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[1] Argumento 4 — Voltando ao argumento de Erasmo baseado em Síracides (Eclesiásticos) 15.14-18.

[2] Retornemos àquela passagem do livro apócrifo de Síracides (Eclesiástico), a fim de compará-la com o primeiro dos três pontos de vista que acabamos de aludir. Esse ponto de vista, que você afirma ser provavelmente correto, declara que o “livre-arbítrio” não pode querer praticar o bem. No entanto, aquela passagem extraída do livro de Síracides (Eclesiásticos) foi citada a fim de provar que “o livre-arbítrio” pode fazer algo de bom. Segundo a sua opinião, essa passagem deveria apoiar o primeiro ponto de vista, no entanto ela não diz nada a respeito do assunto. Seria como alguém citar uma passagem qualquer sobre Pilatos, como governador da Síria, a fim de provar que Cristo foi o Messias!

[3] Mas para sermos justos, consideraremos o trecho de Síracides (Eclesiásticos) 15.14-17. Esse trecho começa dizendo: “No princípio ele fez o homem e o deixou entregue ao seu próprio arbítrio”. Até essa altura, não há qualquer referência aos mandamentos. O homem era dotado de uma vontade inteiramente livre quando o Senhor Deus o tornou senhor de todas as coisas.

[4] Mas, então lemos que Deus acrescentou seus mandamentos e preceitos: “Se queres, guardarás os mandamentos, e farás fielmente a sua vontade…”. E isso também exprime uma verdade. Deus tirou o homem de sua posição de domínio, e, dali por diante, ele ficou debaixo dos mandamentos. Não era mais livre.

[5] Portanto, você pode ver que é possível compreender essa passagem de Síracides (Eclesiásticos) de uma maneira que concorda comigo e não com você! A minha compreensão desse trecho concorda com a totalidade das Escrituras. A sua maneira de compreendê-lo faz esse texto voltar-se contra as Escrituras em sua inteireza.

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