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[1] O nono e décimo mandamento:
“Não cobiçarás a casa de teu próximo, nem sua mulher”, etc.

[2] Isso nos ensina, em primeiro lugar, como não devemos, com a aparência de legitimidade, aliciar, tirar ou extorquir os bens do nosso próximo e o que é seu, mas ajudar a que ele o possa conservar, como nós mesmos gostaríamos de que acontecesse conosco.

[3] E isso é também uma proteção contra as espertezas e tramóias dos ladinos, que afinal de contas também receberão seu castigo.

[4] Por outro lado, devemos ser gratos por isso.

[5] E, em terceiro lugar, confessar nosso pecado com arrependimento e contrição;

[6] em quarto lugar, rogamos por auxílio e fortalecimento para nos tornarmos retos e cumprirmos esse mandamento de Deus.

[7] Estes são os Dez Mandamentos tratados de quatro modos: como livrinho de ensinamento, como livrinho de louvor,¹ como livrinho de confissão e como livrinho de oração.

[8] Com eles um coração deveria encontrar-se a si mesmo e aquecer-se para a oração. Mas olhe que não se proponha tudo ou demais, para que o espírito não se canse.

[9] Uma boa oração não deve ser longa, nem repetida muitas vezes.

[10] Deve ser frequente e calorosa; é suficiente que você consiga tratar um ponto ou mesmo metade, com que possa acender uma chama em seu coração.

[11] Bem, isto tem que ser dado pelo Espírito. Ele continuará a ensinar no coração, quando este assim estiver em sintonia com a palavra de Deus e liberto de afazeres e ideias estranhas.

[12] Acerca da fé ou da Sagrada Escritura nada se dirá aqui, porque isso se alongaria ao indefinido.

[13] Quem tem prática, pode muito bem tomar os dez mandamentos num dia, noutro dia um salmo ou um capítulo da Escritura, para com esse isqueiro acender uma chama em seu coração.

[14] [Edições ampliadas apresentam, em lugar dos dois últimos parágrafos, o seguinte:]²

[15] Quem agora ainda tem tempo ou disposição, pode proceder da mesma forma com o credo, fazendo dele uma coroa torcida quatro vezes.

[16] O credo, por sua vez, tem três partes principais ou artigos, consoantes às três pessoas da majestade divina, como foram divididas antigamente e também estão no Catecismo.

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