[1] É preciso, portanto, que examinemos com grande atenção a situação presente, para procurar aquilo que pode nos salvar. Fujamos, pois, radicalmente de todas as obras iníquas, para que as obras iníquas jamais se apoderem de nós.
[2] Odiemos o erro do mundo presente, para que sejamos amados no mundo futuro. Não demos à nossa alma tal liberdade, de modo que ela tenha poder de correr com os maus e pecadores, a fim de que não nos tornemos semelhantes a eles.
[3] O máximo do escândalo se aproxima, conforme está escrito, como diz Enoque. Com efeito, é por isso que o Senhor abreviou os tempos e os dias, a fim de que seu Amado chegue mais depressa à herança.
[4] Assim diz o profeta: “Dez reis reinarão sobre a terra e, depois disso, surgirá um pequeno rei, que humilhará três reis de uma só vez.”
[5] Sobre isso, Daniel diz algo semelhante: “Vi a quarta besta, maligna, forte e mais terrível do que todas as bestas do mar. Dela brotaram dez chifres, e desses saiu um pequeno chifre, como broto. Este, de uma só vez, humilhou três dos chifres grandes.”
[6] Deveis, portanto, compreender. Além disso, peço-vos insistentemente, eu que sou um de vós e vos amo a todos, e a cada um em particular, mais do que a mim mesmo: tomai cuidado para não ficardes como certas pessoas que acumulam pecados, dizendo que a Aliança está garantida para nós.
[7] Claro que ela é nossa. Eles a perderam definitivamente, embora Moisés já a tivesse recebido. De fato, a Escritura diz: “Moisés jejuou na montanha durante quarenta dias e quarenta noites, e depois recebeu do Senhor a Aliança, as tábuas de pedra escritas pelo dedo da mão do Senhor.”
[8] Eles, porém, a perderam, porque se voltaram para os ídolos. Com efeito, assim disse o Senhor: “Moisés, Moisés, desce depressa, pois teu povo pecou, aqueles que fizeste sair da terra do Egito.”
[9] Moisés compreendeu e lançou de suas mãos as duas tábuas. A Aliança deles foi rompida, para que a de Jesus, o Amado, fosse selada em nossos corações pela esperança da fé que nele temos.
[10] Querendo escrever muitas coisas, não como mestre, mas como convém a quem ama, e não deixando perder nada do que possuímos, apliquei-me a escrever, como vosso humilde servidor.
[11] Estejamos atentos nestes últimos dias. Nada nos aproveitará todo o tempo de nossa vida e de nossa fé, se agora, neste tempo de impiedade e na iminência dos escândalos, não resistirmos como convém a filhos de Deus.
[12] Para que o Tenebroso não se infiltre em nós às escondidas, fujamos de toda vaidade e odiemos completamente as obras do mau caminho.
[13] Não vos isoleis, dobrando-vos sobre vós mesmos, como se já estivésseis justificados; mas reuni-vos, para procurar juntos o vosso bem comum. De fato, a Escritura diz: “Ai daqueles que se creem inteligentes e que são sábios diante de si mesmos!”
[14] Tornemo-nos espirituais, tornemo-nos um templo perfeito para Deus. Quanto nos for possível, apliquemo-nos ao temor de Deus e combatamos para observar seus mandamentos, a fim de nos alegrarmos em suas disposições.
[15] O Senhor julgará o mundo com imparcialidade; cada um receberá segundo o que fez. Se for bom, sua justiça o precederá; se for mau, diante dele irá o salário do mal.
[16] Tomemos cuidado para não ficarmos tranquilos como chamados, adormecendo sobre nossos pecados, de modo que o príncipe do mal se apodere de nós e nos afaste do reino do Senhor.
[17] Meus irmãos, compreendei ainda o seguinte: quando vedes que, depois de tantos sinais e prodígios acontecidos em Israel, ainda assim eles foram abandonados, tomemos cuidado, como está escrito, para que não sejamos encontrados entre os “muitos chamados”, mas não entre os “poucos escolhidos”.

