Aviso ao leitor
Este livro - Lactâncio — “Fragmentos” - reúne trechos preservados de obras hoje perdidas, incompletas ou transmitidas de forma indireta (por citações, compilações e tradições manuscritas posteriores), o que pode implicar lacunas, perda de contexto original e variações editoriais — e, em casos específicos, discussão sobre a atribuição de certos excertos ao autor. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa. Sua presença nesta biblioteca tem finalidade histórica, teológica e comparativa.
[1] O temor, o amor, a alegria, a tristeza, a paixão, o desejo ardente, a ira, a compaixão, a emulação e a admiração — esses movimentos ou afeições da mente existem desde o princípio da criação do homem pelo Senhor; e foram introduzidos de modo útil e vantajoso na natureza humana, para que o homem, governando a si mesmo por meio deles com método e em conformidade com a razão, possa, agindo varonilmente, exercer aquelas boas qualidades por meio das quais teria justamente merecido receber do Senhor a vida eterna.[2] Pois essas afeições da mente, quando contidas dentro de seus devidos limites, isto é, quando são corretamente empregadas, produzem no presente boas qualidades e, no futuro, recompensas eternas.[3] Mas, quando avançam além de seus limites, isto é, quando se desviam para um caminho mau, então surgem os vícios e as iniquidades, e produzem castigos eternos.[4] Ainda dentro de nossa memória, Lactâncio também fala de metros — o pentâmetro, diz ele, e o tetrâmetro.[5] Firmiano, escrevendo a Probo acerca dos metros das comédias, assim fala: Quanto à questão que propuseste a respeito dos metros das comédias, eu também sei que muitos são de opinião que as peças de Terêncio, em particular, não possuem o metro da comédia grega — isto é, o de Menandro, Filemon e Dífilo, que consistem em versos trímetros.[6] Pois nossos antigos escritores de comédias, na modulação de suas peças, preferiram seguir Êupolis, Cratino e Aristófanes, como já foi dito antes.[7] Que há medida — isto é, metro — nas peças de Terêncio e Plauto, e também nas dos demais escritores cômicos e trágicos, declarem-no estes: Cícero, Escauro e Firmiano.[8] Traremos à frente os pareceres de nosso Lactâncio, os quais ele expressou em palavras em seu terceiro volume a Probo sobre este assunto.[9] Os gauleses, diz ele, foram desde tempos antigos chamados gálatas, por causa da brancura de seu corpo; e assim a Sibila os denomina.[10] E isto é o que o poeta quis significar quando disse —[11] Colares de ouro adornam seus pescoços brancos como leite,[12] quando ele poderia ter usado apenas a palavra brancos.[13] É claro que, por causa disso, a província foi chamada Galácia, na qual, ao chegarem, os gauleses se uniram aos gregos; em razão dessa circunstância, aquela região foi chamada Galo-Grécia e, depois, Galácia.[14] E não é de admirar se ele disse isso a respeito dos gálatas, e relatou que um povo do Ocidente, tendo atravessado tão grande distância pelo meio da terra, estabeleceu-se numa região do Oriente.

