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[1] Mas, como era facilmente percebido ser injusto compelir homens livres, contra a própria vontade, a oferecer sacrifício (pois até mesmo em outros atos de serviço religioso se requer uma disposição voluntária), deve ser considerado realmente absurdo que um homem constranja outro a prestar honra aos deuses, quando cada um deveria sempre, de modo espontâneo e por consciência de sua própria necessidade, buscar-lhes o favor; de outro modo, na liberdade que é seu direito, poderia prontamente dizer: “Não quero favor algum de Júpiter; e quem é você, afinal?”

[2] Que Jano me encare com indignação, com qualquer de seus rostos que queira; que tenho eu a ver com isso?

[3] Sem dúvida, fostes levados por esses mesmos espíritos malignos a compelir-nos a oferecer sacrifício pelo bem-estar do imperador; e estais na necessidade de usar força, assim como nós estamos na obrigação de enfrentar os perigos disso.

[4] Chegamos, então, à segunda base da acusação: a de que somos culpados de traição contra uma majestade mais augusta; pois vós rendeis homenagem a César com temor maior e reverência mais intensa do que ao próprio Jove Olímpico.

[5] E isso, se o soubésseis, com razão suficiente.

[6] Pois não é qualquer homem vivo melhor do que um morto, seja ele quem for?

[7] Mas isso não é feito por vós por outra razão senão por consideração a um poder cuja presença percebeis vivamente; de modo que, também nisso, sois convictos de impiedade para com vossos deuses, visto que demonstráis maior reverência a uma soberania humana do que a eles.

[8] Além disso, entre vós, as pessoas juram falso muito mais facilmente em nome de todos os deuses do que em nome do único gênio de César.

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