Aviso ao leitor
Este livro - As Cartas de Cipriano / Epístolas - é apresentado aqui como correspondência patrística (séc. III), preservada por seu valor histórico, pastoral e disciplinar — registrando decisões, conflitos, orientações e desafios enfrentados pela Igreja de Cartago em contexto de perseguições, debates sobre penitência e unidade eclesial. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa. Sua presença nesta biblioteca tem finalidade histórica, formativa e comparativa, ajudando a compreender a prática cristã antiga e suas tensões reais.
[1] Cipriano aos presbíteros e diáconos, seus amados irmãos, saudações. Estando, pela graça de Deus, em segurança, caríssimos irmãos, eu vos saúdo, alegrando-me por ser informado da boa condição de todas as coisas também no que diz respeito à vossa segurança; e, como a situação do lugar não me permite agora estar convosco, rogo-vos, por vossa fé e vossa religião, que aí desempenheis tanto o vosso ofício quanto o meu, para que nada falte nem à disciplina nem ao zelo. Quanto aos recursos, além disso, para cobrir as despesas, seja com aqueles que, tendo confessado o seu Senhor com voz gloriosa, foram lançados na prisão, seja com aqueles que labutam em pobreza e necessidade e ainda permanecem firmes no Senhor, peço insistentemente que nada lhes falte, visto que toda a pequena quantia que aí foi recolhida foi distribuída entre o clero para casos desse tipo, a fim de que muitos tivessem meios com os quais pudessem socorrer as necessidades e os fardos de cada pessoa.[2] Peço também que não haja falta, de vossa parte, de sabedoria e prudência para preservar a paz. Pois, embora por afeto os irmãos estejam ansiosos por se aproximar e visitar aqueles bons confessores, sobre os quais a consideração divina já derramou brilho por seus gloriosos começos, ainda assim penso que esse zelo deve ser permitido com cautela, e não em multidões, nem com muitos reunidos de uma só vez, para que, por isso mesmo, não se desperte má vontade, e o acesso lhes seja negado, e assim, enquanto desejamos tudo de modo insaciável, percamos tudo. Deliberai, portanto, e vede que isso possa ser administrado com mais segurança e moderação, de tal modo que também os presbíteros, que ali oferecem com os confessores, se revezem um a um com os diáconos, cada qual por sua vez; porque, assim, mudando-se as pessoas e variando-se o povo que se reúne, a suspeita diminui. Pois, sendo mansos e humildes em todas as coisas, como convém aos servos de Deus, devemos acomodar-nos aos tempos, prover a tranquilidade e ter consideração pelo povo. Eu vos saúdo, irmãos amados e mui desejados, que estejais sempre bem de todo o coração; e tende-me em lembrança. Saudai toda a irmandade. O diácono Victor, e os que estão comigo, vos saúdam. Adeus!

