Aviso ao leitor
Este livro - Descida de Cristo ao Inferno, também denominado Descida de Cristo ao Hades - é um escrito cristão apócrifo, geralmente transmitido como a segunda parte do Evangelho de Nicodemos/Atos de Pilatos, no qual se desenvolve narrativamente a vitória de Cristo sobre a morte, o aprisionamento de Satanás e a libertação dos justos do mundo dos mortos. Não integra o cânon bíblico das tradições protestante, católica romana ou ortodoxa. Sua condição extra-canônica, contudo, não deve ser confundida com a doutrina cristã da descida de Cristo aos mortos, recebida e interpretada de maneiras distintas por diversas tradições; o que não possui status canônico é esta narrativa ampliada e seus detalhes específicos.
ATENÇÃO
Este escrito conhecido como Descida de Cristo ao Inferno deve ser lido com grande cautela, pois geralmente circula no campo apócrifo como desenvolvimento ampliado da paixão, morte e triunfo de Cristo sobre a morte, e não foi recebido de forma ampla como escritura normativa pelas principais tradições cristãs. O texto possui forte caráter narrativo, dramático, teológico e simbólico, elaborando de modo imaginativo temas ligados ao mundo dos mortos, à vitória de Cristo, à libertação dos justos antigos e ao confronto com as potências do mal. Por isso, não deve ser lido como descrição literal e detalhada do além nem como base doutrinária autônoma, mas como testemunho de uma tradição antiga que buscou expandir, em chave devocional e teológica, o alcance da obra de Cristo. Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, literário e crítico, especialmente para compreender como o cristianismo antigo imaginou e narrou a vitória de Cristo sobre a morte fora do cânon. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e forte senso crítico, distinguindo entre elaboração apócrifa, simbolismo teológico e aquilo que deve ser tomado como fundamento normativo da escritura.
[1] Então, seguiu a caminho do paraíso, levando pela mão o primeiro pai, Adão. Ao chegar, entregou-o, assim como os demais justos, ao arcanjo Miguel. Quando entraram pela porta do paraíso, saíram ao encontro deles dois anciãos, aos quais os santos pais perguntaram: “Quem sois vós, que não experimentastes a morte nem descestes ao Inferno, mas viveis de corpo e alma no paraíso?” Um deles respondeu: “Eu sou Enoque, aquele que agradou ao Senhor e foi trazido para cá por Ele; e este é Elias, o tesbita. Ambos continuaremos vivendo até a consumação dos séculos. Então, seremos enviados por Deus para enfrentar o anticristo, seremos mortos por ele e ressuscitaremos no terceiro dia; depois, seremos arrebatados nas nuvens para o encontro com o Senhor.”

