Aviso ao leitor
Este livro - Orígenes — “Comentário ao Evangelho de Mateus” - é apresentado aqui como literatura patrística e exegética (séc. III), produzida para explicar o Evangelho de Mateus e registrar como um intérprete cristão antigo lia o texto a partir de seu contexto linguístico, teológico e pastoral. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa. A obra também é conhecida por ter chegado até nós em transmissão textual complexa e parcialmente preservada (com perdas, fragmentos e dependência de tradições manuscritas antigas), além de refletir métodos de interpretação do período (incluindo leituras alegóricas) que nem sempre equivalem ao consenso posterior. Sua presença nesta biblioteca tem finalidade histórica, teológica e comparativa.
ATENÇÃO
Este escrito de Orígenes possui caráter exegético, teológico e interpretativo, desenvolvendo o Evangelho de Mateus por meio de leituras que combinam exposição do texto, aplicações espirituais e, em vários momentos, interpretações alegóricas e especulativas. Por isso, o comentário não deve ser lido como simples explicação literal da escritura, mas como fruto de um método exegético antigo que frequentemente amplia o texto para construir reflexões mais vastas. Sua preservação nesta biblioteca se dá por valor histórico, teológico e crítico, como testemunho de uma das formas mais influentes de interpretação cristã antiga. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e filtro rigoroso, distinguindo entre comentário contextual do autor, elaboração espiritual e intelectual, e aquilo que deve ser tomado como fundamento normativo da escritura.
[1] Acerca dos quatro Evangelhos, os únicos que são incontestados na Igreja de Deus debaixo do céu, aprendi pela tradição que o primeiro a ser escrito foi o Evangelho segundo Mateus, que outrora foi publicano e depois apóstolo de Jesus Cristo; e que ele o compôs na língua hebraica e o publicou para os convertidos vindos do judaísmo.[2] O segundo escrito foi o segundo Marcos, que o redigiu segundo a instrução de Pedro, o qual, em sua Epístola Geral, o reconheceu como filho, dizendo: A igreja que está em Babilônia, eleita juntamente convosco, vos saúda; e também Marcos, meu filho.[3] E o terceiro foi o segundo Lucas, o Evangelho recomendado por Paulo, que ele compôs para os convertidos dentre os gentios.[4] Por último de todos, o segundo João.

