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[1] Saudação, meu senhor e filho, digníssimo Orígenes, da parte de Africano.

[2] Em tua santa discussão com Agnomon, referiste-te àquela profecia de Daniel que é narrada a respeito de sua juventude.

[3] Naquele tempo, como convinha, eu a aceitei como genuína.

[4] Agora, porém, não consigo compreender como te escapou que esta parte do livro é espúria.

[5] Pois, na verdade, esta seção, embora à parte disso esteja elegantemente escrita, é claramente uma falsificação mais recente.

[6] Há muitas provas disso.

[7] Quando Susana é condenada à morte, o profeta é tomado pelo Espírito e clama que a sentença é injusta.

[8] Ora, em primeiro lugar, Daniel sempre profetiza de algum outro modo — por visões, por sonhos e pela aparição de um anjo —, nunca por inspiração profética dessa forma.

[9] Depois de clamar desse modo extraordinário, ele os desmascara por um expediente não menos incrível, ao qual nem mesmo Filístion, o dramaturgo, teria recorrido.

[10] Pois, não satisfeito em repreendê-los pelo Espírito, colocou-os em separado e perguntou a cada um, individualmente, onde a tinham visto cometendo adultério.

[11] E, quando um disse: “Debaixo de uma azinheira” (prinos), ele respondeu que o anjo o serraria ao meio (prisein); e, de modo semelhante, ameaçou o outro, que disse: “Debaixo de um lentisco” (schinos), com ser despedaçado (schisthenai).

[12] Ora, em grego, acontece que “azinheira” e “serrar ao meio”, bem como “despedaçar” e “lentisco”, soam de modo semelhante; mas, em hebraico, são coisas inteiramente distintas.

[13] Mas todos os livros da antiga escritura foram traduzidos do hebraico para o grego.

[14] Além disso, como poderia ser que aqueles que estavam cativos entre os caldeus, perdendo e ganhando no jogo, lançados insepultos pelas ruas, como fora profetizado a respeito do cativeiro anterior, com seus filhos arrancados deles para se tornarem eunucos, e suas filhas para se tornarem concubinas, como também fora profetizado, pudessem proferir sentença de morte, e justamente contra a esposa de seu rei Joaquim, a quem o rei dos babilônios havia feito consorte de seu trono?

[15] E, se não era esse Joaquim, mas algum outro dentre o povo comum, de onde teria um cativo tal mansão e um jardim tão espaçoso?

[16] Mas uma objeção ainda mais decisiva é que esta seção, juntamente com as outras duas ao final do livro, não se encontra no Daniel recebido entre os judeus.

[17] Acrescenta-se ainda que, entre os muitos profetas que vieram antes, não há um só que tenha citado outro palavra por palavra.

[18] Pois eles não tinham necessidade de mendigar palavras, já que as suas próprias eram verdadeiras.

[19] Este, porém, ao repreender um daqueles homens, cita as palavras do Senhor: “Não matarás o inocente e o justo.”

[20] De tudo isso concluo que esta seção é um acréscimo posterior.

[21] Além disso, o estilo é diferente.

[22] Eu desferi o golpe; dá-me tu o eco; responde e instrui-me.

[23] Saúda todos os meus mestres.

[24] Todos os eruditos te saúdam.

[25] De todo o coração, oro pela tua saúde e pela saúde dos que te cercam.

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