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[1] Argumento 15 — A base para o galardão do crente é a promessa de Deus e não o mérito do homem.

[2] O “galardão”, referido em Mateus 5.12, é uma espécie de promessa. Uma promessa, entretanto, não prova que podemos fazer coisa alguma. Prova apenas que, se fizermos certas coisas, seremos galardoados.

[3] A questão é se realmente podemos fazer as coisas em razão das quais o galardão é dado.

[4] Alguns dizem: O prêmio é posto perante todos os que correm, assim sendo, todos podem correr e obter o prêmio! Não é essa uma lógica ridícula?

[5] Poderia ser útil para alguns, se a noção do “livre-arbítrio” pudesse ser estabelecida por meio de tais argumentos!

[6] Você procura argumentar que se Deus já decidiu tudo de antemão, então não podemos falar em galardão.

[7] Se quer dizer com isso que você não recompensaria quem trabalha com má vontade, eu estou de acordo.

[8] Porém, quando as pessoas praticam o bem ou o mal propositadamente, então, com toda a justiça, recebem o galardão ou a punição. Isso é verdade, mesmo quando as pessoas são incapazes de alterar a sua vontade por seus próprios esforços.

[9] Se, porém, só podemos desejar fazer o que é bom capacitados pela graça divina, daí é óbvio que o mérito e o galardão provêm exclusivamente da graça divina.

[10] Entretanto, não deveríamos falar sobre méritos humanos. Melhor é falar acerca das consequências daquilo que fazemos. Nada existe de bom ou de mal que não venha a receber sua devida retribuição.

[11] O inferno e o julgamento divino certamente esperam pelos ímpios. Da mesma forma, é certo que um reino espera pelos piedosos, porque o mesmo foi-lhes preparado por seu Pai celestial (Mt 25.34).

[12] Se tentarmos fazer o bem a fim de merecermos herdar o reino de Deus, haveremos de fracassar, mostrando assim que somos ímpios.

[13] Os filhos de Deus fazem o bem visando a glória de Deus, e não alguma recompensa.

[14] Por conseguinte, qual é o significado daquelas passagens bíblicas que prometem o reino de Deus ou ameaçam com o inferno? (Gn 15.1; 2 Cr 15.7; Jó 34.11; Rm 2.7).

[15] Elas simplesmente mostram o resultado de uma vida boa ou de uma vida má. Seu propósito é instruir e alertar. Nada dizem a respeito de mérito, mas ensinam aquilo que devemos fazer, encorajando-nos a prosseguir até ao fim.

[16] É como se quiséssemos consolar alguém, dizendo que o que ele está fazendo agrada a Deus, ou advertir alguém, dizendo que o que ele está fazendo desagrada a Deus.

[17] Mesmo assim, você argumenta: “Por que Deus importa-se em dizer-nos essas coisas, quando todas elas já foram determinadas de antemão?”

[18] A resposta é que Deus produz em nós o seu propósito por intermédio da sua Palavra.

[19] O Senhor poderia fazer essas coisas sem a sua Palavra; todavia, agradou-Lhe fazer de nós seus cooperadores.

[20] Portanto, Ele nos diz essas coisas em sua Palavra, a fim de envolver-nos em seu plano.

[21] Deus realiza em nós a sua vontade e também nos apresenta a sua Palavra, para que o mundo inteiro conheça os fatos sobre galardões e punições, e para que sua glória, nossa debilidade e nossa impiedade sejam proclamadas.

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