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[1] II. O meio da entrega voluntariosa de Deus é seu grande amor.

[2] Além disso, Deus dá de uma maneira que, tal como sua divina majestade, vai além de toda medida.

[3] O que Ele nos dá, não o dá como recompensa de nossa dignidade, ou por ignorância de nossa indignidade, mas sim de puro amor; Ele “amou ao mundo”.

[4] Deus, como doador, realmente assim o É de todo coração, e é impulsionado por Seu amor divino, que não está condicionado por nenhum mérito da parte dos homens.

[5] Não existe nem em Deus nem nos homens uma virtude mais excelsa do que o amor.

[6] Pois por aquilo que se ama, se empenha tudo, corpo e vida.

[7] Certamente, a paciência, a castidade, a justiça também são virtudes muito apreciáveis — no entanto, parecem pouca coisa comparadas com a virtude do amor, que é a suma de todas as demais.

[8] O que possui a virtude da justiça dá a cada um o prêmio e a recompensa que por seus méritos lhes corresponde.

[9] Mas aquele a quem amo, a esse me entrego totalmente: para tudo o que se necessite, me achego disposto.

[10] Assim, quando o Senhor nosso Deus nos dá algo, o dá não somente por causa de sua paciência, não somente por ser o administrador da justiça, mas sim por razão dessa virtude suprema que é o amor.

[11] Isso deve despertar nos corações humanos uma nova vida, tirar do meio deles toda tristeza e atrair todos os olhares até o amor abismal que habita no coração de Deus — Ele, o doador máximo, doa impulsionado pela mais elevada virtude, e essa virtude confere à dádiva seu caráter tão precioso como dom que provém do amor.

[12] Quando nesse dom intervém o coração, se pode dizer: “quanto aprecio esse presente, porque vejo que é de coração!”

[13] Não é tanto o presente em si que tomamos em conta, mas sim o afeto com que foi feito, o “coração”: isso é o que dá seu verdadeiro valor.

[14] Se Deus me houvesse dado um só olho, um só pé, uma mão apenas, e se eu soubesse que isso Ele o fez por amor divino e paternal, eu deveria dizer: “esse olho me é mais precioso do que mil olhos.”

[15] Assim mesmo, se tomas consciência de que Deus lhe obsequiou o batismo, você deve sentir-se todos os dias como se já estivesse no reino dos céus — pois não é tanto o grande prestígio do batismo o que nos comove, mas sim o grande amor que Deus nos demonstra com ele.

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