[1] Mas aqueles cujo ofício é administrar o batismo sabem que ele não deve ser ministrado de modo precipitado.
[2] “Dá a todo aquele que te pede” tem um sentido próprio, referente especialmente à esmola.
[3] Ao contrário, este preceito deve ser considerado com cautela: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis vossas pérolas aos porcos”; e também: “A ninguém imponhas as mãos precipitadamente; não te tornes participante dos pecados alheios.”
[4] Se Filipe batizou com tanta prontidão o eunuco, convém lembrarmos que houve antes uma prova manifesta e evidente de que o Senhor o tinha por digno.
[5] O Espírito ordenara a Filipe que seguisse por aquela estrada.
[6] O próprio eunuco também não estava ocioso, nem como alguém tomado subitamente por um desejo impetuoso de ser batizado.
[7] Antes, tendo subido ao templo para orar, e estando atentamente ocupado com a Escritura divina, foi assim encontrado em momento oportuno.
[8] A esse homem Deus, sem que ele pedisse, enviara um apóstolo; e, por sua vez, o Espírito ordenou a este que se aproximasse do carro do eunuco.
[9] A Escritura que ele lia vinha oportunamente ao encontro de sua fé.
[10] Filipe, sendo convidado, senta-se ao seu lado.
[11] O Senhor lhe é anunciado.
[12] A fé não demora.
[13] A água não precisa esperar.
[14] A obra se completa, e o apóstolo é arrebatado dali.
[15] Também Paulo, de fato, foi batizado “sem demora”.
[16] Pois Simão, seu hospedeiro, logo reconheceu nele um vaso de eleição designado.
[17] A aprovação de Deus envia antes sinais seguros e antecipados.
[18] Todo pedido tanto pode enganar como ser enganado.
[19] Portanto, conforme as circunstâncias, a disposição e até a idade de cada pessoa, o adiamento do batismo é preferível.
[20] Isso vale, porém, principalmente no caso das crianças pequenas.
[21] Pois por que seria necessário — se o próprio batismo não é tão necessário assim — que também os padrinhos fossem lançados em perigo?
[22] Eles mesmos, por causa da mortalidade, podem deixar de cumprir suas promessas.
[23] E podem ainda ser frustrados pelo desenvolvimento de uma má inclinação naqueles por quem responderam.
[24] O Senhor certamente diz: “Não as impeçais de vir a mim.”
[25] Venham, então, quando estiverem crescendo.
[26] Venham quando estiverem aprendendo.
[27] Venham enquanto aprendem para onde devem vir.
[28] Tornem-se cristãos quando se tornarem capazes de conhecer a Cristo.
[29] Por que a idade inocente da vida se apressa para a remissão dos pecados?
[30] Nas questões do mundo, exerce-se maior cautela.
[31] Assim, alguém a quem não se confia um bem terreno é, contudo, confiado com algo divino!
[32] Que aprendam a pedir a salvação, para que ao menos pareça que a deste àquele que a pediu.
[33] Não é por motivo menor que também os não casados devem ser adiados.
[34] Neles, com efeito, o terreno da tentação está preparado, tanto nos que nunca se casaram, por causa da maturidade, como nos viúvos, por causa da liberdade em que se encontram.
[35] Devem esperar até que ou se casem, ou então se fortaleçam mais plenamente para a continência.
[36] Se alguém compreender a importância grave do batismo, temerá mais recebê-lo indignamente do que adiá-lo.
[37] A fé sã está segura da salvação.

