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[1] Pois, quando Isaías lança denúncia contra os nossos próprios hereges, especialmente em seu “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas luz, e da luz, trevas” (Isaías 5:20), ele certamente aponta contra aqueles dentre vós que não preservam, nas palavras que empregam, a luz do seu verdadeiro significado; isto é, que não cuidam para que “alma” signifique apenas aquilo que assim é chamado, “carne” simplesmente aquilo que é confessado à nossa vista, e “Deus” não outro senão Aquele que é pregado.

[2] Tendo assim Marcião em vista profética, ele diz: “Eu sou Deus, e não há outro; além de mim não há Deus” (Isaías 45:5).

[3] E quando, em outra passagem, diz igualmente: “Antes de mim deus nenhum se formou” (cf. Isaías 43:10; 46:9, conforme a tradição citada), ele atinge aquelas genealogias inexplicáveis dos Éons valentianianos.

[4] Também há uma resposta a Ebion na Escritura: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1:13).

[5] Do mesmo modo, na passagem: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo do céu vos pregue outro evangelho além do que já vos temos pregado, seja anátema” (Gálatas 1:8), ele chama a atenção para a influência astuta de Filumena, a virgem companheira de Apeles.

[6] Certamente é anticristo aquele que nega que Cristo veio em carne (1 João 4:3).

[7] Ao declarar que a carne de Cristo é simples e absolutamente verdadeira, e deve ser entendida no sentido claro de sua própria natureza, a Escritura desfere golpe contra todos os que fazem distinções artificiais nela.

[8] Da mesma forma também, quando define que o próprio Cristo é um só, abala as fantasias daqueles que apresentam um Cristo multiforme, fazendo de Cristo uma realidade e de Jesus outra; representando um como escapando do meio das multidões, e o outro como sendo retido por elas; um como aparecendo num monte solitário a três companheiros, revestido de glória numa nuvem, e o outro como um homem comum, relacionando-se com todos; um como magnânimo, e o outro como tímido.

[9] Por fim, fazem um sofrer a morte, e o outro ressurgir, por meio do que sustentam também uma ressurreição própria, porém em outra carne.

[10] Felizmente, porém, Aquele que sofreu virá novamente do céu (Atos 1:11), e todos o verão, Ele que ressuscitou dentre os mortos.

[11] Também aqueles que o crucificaram o verão e o reconhecerão; isto é, verão a sua própria carne, aquela mesma contra a qual derramaram sua fúria, e sem a qual seria impossível que Ele próprio existisse ou fosse visto.

[12] Assim, devem corar de vergonha os que afirmam que a sua carne está assentada no céu sem sensação alguma, como se fosse apenas uma bainha vazia, tendo Cristo se retirado dela.

[13] Igualmente se envergonhem os que sustentam que sua carne e sua alma são exatamente a mesma coisa, ou então que sua alma é tudo o que existe, mas que sua carne já não vive.

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