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[1] Voltemos à questão das emissões. Antes de mais nada, que nos digam o motivo da emissão dos Éões sem se referir às coisas criadas. Com efeito, dizem que os Éões não foram feitos para a criação, mas a criação por causa deles; eles não são as imagens das coisas daqui de baixo, mas estas coisas são imagens deles.

[2] Portanto, como explicam a causa das imagens dizendo que o mês tem trinta dias pela via dos trinta Éões e o dia tem doze horas e o ano doze meses pela via dos doze Éões que estão no Pleroma, e assim a seguir, agora nos digam também o motivo pelo qual a emissão dos Éões foi feita desta forma: porque foi emitida como primeira e origem de todas as coisas a Ogdôada e não uma Pêntada ou uma Tríada ou uma Hebdômada ou algum agrupamento de outro número?

[3] Por que pelo Logos e a Zoé foram emitidos dez Éões, nem mais nem menos, por que também pelo Homem e a Igreja foram doze, quando poderiam ter sido mais ou menos?

[4] Por que o total do Pleroma foi dividido em três partes, abrangendo uma Ogdôada, uma Década e uma Duodécada e não outros números quaisquer, diferentes destes?

[5] Por que foi dividido por três e não por quatro, cinco, seis ou outro número, sem fazer referência aos números que se encontram na criação? Com efeito, eles dizem que as coisas do alto são mais antigas do que estas daqui e, portanto, devem ter motivos próprios, anteriores à criação e não relativos a ela.

[6] Nós, porém, ao falar da criação usamos argumentos coerentes, porque a harmonia das coisas criadas está de acordo com a harmonia superior.

[7] Não tendo a possibilidade de estabelecer uma causa própria das realidades anteriores e perfeitas em si mesmas, eles devem obrigatoriamente deparar grandes dificuldades.

[8] Eles nos fazem perguntas a respeito da criação como se não a conhecêssemos, mas, quando interrogados a respeito do Pleroma, falam de paixões humanas ou respondem-nos impropriamente com discursos acerca da harmonia da criação, isto é, acerca das coisas derivadas e não a respeito das que para eles são as primárias.

[9] De fato, nós não lhes pedimos explicações a respeito da harmonia da criação, nem a respeito das paixões humanas, mas porque o Pleroma, do qual a criatura é imagem, se compõe de grupos de oito, dez e doze elementos.

[10] Eles então responderão que o Pai lhe deu tal forma agindo ao acaso e sem premeditação e lhe atribuirão deficiências por ter feito algo de irracional, ou dirão que o Pleroma foi emitido intencionalmente em vista da criação, para que ficasse bem harmonizada.

[11] Então o Pleroma já não foi criado para si, mas em vista da imagem que havia de ser feita à imagem dele, como a estátua de barro não é modelada como fim a si mesma, mas para aquela de prata, bronze ou ouro que será fundida sobre ela.

[12] Assim a criação é superior ao Pleroma se este foi feito em ordem àquela.

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