[1] Para que não fiquemos tão distantes dos ouvidos de Deus quanto estamos distantes de seus preceitos, a lembrança de seus preceitos abre para nossas orações um caminho até o céu.
[2] E, entre esses preceitos, o principal é este: que não subamos ao altar de Deus antes de resolvermos toda discórdia ou ofensa que tenhamos contraído com nossos irmãos.
[3] Pois que espécie de ato é aproximar-se da paz de Deus sem estar em paz?
[4] Como pedir remissão de dívidas, enquanto tu mesmo as conservas?
[5] Como apaziguará seu Pai aquele que está irado contra seu irmão, se desde o princípio toda ira nos foi proibida?
[6] Pois até José, ao despedir seus irmãos para que fossem buscar seu pai, disse: “Não vos ireis pelo caminho.”
[7] Sem dúvida, ele já nos advertia naquele tempo, pois em outro lugar nossa doutrina é chamada “o Caminho”, para que, estando postos no caminho da oração, não nos aproximemos do Pai com ira.
[8] Depois disso, o Senhor, ampliando a Lei, acrescenta abertamente à proibição do homicídio também a proibição da ira contra um irmão.
[9] Ele não permite sequer que ela se manifeste por meio de uma palavra má.
[10] E, ainda que devamos irar-nos, nossa ira não deve ser mantida além do pôr do sol, como admoesta o apóstolo.
[11] Mas quão temerário é passar um dia sem oração, recusando-te a fazer reparação a teu irmão;
[12] ou então, por perseverares na ira, perderes a tua oração?

