[1] Mas nós recomendamos ainda mais as nossas orações a Deus quando oramos com modéstia e humildade, sem sequer erguer as mãos de modo excessivamente alto, mas levantando-as com medida e decoro; e sem também elevar o semblante com ousadia exagerada.
[2] Pois aquele publicano, que orou com humildade e abatimento, não apenas em sua súplica, mas também em sua expressão, voltou para casa mais justificado do que o fariseu insolente.
[3] Do mesmo modo, os sons da nossa voz devem ser moderados; de outro modo, se tivermos de ser ouvidos por causa do barulho, quão grandes traqueias precisaríamos ter!
[4] Mas Deus não é ouvinte da voz, e sim do coração, assim como também é seu examinador.
[5] O demônio do oráculo pítio diz:
[6] “Eu compreendo até o mudo, e ouço claramente aquele que não fala.”
[7] Acaso os ouvidos de Deus esperam por som?
[8] Como, então, a oração de Jonas pôde encontrar caminho até o céu desde as profundezas do ventre da baleia, atravessando as entranhas de tão grande animal, desde os próprios abismos, por entre tão imensa massa de mar?
[9] Que vantagem superior alcançarão os que oram em voz demasiadamente alta, senão a de incomodar os seus vizinhos?
[10] Antes, ao tornarem audíveis as suas petições, em que erram menos do que se estivessem orando em público?

