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[1] Nos tempos antigos não havia ídolo algum.

[2] Antes que surgissem os artífices dessa monstruosidade, os templos permaneciam solitários e os santuários vazios, assim como ainda hoje, em alguns lugares, permanecem de modo duradouro vestígios desse costume antigo.

[3] Contudo, a idolatria já era praticada, não sob esse nome, mas nessa função; pois ainda hoje ela pode ser praticada fora de um templo e sem um ídolo.

[4] Mas, quando o diabo introduziu no mundo os artífices de estátuas, de imagens e de toda espécie de figuras, aquele antigo e grosseiro ofício da ruína humana recebeu dos ídolos tanto um nome quanto um desenvolvimento.

[5] Desde então, toda arte que de algum modo produz um ídolo tornou-se imediatamente uma fonte de idolatria.

[6] Pois não faz diferença se um modelador funde, se um escultor entalha, ou se um bordador tece o ídolo.

[7] Porque também não se trata da matéria, quer o ídolo seja formado de gesso, de tintas, de pedra, de bronze, de prata ou de fios.

[8] Pois, se mesmo sem ídolo já se comete idolatria, quando o ídolo está presente não faz diferença de que tipo ele seja, de que material, ou de que forma; para que ninguém pense que só deve ser considerado ídolo aquilo que é consagrado em forma humana.

[9] Para estabelecer esse ponto, é necessária a interpretação da palavra.

[10] Eidos, em grego, significa “forma”; eidolon, derivado dela no diminutivo, por um processo equivalente em nossa língua, significa “forminha” ou “pequena forma”.

[11] Portanto, toda forma ou pequena figura reivindica ser chamada de ídolo.

[12] Daí que idolatria é toda assistência e todo serviço prestado em torno de qualquer ídolo.

[13] Daí também que todo artífice de um ídolo é culpado de um mesmo e único crime, a menos que se diga que o povo que consagrou para si a figura de um bezerro, e não de um homem, tenha deixado de incorrer na culpa da idolatria.

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