eu ser bem acolhida por ti, meu senhor! Pois me confortaste e falaste benignamente à tua serva, embora eu não seja sequer como uma de tuas servas.”[14] Na hora da refeição, Booz disse a Rute: “Vem cá, come deste pão e molha teu bocado no vinagre.” Ela sentou-se junto aos segadores e Booz também lhe fez uma polenta de grão torrado. Depois de ter comido à vontade, ainda sobrou.[15] E quando ela se levantou para respigar, Booz ordenou a seus servos: “Deixai-a respigar também entre os feixes e não a molesteis.[16] E cuidai também que caiam algumas espigas de vossos feixes, e deixai-as para que ela as ajunte e não a censureis.”[17] Rute respigou no campo até à tarde, e depois bateu as espigas que tinha colhido; deu quase um almude de cevada.[18] Ela carregou-o e voltou para a cidade, e sua sogra viu o que ela tinha recolhido; Rute tirou e deu-lhe o que guardara depois de ter comido à vontade.[19] Perguntou-lhe a sogra: “Onde respigaste hoje, onde trabalhaste? Bendito aquele que por ti se interessou!” Rute contou à sua sogra com quem tinha trabalhado; ela disse: “O homem com quem trabalhei hoje chama-se Booz.”[20] Noemi disse à sua nora: “Que ele seja abençoado por Iahweh, que não cessa de usar de misericórdia para com os vivos e os mortos!” E acrescentou: “Esse homem é nosso parente próximo, é um dos que têm sobre nós direito de resgate.”[21] Rute, a moabita, disse: “Ele me falou também: Fica com meus servos até que terminem toda a colheita.”[22] E Noemi respondeu a Rute, sua nora: “É bom, minha filha, que estejas na companhia de suas servas, pois assim não te maltratarão num outro campo.”[23] Assim ficou ela no meio das servas de Booz, respigando até o fim da colheita da cevada e do trigo. E morava com sua sogra.

