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[1] Refutados os valentinianos, refutada está toda a multidão dos hereges. O que afirmamos contra o Pleroma e tudo o que está fora dele, serviu para demonstrar que o Pai de todas as coisas seria limitado e circunscrito por aquilo que está fora dele, se é que há alguma coisa fora dele, e que, portanto, seria necessário admitir muitos Pais, muitos Pleromas e muitos mundos criados nos quais uns começariam onde os outros acabam.

[2] E que todos fechados em si mesmos não investigariam sobre os outros com os quais não têm parte nem comunicações; que não haveria um Deus de todas as coisas e seria eliminado o nome de Onipotente. Tudo isso vale também contra os discípulos de Marcião, de Simão, de Menandro e, de modo geral, contra todos os que introduzem separação semelhante entre o mundo e o Pai.

[3] Outros dizem que o Pai de todas as coisas contém tudo, mas que o nosso mundo não é criação dele, e sim de alguma Potência ou de anjos que ignoravam o Pai, o qual estaria inscrito na imensidade do universo, como o centro no círculo ou a mancha no manto.

[4] Mostramos que não é verossímil que este mundo tenha sido feito por algum outro que não o Pai de todas as coisas. Tudo isso vale também contra os discípulos de Saturnino, de Basílides, de Carpócrates e de todos os outros gnósticos que dizem as mesmas coisas.

[5] O que dissemos acerca das emissões, dos Éões e da degradação e para mostrar a inconsistência da sua Mãe refuta também Basílides e todos os falsos gnósticos que dizem as mesmas coisas com outras palavras e, mais, demonstra que estes fazem do que está fora da verdade uma característica da sua doutrina.

[6] O que dissemos acerca dos números vale para todos os que alteram a verdade neste sentido. E, finalmente, o que foi dito sobre o Demiurgo, para provar que somente ele é Deus e Pai de todas as coisas, e tudo o que será dito nos livros seguintes, é contra todos os hereges que o digo.

[7] Poderás refutar os mais moderados e humanos deles e dissuadí-los de blasfemar o seu Criador, Autor, Nutrício e Senhor e de lhe atribuir a origem da degradação e da ignorância; mas afastarás para longe de ti os mais ferozes e intratáveis, para que não tenhas de suportar nunca mais o seu palavreado.

[8] Além disso, procurar-se-á convencer os discípulos de Carpócrates e de Simão e os que têm fama de operar prodígios de que o que fazem não é nem pelo poder de Deus, nem pela verdade, nem como benfeitores dos homens, mas com dano e erro, com truques mágicos e todas as fraudes, mais perniciosos do que úteis aos que, seduzidos, acreditam neles.

[9] Com efeito, não podem restituir a vista aos cegos nem o ouvido aos surdos, nem afugentar os demônios — a não ser os que são enviados por eles mesmos, se é que o podem fazer —, nem curar os enfermos, os coxos, os paralíticos ou doentes noutras partes do corpo, como acontece muitas vezes por causa de doença, nem de restituir a integridade dos membros a acidentados.

[10] Está tão longe deles o pensamento de ressuscitar os mortos — como o fez o Senhor e como o fizeram os apóstolos pela oração e como, em caso de necessidade, aconteceu mais de uma vez, toda a Igreja local pedindo fraternalmente com jejuns e orações, voltou o espírito do morto e foi concedida às orações dos santos a vida do homem — que nem o julgam possível: para eles a ressurreição dos mortos consiste no conhecimento do que eles chamam de verdade.

[11] Quando, junto a eles, é o erro, a sedução, a fantasia da mágica que são postos diante dos homens, na Igreja, ao contrário, agem, para o bem dos homens, a misericórdia, a piedade, a firmeza, a verdade, não somente sem remuneração e de graça, mas dando o que é nosso pela saúde dos homens e muitas vezes os doentes recebem de nós o que precisam e que não têm.

[12] Verdadeiramente, com este comportamento eles provam que estão totalmente alheios à natureza divina, à bondade de Deus e ao poder espiritual e que, ao contrário, estão repletos de todo tipo de fraude, de inspiração rebelde, de atividade diabólica e de fantasias idolátricas.

[13] São verdadeiramente os precursores daquele dragão que, com embustes semelhantes, arrastará com sua cauda um terço das estrelas e as fará cair sobre a terra, e os devemos evitar como evitamos aquele dragão, e quanto mais parecem operar prodígios, tanto mais nos devemos acautelar deles como de gente que recebeu espírito maior de iniqüidade.

[14] Por este motivo, se alguém prestar atenção à sua maneira de agir, verá que o seu comportamento é todo um com o dos demônios.

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