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[1] Então os mestres Addas, Finees e Egias, três homens que vieram da Galileia para testemunhar que haviam visto Jesus ser arrebatado ao céu, levantaram-se em meio à multidão dos chefes dos judeus e disseram, na presença dos sacerdotes e levitas reunidos em conselho: “Senhores, quando íamos da Galileia ao Jordão, veio ao nosso encontro uma grande multidão de homens vestidos de branco, que haviam morrido já há algum tempo. Dentre eles, reconhecemos Karino e Lêucio. Quando se aproximaram de nós, beijamo-nos mutuamente, pois haviam sido nossos amigos, e lhes perguntamos: ‘Dizei-nos, irmãos e amigos, que são esta alma e este corpo? Quem são essas pessoas com quem caminhais? E como viveis no corpo, sendo que já faz tanto tempo que morrestes?’”

[2] Eles responderam desta maneira: “Ressuscitamos dos infernos com Cristo, e Ele nos tirou de entre os mortos. Sabei que, a partir de agora, estão destruídas as portas da morte e das trevas, e as almas dos santos foram retiradas dali e subiram ao céu com Cristo, nosso Senhor. O próprio Senhor ordenou-nos que, durante certo tempo, vagássemos pelas margens do Jordão e pelos montes, sem nos deixarmos ver e sem falarmos com ninguém, exceto com aqueles a quem Ele permitisse. Neste momento, não nos seria possível falar nem nos deixar ver por vós, se isso não nos tivesse sido permitido pelo Espírito Santo.”

[3] Diante dessas palavras, a multidão que assistia ao conselho ficou assustada, tomada de temor e tremor, e dizia: “Porventura será verdade aquilo que esses homens da Galileia testemunham?” Então Anás e Caifás dirigiram-se ao conselho nestes termos: “Imediatamente se descobrirá a verdade a respeito de todas essas coisas sobre as quais eles deram testemunho, tanto antes como agora. Se for comprovado que Karino e Lêucio permanecem vivos em seus corpos, e se nos for permitido vê-los com nossos próprios olhos, então será verdade tudo aquilo que eles testemunham em seus detalhes; e, quando os encontrarmos, certamente nos informarão de tudo. Caso contrário, porém, sabei que tudo isso não passa de uma farsa.”

[4] Puseram-se, então, a deliberar e concordaram em escolher alguns homens dignos e tementes a Deus, os quais sabiam que eles haviam morrido e conheciam a sepultura na qual haviam sido colocados, para que realizassem uma investigação diligente e comprovassem se tudo era verdadeiramente como haviam dito. Foram, pois, até lá quinze homens que haviam presenciado a morte deles, estado pessoalmente no lugar do sepultamento e visto seus sepulcros. Eles os examinaram e os encontraram abertos, assim como muitos outros, mas não puderam encontrar qualquer vestígio de seus ossos ou de suas cinzas. Então voltaram profundamente admirados e relataram tudo aquilo que haviam visto.

[5] Toda a sinagoga ficou perturbada e cheia de terrível angústia, e diziam uns aos outros: “Que haveremos de fazer?” Anás e Caifás disseram: “Dirijamo-nos ao lugar onde eles estão e enviemos até eles homens nobres, que intercedam e lhes supliquem que se dignem vir até nós.” Enviaram, então, Nicodemos, José e os três mestres galileus que os haviam visto, pedindo-lhes que fizessem a gentileza de comparecer diante deles. Eles partiram e percorreram todos os arredores do Jordão e dos montes. Contudo, como não os encontraram, já estavam tomando o caminho de volta.

[6] De repente, avistaram uma grande multidão, composta de cerca de doze mil homens que haviam ressuscitado com o Senhor e desciam do monte Amaleque. Reconheceram muitos deles, mas não foram capazes de lhes dirigir uma só palavra, por causa do temor provocado por aquela visão angélica. Contentaram-se em observá-los de longe e em ouvi-los cantar hinos, dizendo: “O Senhor ressuscitou dentre os mortos, como havia dito. Alegremo-nos e regozijemo-nos todos, porque Ele reina eternamente.” Então aqueles que haviam ido procurá-los ficaram mudos de admiração e receberam deles a orientação de que fossem procurar Karino e Lêucio em suas próprias casas.

[7] Levantaram-se, então, e foram procurá-los em suas casas, onde os encontraram entregues à oração. Ao entrarem no lugar em que estavam, caíram com o rosto por terra. Depois de se cumprimentarem, levantaram-se e disseram: “Amigos de Deus, ao ouvirmos que havíeis ressuscitado dentre os mortos, a assembleia dos judeus enviou-nos até vós para pedir-vos encarecidamente que vos dirijais a eles, a fim de que possamos conhecer juntos as maravilhas divinas que aconteceram entre nós em nossos dias.” Karino e Lêucio levantaram-se imediatamente, movidos pela inspiração divina, e, acompanhados por eles, entraram na sinagoga. A assembleia dos judeus e os sacerdotes colocaram em suas mãos os livros da Lei e os conjuraram pelo Deus Eloí, pelo Deus Adonai, pela Lei e pelos Profetas, dizendo: “Dizei-nos como ressuscitastes dentre os mortos e que maravilhas são essas que aconteceram em nossos dias, maravilhas das quais jamais ouvimos falar em qualquer outro tempo. Sabei que o pavor e a estupefação penetraram nossos ossos, e a terra se moveu debaixo de nossos pés, porque unimos nossas vontades para derramar sangue justo e santo.”

[8] Karino e Lêucio fizeram-lhes sinais com as mãos, pedindo que lhes dessem rolos de papel e tinta. Assim fizeram, porque o Espírito Santo não lhes permitia falar com eles. Deram a cada um deles papel e os colocaram separadamente em salas diferentes. Então, depois de fazerem o sinal da cruz com os dedos, começaram, cada um, a escrever em seu próprio rolo. Quando terminaram, exclamaram simultaneamente, de suas respectivas salas: “Amém.” Em seguida, Karino levantou-se e entregou seu escrito a Anás, enquanto Lêucio fez o mesmo com Caifás. Depois de se despedirem, saíram e retornaram aos seus sepulcros.

[9] Então Anás e Caifás abriram, cada um, o seu volume e começaram a lê-los secretamente. O povo, porém, sentindo-se ofendido, exclamou em uníssono: “Lede esses escritos em voz alta! Depois, nós os conservaremos, para que a verdade divina não seja adulterada por indivíduos impuros e ardilosos, movidos pela obsessão.” Então Anás e Caifás, cheios de tremor, entregaram os rolos ao mestre Addas, ao mestre Finees e ao mestre Egias, que haviam vindo da Galileia trazendo a notícia de que Jesus havia sido elevado ao céu. Todo o povo confiou neles para que lessem os escritos. E eles leram o documento, que continha o seguinte:

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