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[1] Argumento 6 — Os argumentos de Erasmo devem significar que a vontade do homem é completamente livre.

[2] Há uma contradição básica em seu argumento. Por um lado, você diz que as palavras de Síracides (Eclesiásticos) 15.14-17 “Se queres, guardarás os mandamentos…” significam que o homem pode livremente escolher. Mas você também diz que o primeiro dos três possíveis pontos de vista é provavelmente verdadeiro. No entanto, esse ponto de vista afirma que o “livre-arbítrio” não pode fazer bem algum. Você não pode manter essas duas posições!

[3] Ora, o livro de Síracides (Eclesiásticos) não diz “Se queres, e tentares, guardarás os mandamentos”, diz: “Se queres, guardarás os mandamentos”. Por conseguinte, se o livro de Síracides (Eclesiásticos) favorece o “livre-arbítrio”, em algum sentido, deve estar em pauta uma liberdade total, não apenas parcial.

[4] Essa foi a conclusão a que chegaram os pelagianos acerca dessas palavras.

[5] Qualquer um que deseje discordar dos pelagianos enfrentará um grande problema. Tal pessoa talvez queira apenas conceber um “livre-arbítrio” parcial, a exemplo do que você faz, o que significa que um homem é livre meramente para desejar e tentar obedecer a Deus.

[6] Os pelagianos retrucariam dizendo que essa passagem ensina um completo “livre-arbítrio” ou uma completa servidão da vontade. E levariam esse argumento ainda mais adiante, para o trecho que diz: “Se queres, guardarás os mandamentos, e farás fielmente a sua vontade”.

[7] Como resultado disso, os pelagianos ensinavam que o homem é livre para crer.

[8] Não obstante, na Bíblia, Paulo enfaticamente argumenta contra tal ideia, ao dizer que a fé é um dom especial conferido por Deus (Ef 2.8).

[9] Contudo, cumpre-me retornar ao meu argumento de que o livro de Síracides (Eclesiásticos) não prega o “livre-arbítrio”.

[10] Constitui um grande erro argumentar que as palavras “Se queres, guardarás os mandamentos” devem significar “portanto, tu podes”.

[11] O primeiro homem, Adão, era assistido pela graça de Deus e, no entanto, desobedeceu.

[12] Se Adão desobedeceu, o que podemos nós fazer, antes de havermos recebido qualquer graça divina?

[13] O “livre-arbítrio” é completamente impotente.

[14] Se pusermos a situação de Adão ao lado do trecho de Síracides (Eclesiásticos) 15.14-17, você verá que esse trecho, longe de manifestar-se em favor do “livre-arbítrio”, é fortíssimo argumento contra tal ideia.

[15] Essa passagem, pelo contrário, ensina o nosso dever de cumprir a vontade de Deus e não a nossa capacidade de obedecer a Deus.

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