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[1] Argumento 16 — A soberania de Deus não anula a nossa responsabilidade.

[2] Erasmo, você alicerça seu argumento nas palavras de Mateus 7.16, que dizem: “Pelos seus frutos os conhecereis…”, asseverando que a Bíblia diz que o fruto é nosso, e que, portanto, não pode o mesmo ser-nos dado por Deus através do seu Espírito. Esse é um argumento tolo!

[3] Pois, é dito que Cristo é nosso, embora O tenhamos recebido. Os nossos olhos são nossos embora não os tenhamos criado!

[4] Em seguida, você usa outro argumento, alicerçado em Lucas 23.34: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

[5] Você afirma que se a nossa vontade não é livre, então teria sido mais certo se Jesus tivesse desculpado os seus assassinos, por não terem eles “livre-arbítrio”, e nem poderem eles agir de outra maneira.

[6] A resposta, entretanto, encontra-se nas próprias palavras de nosso Senhor: “…não sabem o que fazem”.

[7] Poderia ser dito ainda mais claramente que Cristo estava afirmando que seus algozes eram incapazes de querer fazer o que é bom? Como poderiam querer fazer aquilo que desconheciam?

[8] Nenhuma afirmativa mais forte pode ser apresentada acerca da pobreza da vontade humana. Não somente a vontade humana não pode fazer o bem, mas também nem ao menos reconhece quanto mal está fazendo, nem conhece no que consiste o bem!

[9] Em seguida, você usa novamente a passagem de João 1.12: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus…”, e argumenta que não lhes poderia ter sido conferido o direito de tornarem-se filhos de Deus, se não houvesse liberdade da vontade.

[10] Atentemos cuidadosamente ao que diz esse versículo. João fala da completa transformação de quem, sendo filho do diabo, passa a ser um filho de Deus. Esse alguém nada faz; antes, é transformado em algo!

[11] Tornamo-nos filhos de Deus através da operação de Deus, e não por qualquer atuação do “livre-arbítrio” em nós.

[12] João está nos dizendo que o evangelho da graça cria uma oportunidade para todos os homens tornarem-se filhos de Deus, se vierem a crer no Senhor. Todavia, esse querer e esse crer são questões acerca das quais eles não tinham qualquer conhecimento prévio. Muito menos ainda poderiam fazê-las com suas próprias forças.

[13] Os homens jamais poderiam conceber por si mesmos um evangelho que envolvesse fé em Cristo como Filho de Deus e Filho do homem.

[14] Como poderiam, portanto, estar dispostos ou ser capazes de receber o evangelho?

[15] João não estava anunciando as virtudes do “livre-arbítrio”, e sim as riquezas do reino de Deus dadas a conhecer através do evangelho.

[16] João também mostra quão poucos são aqueles que o recebem, exatamente porque o “livre-arbítrio” dos homens se lhe opõe.

[17] O poder do “livre-arbítrio” resume-se nisto: Satanás o domina inteiramente, de tal maneira que ele rejeita a graça de Deus e também o Espírito Santo.

[18] Por fim, você cita Paulo (Rm 2.4): “Ou desprezas a riqueza da sua bondade… ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?”

[19] Você pergunta como poderiam ser acusados aqueles que não possuem o “livre-arbítrio”, e como Deus poderia condená-los se os compele ao mal.

[20] Porém, as palavras de Romanos 2.4 são uma advertência para mostrar aos ímpios sua incapacidade e levá-los ao reconhecimento da necessidade da graça.

[21] Deus primeiro humilha, para então preparar o homem para receber sua graça.

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