[1] Sim, e ninguém considera qual é a perda para o bem comum — uma perda tão grande quanto real; ninguém calcula o dano causado ao Estado quando homens virtuosos como nós são mortos em tão grande número, quando tantos dos verdadeiramente bons sofrem a pena extrema.
[2] E aqui chamamos os próprios atos de vocês como testemunha, vocês que diariamente presidis aos julgamentos de prisioneiros e proferis sentenças sobre crimes.
[3] Pois bem, em vossas longas listas de acusados por muitas e variadas atrocidades, acaso aparece o nome de algum assassino, de algum batedor de bolsas, de algum homem culpado de sacrilégio, de sedução, ou de furtar as roupas dos banhistas, registrado também como cristão?
[4] Ou, quando cristãos são levados diante de vocês unicamente por causa do nome que carregam, alguma vez se encontra entre eles um malfeitor desse tipo?
[5] São sempre os vossos que fazem fumegar a prisão, que fazem gemer as minas, que alimentam as feras.
[6] É de entre vocês que os promotores de espetáculos de gladiadores sempre obtêm seus rebanhos de criminosos para engordar para a ocasião.
[7] Ali vocês não encontram cristão algum, senão simplesmente por ser cristão; e, se algum estiver ali por outra razão, já não é mais cristão.

