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[1] Se dizem que os doze apóstolos representam somente os doze Éões emitidos pelo Homem e a Igreja, que nos apresentem então outros dez apóstolos para representar os dez Éões emitidos pelo Logos e Zoé. Seria absurdo que, pela eleição dos apóstolos, o Salvador tenha indicado os Éões mais jovens e por isso inferiores e não tenha indicado os mais velhos e por isso superiores, porque, se quisesse eleger os apóstolos de forma a representar, pelo seu número, os Éões que estão no Pleroma, poderia escolher outros dez apóstolos para indicar a segunda Década e, antes deles, mais oito, para indicar a primeira e fundamental Ogdôada.

[2] Depois dos doze apóstolos sabemos que nosso Senhor enviou diante de si outros setenta discípulos, mas estes setenta não podem ser a figura nem da Ogdôada, nem da Década, nem da Triacôntada. Por qual motivo então os Éões inferiores, como já dissemos, são indicados pelos apóstolos, enquanto os Éões superiores, de quem estes foram emitidos, não têm indicação nenhuma?

[3] Se os doze apóstolos foram eleitos para indicar o número dos doze Éões, os setenta discípulos deveriam ser escolhidos para indicar setenta Éões: neste caso devem falar de oitenta e dois e não de trinta Éões. Aquele que escolheu os apóstolos para representar os Éões do Pleroma, nunca teria escolhido alguns e excluído os outros, mas por meio de todos os apóstolos teria procurado conservar o modelo e mostrar a figura dos Éões do Pleroma.

[4] Nem se deve silenciar sobre Paulo, mas devemos perguntar a estes, na figura de qual Éon terá ele sido posto: talvez na do Salvador, produto da invenção deles, formado pelo concurso de todos os Éões e que chamam de Tudo, porque deriva de todos, e de quem o poeta Hesíodo teria dado esplêndida figura, dando-lhe o nome de “Pandora”, isto é, Dom de todos, porque dom excelente, provindo de todos os Éões, foi reunido nele.

[5] E é justamente a propósito dos hereges que foi dito, e o podemos citar em grego e em latim: “Hermes depositou neles palavras enganadoras e coração artificial” para enganar os simples e fazê-los acreditar nas suas invenções.

[6] A Mãe, isto é, Latona — o nome deriva do sentido da palavra grega que significa mover secretamente —, moveu-os secretamente, sem que o Demiurgo o soubesse, a anunciar profundos e inenarráveis mistérios para os que têm prurido nos ouvidos.

[7] A Mãe fez enunciar o mistério não somente por meio de Hesíodo, mas também o enunciou, de maneira experta, para que ficasse escondido ao Demiurgo, nas líricas de Píndaro, no episódio de Pélope, cuja carne, cortada aos pedaços pelo pai, foi recolhida por todos os deuses, aproximada e ajuntada, significando assim Pandora.

[8] Incitados eles também por ela repetem o que os poetas disseram, porque são da mesma raça e do mesmo espírito que eles.

[9] O número dos trinta Éões também cai completamente, como já o demonstramos, porque, segundo eles, os Éões no Pleroma são, às vezes mais às vezes menos. Portanto, não são trinta os Éões, nem por isso o Salvador foi ao batismo aos trinta anos para indicar os trinta Éões, envolvidos no silêncio, de outro modo seria ele o primeiro a ser separado e expulso do Pleroma dos Éões.

[10] Dizem também que sofreu no décimo segundo mês, de forma que teria pregado um só ano depois do batismo e procuram explicar isso com o texto profético que diz: “Proclamar o ano de graça do Senhor, o dia da retribuição”.

[11] Mas são verdadeiramente cegos os que afirmam ter descoberto as profundezas do Abismo e não entendem o que é o ano de graça do Senhor e o dia da retribuição de que fala Isaías.

[12] Porque o profeta não fala de um dia de doze horas nem de um ano de doze meses, e eles mesmos reconhecem que os profetas disseram muitas coisas por meio de parábolas e alegorias e não no sentido literal das palavras.

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