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[1] Argumento 12 — O homem não deve intrometer-se na vontade secreta de Deus.

[2] Agora chegamos aos seus textos “comprobatórios” do Novo Testamento. Você destaca o texto de Mateus 23.37: “Jerusalém! Jerusalém!… quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!”

[3] Você argumenta que, se tudo acontece precisamente conforme Deus deseja, então Jerusalém poderia replicar com justa causa: “Por que desperdiças as tuas lágrimas? Se não tinhas a intenção que déssemos ouvidos aos profetas, então por que os enviaste? Por que nos consideras responsáveis, quando Tu decidiste aquilo que deveríamos fazer?”

[4] Porém, conforme eu já disse, não nos compete intrometermo-nos na vontade secreta de Deus, pois as coisas secretas de Deus estão inteiramente fora do nosso alcance (1 Tm 6.16).

[5] Devemos dedicar o nosso tempo considerando o Deus encarnado, o Senhor Jesus Cristo, em quem Deus tornou claro para nós o que deveríamos e o que não deveríamos saber (Cl 2.3).

[6] É verdade que o Deus que se tornou carne exclamou: “Quantas vezes quis eu… e vós não o quisestes!”

[7] Cristo veio a este mundo a fim de realizar, sofrer e oferecer a todos os homens tudo quanto é necessário à sua salvação. Mas alguns homens, endurecidos por causa da vontade secreta do Senhor, rejeitam-nO (Jo 1.5,11).

[8] O mesmo Deus encarnado, entretanto, chora e lamenta-se em face da destruição eterna dos ímpios, ainda que, em sua divina vontade, propositalmente Ele os tenha deixado perecer.

[9] Não nos cabe perguntar por quê, mas antes, nos prostrarmos admirados diante de Deus.

[10] Neste instante alguns dirão que logo que sou empurrado para um canto, evito enfrentar frontalmente a questão, dizendo que não devemos nos intrometer na vontade secreta de Deus.

[11] Entretanto, isso não é invenção minha. Foi dessa maneira que Paulo argumentou em Romanos 9.19,21; e Isaías antes de Paulo (Is 58.2).

[12] É evidente que não devemos procurar sondar a vontade secreta de Deus, sobretudo quando observamos que são justamente os ímpios que são fortemente tentados a fazê-lo.

[13] Nós devemos adverti-los a ficar calados e reverentes. Se alguém quiser levar avante essa forma de inquirição, é bem-vindo a fazê-lo; porém, descobrir-se-á lutando contra Deus. Quanto a nós — ficaremos observando para ver quem vencerá!

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