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[1] Moisés disse: “Não comereis porco, nem águia, nem gavião, nem corvo, nem peixe algum que não tenha escamas.” Porque ele tinha em mente três ensinamentos. Por fim, ele lhes diz no Deuteronômio: “Exporei a este povo as minhas decisões.” A proibição de comer não é, portanto, mandamento de Deus, pois Moisés falava simbolicamente.

[2] Eis o significado do que ele diz sobre o “porco”: não te ligarás a esses homens que se assemelham aos porcos; isto é, aqueles que, quando vivem na abundância, se esquecem do Senhor, mas, na necessidade, reconhecem o Senhor. Assim é o porco: enquanto está comendo, não conhece seu dono; mas, quando está com fome, grunhe e, depois de ter comido, volta a se calar.

[3] Ele diz: “Também não comerás a águia, nem o gavião, nem o milhafre, nem o corvo.” Isto é: não te ligarás, imitando-os, a esses homens que não sabem ganhar o alimento por meio do trabalho e do suor, mas que, em sua injustiça, arrebatam o bem alheio. Andam com ar inocente, mas espionam e observam a quem vão despojar por ambição. Eles são como essas aves, as únicas que não providenciam o alimento por si próprias, mas se empoleiram ociosamente, procurando ocasião de se alimentar da carne dos outros. São verdadeiros flagelos por sua crueldade.

[4] Ele continua: “Não comerás moreia, nem polvo, nem molusco.” Isto é: não te assemelharás, ligando-te a esses homens que são radicalmente ímpios e já estão condenados à morte. O mesmo acontece com esses peixes: são os únicos amaldiçoados, que nadam nas profundezas, sem subirem como os outros; permanecem no fundo da terra, habitando o abismo.

[5] Também: “Não comerás a lebre.” Por que razão? Isso quer dizer: não serás pederasta, nem imitarás aqueles que são assim. Porque a lebre, a cada ano, multiplica seu ânus. Ela tem tantos orifícios quanto o número de seus anos.

[6] Também: “Não comerás a hiena.” Isso quer dizer: não serás nem adúltero, nem homossexual, e não te assemelharás àqueles que são assim. Por que razão? Porque esse animal muda de sexo todos os anos e torna-se ora macho, ora fêmea.

[7] Ele odiou também “a doninha”. Muito bem! Não serás como aqueles que cometem, como se diz, iniquidade com a boca por depravação, nem te ligarás a esses depravados que cometem iniquidade com sua boca. De fato, esse mal se concebe pela boca.

[8] Moisés, tendo recebido tríplice ensinamento sobre os alimentos, usou linguagem simbólica. Eles, porém, o entenderam sobre os alimentos materiais, por causa do desejo carnal.

[9] Davi recebeu o conhecimento desse mesmo ensinamento tríplice. Ele fala de forma semelhante: “Feliz o homem que não vai ao conselho dos ímpios”, como os peixes que se movem nas trevas para o fundo; “e que não para no caminho dos pecadores”, como aqueles que aparentam temer ao Senhor, mas pecam como o porco; “e que não se assentou na cátedra da pestilência”, como as aves que se postam para a rapina. Aí tendes perfeitamente o que se refere à comida.

[10] Moisés, porém, disse: “Comei de todo animal que tem o casco fendido e que rumina.” O que ele quer dizer? Que tal animal, quando recebe a comida, conhece aquele que o alimenta e, quando repousa, parece alegrar-se com ele. Disse-o bem, considerando o mandamento.

[11] Que quer ele dizer? Vinculai-vos àqueles que temem o Senhor, que meditam no coração sobre o sentido exato da palavra que receberam, que ensinam e observam as decisões do Senhor, que sabem que a meditação é alegre exercício e que ruminam a palavra do Senhor.

[12] O que significa o “casco fendido”? É que o justo caminha neste mundo e espera o mundo santo. Vede como Moisés legislou bem! Mas, para eles, como é possível compreenderem ou entenderem essas coisas? Nós, tendo compreendido exatamente os mandamentos, os exprimimos como o Senhor desejou. Por isso, ele circuncidou nossos ouvidos e nossos corações, para compreendermos essas coisas.

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