[1] Mas que os nomes universais dos crimes se retirem para as particularidades de suas próprias obras; e que a idolatria permaneça naquilo que ela mesma é.
[2] Basta a si mesmo um nome tão hostil a Deus, uma substância de crime tão copiosa, que estende tantos ramos e difunde tantas veias, que deste nome, em grande parte, se extrai a matéria de todos os modos pelos quais a vastidão da idolatria deve ser por nós prevenida.
[3] Porque, de muitas maneiras, ela subverte os servos de Deus; e isso não apenas quando não é percebida, mas também quando está encoberta.
[4] A maioria das pessoas simplesmente considera que a idolatria deve ser entendida apenas nestes sentidos, a saber: se alguém queimar incenso, ou imolar uma vítima, ou participar de um banquete sacrificial, ou estiver ligado a algumas funções sagradas ou sacerdócios.
[5] Seria como se alguém considerasse o adultério apenas em beijos, abraços e no contato carnal propriamente dito; ou o homicídio apenas no derramamento de sangue e no efetivo tirar da vida.
[6] Mas nós sabemos quão mais amplo alcance o Senhor atribui a esses crimes: quando Ele define o adultério como consistindo até mesmo na concupiscência, se alguém lançar um olhar de cobiça e agitar sua alma com movimento impudico.
[7] E quando Ele julga que o homicídio consiste até mesmo numa palavra de maldição ou de censura, em todo impulso de ira, e na falta de caridade para com um irmão; assim como João ensina que aquele que odeia seu irmão é homicida.
[8] De outro modo, tanto a engenhosidade maliciosa do diabo quanto a do Senhor Deus, na Disciplina com que nos fortalece contra as profundezas do diabo, teriam alcance limitado, se fôssemos julgados apenas por faltas que até mesmo as nações pagãs decretaram puníveis.
[9] Como, então, a nossa justiça excederá a dos escribas e fariseus, como o Senhor ordenou, se não tivermos percebido a abundância daquela qualidade adversa, isto é, da injustiça?
[10] Mas, se a cabeça da injustiça é a idolatria, o primeiro ponto é que sejamos previamente fortificados contra a abundância da idolatria, reconhecendo-a não apenas em suas manifestações palpáveis.

