[1] Quanto ao costume que alguns têm de se sentarem quando a oração termina, não percebo razão alguma para isso, exceto aquela que as crianças costumam dar.
[2] Pois, e se Hermas — cujo escrito geralmente é intitulado O Pastor —, após concluir sua oração, não tivesse se sentado em sua cama, mas feito qualquer outra coisa, deveríamos também manter isso como regra de observância?
[3] Certamente que não.
[4] Porque até mesmo a frase: “Quando eu havia orado e me sentei sobre minha cama” foi registrada apenas em vista da ordem da narração, e não como modelo de disciplina.
[5] Do contrário, teríamos de orar somente onde houvesse uma cama.
[6] Mais ainda: quem quer que se sente numa cadeira ou num banco estaria agindo contrariamente àquele escrito.
[7] Além disso, visto que as nações fazem o mesmo, sentando-se depois de adorar suas pequenas imagens, só por isso tal prática já merece ser censurada entre nós, porque é observada no culto aos ídolos.
[8] A isso se acrescenta ainda a acusação de irreverência — algo compreensível até mesmo para as próprias nações, se tivessem algum discernimento.
[9] Porque, se por um lado é irreverente sentar-se sob o olhar, e diante do olhar, daquele a quem mais reverencias e veneras, quanto mais, por outro lado, tal ato é profundamente ímpio diante do olhar do Deus vivo, enquanto o anjo da oração ainda permanece de pé — a menos que estejamos censurando a Deus, como se a oração nos tivesse cansado.

