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[1] Argumento 19

[2] A honra de Deus não pode ser maculada.

[3] Talvez alguém fique preocupado, pensando que é difícil defender a honra de Deus em meio a tudo isso. E talvez diga: “Afinal de contas, Deus condena aqueles que não podem deixar de ser pecaminosos, e que são forçados a permanecer dessa maneira porque Ele não os escolheu para a salvação”. Como Paulo diz: “Éramos por natureza filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.3).

[4] Porém, você poderá ver essas questões por um outro ângulo. Deus deveria ser reverenciado e respeitado por ser misericordioso para todos quantos Ele justifica e salva, embora sejam totalmente indignos.

[5] Sabemos que Deus é divino. Ele também é sábio e justo. A sua justiça não é da mesma categoria que a justiça humana. Ela está acima de nosso poder de apreensão plena, conforme Paulo exclama, em Romanos 11.33: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!”

[6] Se concordamos que a natureza, o poder, a sabedoria e o conhecimento de Deus estão muito acima dos nossos, então também deveríamos acreditar que a sua justiça é maior e melhor do que a nossa. Ele nos fez a promessa de que quando chegar a revelar para nós a sua glória, então veremos claramente aquilo no que agora devemos acreditar — que Ele é justo, sempre o foi e sempre o será.

[7] Eis um outro exemplo. Se você usar da razão humana para considerar a maneira como Deus governa os acontecimentos do mundo, será forçado a dizer que Deus não existe, ou que Ele é injusto. Os ímpios prosperam e os piedosos sofrem (Jó 12.6 e Sl 73.12), e isso parece ser injusto.

[8] Por esse motivo, muitos homens negam a existência de Deus e dizem que as coisas acontecem movidas pelo acaso.

[9] A resposta que damos a essa questão é que há uma vida após a vida presente, e que tudo quanto não tiver sido castigado e corrigido nesta vida, será castigado e corrigido na vida futura.

[10] A vida terrena nada mais é que uma preparação para, ou, ainda melhor, o começo da vida que virá.

[11] Esse problema tem sido debatido por toda a História, mas a solução não tem sido encontrada, exceto pela crença no evangelho, conforme ele se acha nas páginas da Bíblia.

[12] Três raios de luz brilham sobre a questão: a luz da natureza, da graça divina e da glória celestial.

[13] Mediante a luz da natureza, Deus parece ser injusto, porquanto os piedosos sofrem e os ímpios prosperam.

[14] A luz da graça divina ajuda-nos a compreender melhor as coisas, embora ainda não explique como Deus pode condenar alguém que, por suas próprias forças, nada pode fazer senão pecar e ser culpado.

[15] Somente a luz da glória celeste explicará isso plenamente, naquele dia vindouro, quando Deus revelar a Si mesmo como inteiramente justo, embora os seus juízos ultrapassem a nossa limitada compreensão de seres humanos.

[16] Um homem piedoso crê que Deus conhece de antemão e pré-ordena todas as coisas, e que nada acontece senão pela sua soberana vontade. Nenhum homem, ou anjo, ou qualquer outra criatura, em vista de tais fatos, é dotado de “livre-arbítrio”.

[17] Satanás é o príncipe deste mundo e conserva cativos todos os homens, a menos que eles sejam libertos pelo poder do Espírito Santo.

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