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[1] Pr. Tu, caríssimo, nos pediste que expuséssemos as doutrinas secretas — pelo menos é assim que eles pensam — dos discípulos de Valentim, e mostrássemos as divergências que há entre eles e os refutássemos.

[2] Por isso, começamos por Simão, pai de todos os hereges, denunciando as suas doutrinas e consequências e refutando-as uma por uma; mas se para a simples exposição foi suficiente um livro, foram necessários vários para a refutação: por este motivo te enviamos mais livros.

[3] O primeiro contém as teorias de cada um, os seus costumes e as características da sua conduta. No segundo, refutamos suas teorias perversas, desvendando-as e mostrando-as como realmente são.

[4] Neste terceiro livro aduziremos as provas tiradas das Escrituras para cumprir exatamente as tuas ordens, que até ultrapassei, para te fornecer argumentos oportunos para refutar completamente todos os que de qualquer forma ensinam a mentira.

[5] Assim a caridade divina, rica e sem ciúme, concede sempre mais do que pedimos. Lembra-te, portanto, do que dissemos nos primeiros dois livros e, acrescentando o que agora diremos, terás fartíssima argumentação contra todos os hereges e te oporás a eles com segura e determinada firmeza em favor da única fé, verdadeira e vivificante, que a Igreja recebeu dos apóstolos e comunica a seus filhos.

[6] Com efeito, o Senhor de todas as coisas deu aos seus apóstolos o poder de pregar o Evangelho e por meio deles nós conhecemos a verdade, isto é, o ensinamento do Filho de Deus. A eles o Senhor disse: “O que vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza, a mim despreza e a quem me enviou”.

[7] Não foi, portanto, por ninguém mais que tivemos conhecimento da economia da nossa salvação, mas somente por aqueles pelos quais nos chegou o Evangelho, que eles primeiro pregaram e, depois, pela vontade de Deus, transmitiram nas Escrituras, para que fosse para nós fundamento e coluna da nossa fé.

[8] Nem é lícito afirmar que eles pregaram sem antes possuir a gnose perfeita, como ousam dizer alguns que se gloriam de corrigir os apóstolos, porque, depois da ressurreição de nosso Senhor dos mortos, os apóstolos foram revestidos da força do alto, pela vinda do Espírito Santo, foram repletos de todos os dons e possuíram o conhecimento perfeito.

[9] Foi então que foram até as extremidades da terra anunciando a boa nova dos bens que Deus nos concede e a paz celeste para os homens: eles possuíam todos e cada um o Evangelho de Deus.

[10] Assim, Mateus publicou entre os judeus, na língua deles, o escrito dos Evangelhos, quando Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.

[11] Depois da morte deles, também Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, nos transmitiu por escrito o que Pedro anunciava.

[12] Por sua parte, Lucas, o companheiro de Paulo, punha num livro o Evangelho pregado por ele. E depois, João, o discípulo do Senhor, aquele que recostara a cabeça ao peito dele, também publicou o seu Evangelho, quando morava em Éfeso, na Ásia.

[13] Eles todos nos transmitiram que há um só Deus, Criador do céu e da terra, anunciado pela Lei e pelos profetas, e um só Cristo, Filho de Deus.

[14] E se alguém não acredita neles despreza os que tiveram parte com o Senhor, despreza ao mesmo tempo o próprio Senhor, como também despreza o Pai; e ele mesmo condena-se, ao resistir e opor-se à própria salvação.

[15] E é isto que fazem todos os hereges.

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