[1] A oração começa com um testemunho dirigido a Deus e com a recompensa da fé, quando dizemos: “Pai nosso, que estás nos céus”; pois, ao assim falar, ao mesmo tempo oramos a Deus e professamos a fé, cuja recompensa é justamente esta designação. Está escrito: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome.”
[2] Nosso Senhor, porém, proclamou com muita frequência que Deus é nosso Pai; mais ainda: ordenou que a ninguém na terra chamemos pai, senão ao Pai que temos nos céus. Assim, ao orarmos dessa maneira, também obedecemos ao mandamento.
[3] Felizes os que reconhecem seu Pai! Esta é a censura lançada contra Israel, à qual o Espírito dá testemunho diante do céu e da terra, dizendo: “Criei filhos, e os engrandeci, mas eles se rebelaram contra mim.”
[4] Além disso, ao dizer Pai, também o chamamos Deus. Essa designação reúne, ao mesmo tempo, a piedade filial e o poder.
[5] E ainda: no Pai, o Filho também é invocado; pois Ele mesmo diz: “Eu e o Pai somos um.”
[6] Nem mesmo nossa mãe, a Igreja, é deixada de lado, se é que, no Pai e no Filho, se reconhece também a mãe, da qual procede tanto o nome de Pai como o de Filho.
[7] Assim, numa só expressão geral, numa só palavra, honramos a Deus juntamente com os que lhe pertencem, lembramo-nos do mandamento e também assinalamos aqueles que se esqueceram de seu Pai.

