[1] Se é fato que homens que levam o nome de romanos são encontrados como inimigos de Roma, por que razão nós, pelo fato de sermos tidos por inimigos, somos privados do nome de romanos?
[2] Pode-se, ao mesmo tempo, ser romano e inimigo de Roma, já que homens considerados romanos são descobertos como inimigos de sua própria pátria.
[3] Assim, o afeto, a fidelidade e a reverência devidos aos imperadores não consistem em tais demonstrações exteriores de homenagem, as quais até mesmo a hostilidade pode mostrar com zelo, sobretudo como disfarce para seus propósitos.
[4] Antes, consistem naquelas atitudes que a divindade certamente nos ordena, assim como são consideradas necessárias no caso de todos os homens, e não apenas dos imperadores.
[5] As obras de verdadeira bondade de coração não são devidas, por nossa parte, somente aos imperadores.
[6] Jamais praticamos o bem com acepção de pessoas, pois, para nosso próprio interesse, nos conduzimos como quem não recebe dos homens nem louvor nem recompensa, mas de Deus, que tanto exige como retribui uma benevolência imparcial.
[7] Somos os mesmos para com os imperadores e para com nossos vizinhos comuns.
[8] Pois nos é igualmente proibido desejar o mal, fazer o mal, falar o mal ou pensar o mal de qualquer pessoa.
[9] Aquilo que não nos é permitido fazer contra um imperador, não nos é permitido fazer contra ninguém mais.
[10] E aquilo que não faríamos a pessoa alguma, com muito mais razão talvez não o deveríamos fazer àquele a quem aprouve a Deus exaltar tão altamente.

