Aviso ao leitor
Este livro - 2 Enoque, também conhecido como Enoque Eslavo ou “Livro dos Segredos de Enoque” - é um escrito antigo atribuído a Enoque, preservado principalmente por meio de manuscritos medievais em eslavônico eclesiástico, com recensões (versões) longa e curta e transmissão textual complexa. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana nem no cânon ortodoxo padrão, sendo classificado academicamente como pseudepígrafo; por isso, sua presença nesta biblioteca tem finalidade histórica, textual e comparativa. A data de composição é debatida (há propostas que variam amplamente, e discussões acadêmicas sobre se o texto reflete um núcleo antigo ou uma redação posterior), o que recomenda leitura crítica e contextual.
ATENÇÃO
Este escrito conhecido como 2 Enoque deve ser lido com grande cautela, pois se trata de um texto apócrifo/pseudepígrafo, atribuído a Enoque, mas não reconhecido de forma ampla como escritura normativa pelas principais tradições cristãs. Além disso, sua transmissão textual é complexa e fragmentária, preservada sobretudo em tradição eslava, com discussões sobre sua forma original, datação, integridade e possíveis interpolações. O texto contém material de forte teor visionário, cosmológico, angelológico e especulativo, o que exige filtro rigoroso para que descrições simbólicas, desenvolvimentos teológicos e imagens do mundo invisível não sejam automaticamente recebidos como doutrina normativa. Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, literário e crítico, especialmente para compreensão do imaginário judaico-apocalíptico e de temas que circularam no ambiente antigo. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e forte senso crítico, distinguindo entre tradição antiga relevante, elaboração apocalíptica e aquilo que deve ser tomado como fundamento normativo da escritura.
[1] Eu vos juro, meus filhos; porém, não juro por juramento algum, nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outra criatura que Deus criou.
[2] O Senhor disse: Não há em mim juramento, nem injustiça, mas verdade.
[3] Se não houver verdade nos homens, que eles jurem por estas palavras: Sim, sim; ou então: Não, não.
[4] E eu vos juro, sim, sim, que não houve homem algum no ventre de sua mãe sem que, já antes disso, estivesse preparado para cada um um lugar para o repouso daquela alma, e fixada uma medida de quanto é determinado que o homem seja provado neste mundo.
[5] Sim, filhos, não vos enganeis, pois já foi previamente preparado um lugar para toda alma humana.

