[1] Eles exibem ovos diferentes da seguinte maneira.
[2] Perfurando a parte superior em ambas as extremidades.
[3] E extraindo a clara.
[4] Depois, mergulhando-os novamente, introduzem um pouco de mínio e alguma tinta de escrita.
[5] Fecham, porém, as aberturas com raspas finas do próprio ovo.
[6] E as untam com suco de figo.
[7] Quanto àqueles que fazem as ovelhas cortarem a própria cabeça, o seguinte método é adotado.
[8] Untando secretamente a garganta do animal com uma droga cauterizante, ele coloca uma espada perto e a deixa ali.
[9] A ovelha, desejando coçar-se, corre contra a lâmina.
[10] E, ao esfregar-se, é abatida.
[11] Enquanto a cabeça fica quase separada do tronco.
[12] Há, porém, uma composição dessa droga feita de briônia, sal e esquilas.
[13] Tudo preparado em partes iguais.
[14] Para que a pessoa que traz a droga não seja notada, ela carrega uma caixa com dois compartimentos construídos de chifre.
[15] O visível contém olíbano.
[16] Mas o compartimento secreto contém a droga mencionada.
[17] Ele também introduz mercúrio nos ouvidos da ovelha prestes a morrer.
[18] Mas isso é um veneno.
[19] E, se alguém untar as orelhas de bodes com cerato, dizem que pouco depois eles expiram, tendo a respiração obstruída.
[20] Pois esse, segundo afirmam, é o modo pelo qual respiram.
[21] E asseguram que um carneiro morre se alguém dobrar para trás o seu pescoço em direção contrária ao sol.
[22] E realizam o incêndio de uma casa, untando-a com o suco de um certo peixe chamado dáctilo.
[23] E esse efeito, que possui por causa da água do mar, é considerado muito útil.
[24] Também a espuma do mar é fervida em um vaso de barro juntamente com alguns ingredientes doces.
[25] E, se se aplicar uma vela acesa a isso enquanto está fervendo, a mistura pega fogo e é consumida.
[26] E, contudo, se for derramada sobre a cabeça, não a queima de modo algum.
[27] Se, porém, também a untarem com resina aquecida, ela é consumida muito mais eficazmente.
[28] Mas ele realiza seu objetivo melhor ainda se acrescentar também enxofre.
[29] O trovão é produzido de muitas maneiras.
[30] Pois pedras muito numerosas e extraordinariamente grandes, sendo roladas para baixo ao longo de tábuas de madeira, caem sobre placas de bronze.
[31] E produzem um som semelhante ao trovão.
[32] Também em torno da tábua fina com que os cardadores engrossam o pano, eles enrolam uma corda delgada.
[33] Depois, puxando a corda com um golpe rápido, fazem a tábua girar.
[34] E, em sua rotação, ela emite um som como trovão.
[35] Essas farsas, em verdade, são executadas assim.
[36] Há, porém, outras práticas que explicarei.
[37] E aqueles que executam essas performances ridículas as consideram grandes feitos.
[38] Colocando um caldeirão cheio de pez sobre brasas ardentes, quando ele entra em ebulição, ainda assim, pondo as mãos sobre ele, não se queimam.
[39] Mais ainda, andando com os pés descalços sobre carvões em brasa, não são chamuscados.
[40] Também, colocando uma pirâmide de pedra sobre um fogareiro, o feiticeiro faz com que ela pegue fogo.
[41] E pela boca ela expele grande quantidade de fumaça.
[42] E fumaça de natureza ígnea.
[43] Então também, pondo um pano de linho sobre um vaso de água, e ao mesmo tempo lançando sobre ele certa quantidade de brasas acesas, o mágico mantém o pano sem se consumir.
[44] Produzindo também trevas na casa, o feiticeiro alega que pode introduzir deuses ou demônios.
[45] E, se alguém lhe pede que mostre Esculápio, ele emprega uma invocação redigida nas seguintes palavras.
[46] “A criança uma vez morta, de novo por Febo feita imortal.”
[47] “Eu te chamo para vires e ajudares em meus ritos sacrificiais.”
[48] “Tu que outrora as incontáveis tribos dos mortos fugidios.”
[49] “Nas moradas sempre lamentadas do amplo Tártaro.”
[50] “Enfrentando a onda fatal e a escura inundação.”
[51] “Transpondo onde tudo o que é de barro mortal deve flutuar.”
[52] “Dilacerado, junto ao lago, com dor e aflição sem fim.”
[53] “Tu mesmo arrebatado da sombria Prosérpina.”
[54] “Ou quer habites a morada da santa Trácia, ou a bela.”
[55] “Pérgamo, ou junto à jônia Epidauro.”
[56] “O chefe dos videntes, ó Deus feliz, te convida aqui.”
[57] Mas, depois que ele cessa de pronunciar essas brincadeiras, um Esculápio ardente aparece sobre o chão.
[58] Então, colocando no meio um vaso cheio de água, ele invoca todas as divindades.
[59] E elas se fazem presentes.
[60] Pois qualquer pessoa ali presente, olhando para dentro do vaso, verá todas elas.
[61] E Diana conduzindo seus cães ladradores.
[62] Não nos esquivaremos, porém, de narrar o relato dos artifícios desses homens.
[63] Como tentam realizar sua prestidigitação.
[64] Pois o mágico põe a mão sobre o caldeirão de pez que parece estar em ebulição.
[65] E ao mesmo tempo lança dentro dele vinagre, nitro e pez úmido.
[66] E acende um fogo sob o caldeirão.
[67] O vinagre, porém, misturado ao nitro, ao receber pequeno acréscimo de calor, movimenta o pez.
[68] De modo que bolhas sobem à superfície.
[69] E oferecem mera aparência de ebulição.
[70] O feiticeiro, porém, previamente lava com frequência as mãos em salmoura.
[71] Sendo a consequência que o conteúdo do caldeirão, ainda que de fato fervente, não o queima muito.
[72] Mas, se tiver untado as mãos com uma tintura de mirto, nitro e mirra, juntamente com vinagre, e as lavar frequentemente em salmoura, ele não se queima.
[73] E não queima os pés, desde que os unte com ictiocola e salamandra.
[74] Quanto ao fato de a pirâmide arder como uma tocha, embora composta de pedra, a causa é a seguinte.
[75] Uma terra calcária é moldada em forma de pirâmide.
[76] Mas sua cor é a de uma pedra branco-leitosa.
[77] E é preparada da seguinte maneira.
[78] Tendo ungido o pedaço de barro com muito óleo, e colocado sobre carvões, e cozido, depois untando de novo, e chamuscando uma segunda e uma terceira vez, e repetidamente, o feiticeiro faz com que ela possa arder.
[79] Mesmo que ele a mergulhe em água.
[80] Pois ela contém em si abundância de óleo.
[81] O fogareiro, porém, acende-se espontaneamente enquanto o mágico derrama uma libação.
[82] Isso porque há, debaixo, tição ardendo em vez de cinzas.
[83] E olíbano refinado.
[84] E grande quantidade de estopa.
[85] E um feixe de pavios untados.
[86] E de nozes-de-galha, ocas por dentro e providas de fogo oculto.
[87] E depois de algum tempo, o feiticeiro faz a pirâmide soltar fumaça pela boca.
[88] Faz isso tanto colocando fogo na noz-de-galha quanto cercando-a com estopa.
[89] E soprando pela boca.
[90] O pano de linho, porém, que foi colocado em torno do caldeirão e sobre o qual ele deposita as brasas, não se queimaria por causa da salmoura que está por baixo.
[91] Além disso, ele próprio foi lavado em salmoura.
[92] E depois untado com clara de ovo, juntamente com alúmen úmido.
[93] E, se alguém também misturar a isso o suco de sempre-viva com vinagre, e por longo tempo antes o untar com essa preparação, depois de lavado nessa droga, ele permanece inteiramente à prova de fogo.
[94] Depois, tendo explicado sucintamente os poderes das artes secretas praticadas entre esses mágicos, e tendo mostrado quão fácil é o método deles para adquirir conhecimento, não queremos silenciar também sobre o seguinte ponto, que é necessário.
[95] Como, rompendo os selos, eles restauram as cartas seladas com os próprios selos intactos.
[96] Derretendo pez, resina, enxofre e, além disso, betume, em partes iguais, e formando com isso um unguento em figura apropriada, eles o conservam consigo.
[97] Quando, porém, chega o momento de soltar uma pequena tabuinha, untando primeiro a língua com óleo, e depois, com ela, untando o selo, e aquecendo a droga com fogo moderado, os feiticeiros a colocam sobre o selo.
[98] E a deixam ali até que adquira consistência completa.
[99] E, nessa condição, usam-na como selo.
[100] Mas dizem também que a própria cera com goma de abeto possui poder semelhante.
[101] Bem como duas partes de mástique com uma parte de betume seco.
[102] Mas o enxofre também, por si só, realiza o propósito razoavelmente bem.
[103] E o pó de gesso misturado com água e goma.
[104] Ora, esta última mistura é certamente excelente também para selar chumbo derretido.
[105] E aquilo que se consegue com cera toscana, borras de resina, pez, betume, mástique e pedra pulverizada, tudo fervido junto em partes iguais, é superior ao restante das drogas que mencionei.
[106] Enquanto o que se obtém com a goma não lhe é inferior.
[107] Desta maneira, então, também tentam soltar os selos.
[108] Esforçando-se para conhecer as cartas escritas no interior.
[109] Hesitei, porém, em narrar estes artifícios neste livro.
[110] Percebendo o perigo de que, porventura, alguma pessoa maliciosa, tomando ocasião de meu relato, tentasse praticar essas prestidigitações.
[111] O zelo, porém, por muitos jovens que poderiam ser preservados de tais práticas, persuadiu-me a ensinar e publicar essas coisas por questão de segurança.
[112] Pois, embora uma pessoa possa usar essas informações para aprender o mal, outro, sendo instruído nessas práticas, será preservado delas.
[113] E os próprios mágicos, corruptores da vida, se envergonharão ao exercer sua arte.
[114] E, aprendendo estes pontos que anteriormente elucidamos, talvez sejam refreados em sua loucura.
[115] Mas, para que este selo não seja quebrado, deixem-me selá-lo com banha de porco e cabelo misturados com cera.
[116] E também não me calarei a respeito daquele ato de velhacaria desses feiticeiros que consiste na adivinhação por meio do caldeirão.
[117] Pois, fazendo uma câmara fechada, e untando o teto com ciano para uso imediato, eles introduzem certos recipientes de ciano.
[118] E os estendem para cima.
[119] O caldeirão, porém, cheio de água, é colocado no meio, no chão.
[120] E o reflexo do ciano caindo sobre ele apresenta a aparência do céu.
[121] Mas o piso também possui uma abertura oculta sobre a qual o caldeirão é colocado.
[122] Tendo ele previamente um fundo de cristal, embora seja de pedra.
[123] Por baixo, porém, despercebido pelos espectadores, há um compartimento.
[124] Nele os cúmplices, reunidos, aparecem investidos com as figuras de tais deuses e demônios como o mágico deseja exibir.
[125] Ora, o enganado, contemplando essas coisas, fica espantado com a artimanha do mágico.
[126] E, depois disso, crê em tudo o que provavelmente lhe será dito.
[127] Mas o feiticeiro produz um demônio ardente, desenhando na parede a figura que quiser.
[128] E depois untando-a secretamente com uma droga misturada do seguinte modo, isto é, de betume lacônico e zacinthiano.
[129] Então, como se estivesse sob frenesi profético, move a lâmpada em direção à parede.
[130] A droga, porém, arde com grande esplendor.
[131] E faz parecer que uma Hécate ígnea corre pelo ar da seguinte maneira.
[132] Escondendo certo cúmplice no lugar que deseja.
[133] E levando seus enganados para um lado, persuade-os, afirmando que exibirá um demônio flamejante cavalgando pelos ares.
[134] Então os exorta imediatamente a manter os olhos fixos até verem a chama no ar.
[135] E que então, cobrindo-se, devem lançar-se com o rosto em terra até que ele mesmo os chame.
[136] E depois de lhes ter dado essas instruções, numa noite sem lua, ele pronuncia em versos o seguinte.
[137] “Bombo infernal, terrena e celeste, vem!”
[138] “Santa das encruzilhadas, brilhante vagante da noite.”
[139] “Inimiga da luz, mas amiga e companheira da escuridão.”
[140] “Alegrando-te no uivo dos cães e no sangue vermelho.”
[141] “Caminhando entre cadáveres, pelas tumbas do pó sem vida.”
[142] “Ofegante por sangue, convulsionando os homens de medo.”
[143] “Górgona, e Mormo, e Lua, e de muitas formas.”
[144] “Vem propícia aos nossos ritos sacrificiais!”
[145] E, enquanto pronuncia essas palavras, vê-se fogo levado pelo ar.
[146] Mas os espectadores, horrorizados com a estranha aparição, cobrindo os olhos, lançam-se mudos ao chão.
[147] O sucesso do artifício, porém, é aumentado pelo seguinte expediente.
[148] O cúmplice que mencionei como escondido, quando ouve cessar a encantação, segurando um milhafre ou um falcão envolto em estopa, põe-lhe fogo e o solta.
[149] A ave, porém, assustada com a chama, é levada ao alto.
[150] E faz um voo proporcionalmente mais rápido.
[151] E esses homens iludidos, vendo isso, escondem-se, como se tivessem presenciado algo divino.
[152] A criatura alada, porém, sendo arrastada pelo fogo, é levada para onde o acaso a conduz.
[153] E ora incendeia casas, ora pátios.
[154] Tal é a adivinhação dos feiticeiros.
[155] E fazem aparecer lua e estrelas no teto da seguinte maneira.
[156] Na parte central do teto, fixando um espelho.
[157] E colocando uma bacia cheia de água igualmente na parte central do chão.
[158] E também pondo em lugar central uma vela que emita fraca luz de posição mais alta que a bacia.
[159] Deste modo, por reflexão, o mágico faz a lua aparecer por meio do espelho.
[160] Mas, frequentemente, também suspendem do teto, a certa distância, um tambor.
[161] O qual, coberto por algum pano, é ocultado pelo cúmplice.
[162] Para que o corpo celeste não apareça antes do tempo conveniente.
[163] E depois, colocando uma vela dentro do tambor, quando o mágico dá o sinal ao cúmplice, este remove tanto da cobertura quanto baste para produzir uma imitação representando a figura da lua naquele momento particular.
[164] Ele unge, porém, as partes luminosas do tambor com mínio e goma.
[165] E, tendo cortado ao redor do gargalo e do fundo uma garrafa de vidro preparada por trás, põe uma vela nela.
[166] E coloca ao redor alguns dos artefatos necessários para fazer brilhar as figuras.
[167] Coisas que um dos cúmplices ocultou em cima.
[168] E, ao receber o sinal, ele lança esses artefatos de cima.
[169] Fazendo assim a lua parecer descer do céu.
[170] E o mesmo resultado é obtido por meio de um jarro em locais arborizados.
[171] Pois é por meio de um jarro que também se realizam os truques numa casa.
[172] Tendo levantado um altar, em seguida coloca-se sobre ele o jarro, contendo uma lâmpada acesa.
[173] Quando, porém, há maior número de lâmpadas, nenhuma tal visão é exibida.
[174] Então, depois de o encantador invocar a lua, ordena que todas as luzes sejam apagadas.
[175] Mas que uma seja deixada queimando fracamente.
[176] Então a luz, que sai do jarro, reflete-se no teto.
[177] E oferece aos presentes uma representação da lua.
[178] Mantendo-se coberta a boca do jarro durante o tempo que parecer necessário para que se mostre no teto a representação da lua cheia.

