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[1] Argumento 6 — O endurecimento do coração do Faraó.

[2] Tendo essas coisas em mente, voltemos ao caso do Faraó. Deus não transformou a natureza do Faraó por meio do seu Espírito Santo. A vontade de Faraó permaneceu ímpia e maligna.

[3] Faraó estava plenamente seguro de sua grandeza e autoridade. Assim, quando Deus apresentou algo que o ofendia e irritava, ele não pôde deixar de reagir de maneira maldosa.

[4] Ele foi ficando mais e mais obstinado, recusando-se a dar ouvidos à razão.

[5] As palavras das Escrituras precisam ser compreendidas em conformidade com o seu sentido claro e evidente. Quando Deus disse: “Endurecerei o coração de Faraó”, Ele estava dizendo: “Farei com que o coração do Faraó se endureça”.

[6] Deus, com a mais absoluta certeza, sabia e, com a mais absoluta certeza, declarou que o coração do Faraó se endureceria.

[7] Com idêntica certeza, Deus sabia que o Faraó não poderia impedir as ações divinas contra si. E Deus igualmente sabia que, como resultado disso, o Faraó certamente se tornaria pior.

[8] Uma vontade maligna pode querer somente fazer o mal. Mesmo quando Deus traz algum bem para exercer uma influência benéfica — como no caso do evangelho — a vontade maligna só pode tornar-se pior. Ela torna-se mais endurecida.

[9] Por que Deus não cessa de fazer pressão que certamente produzirá maus resultados? Isso é o mesmo que pedir a Deus que deixe de ser Deus.

[10] Não podemos imaginar que Deus deixará de fazer o bem somente porque os ímpios sempre reagirão adversamente.

[11] Por que Deus não altera a vontade perversa de pessoas como o Faraó? Essa questão toca na vontade secreta de Deus, cujos caminhos são inescrutáveis (Rm 11.33).

[12] Se alguém que é orientado por sua razão humana fica ofendido por causa disso, que assim seja. As queixas nada mudarão, e os eleitos de Deus permanecerão inabaláveis.

[13] Poderíamos também perguntar por que Deus deixou que Adão caísse. Não devemos tentar estabelecer regras para Deus.

[14] Aquilo que Deus faz não é correto porque o aprovamos, mas porque Deus assim o desejou.

[15] A única alternativa seria estabelecer um outro criador superior a Deus.

[16] Retornando ao texto, você ignora o sentido claro e apresenta sua própria “explicação”.

[17] O sentido claro é que Deus endurece o coração do Faraó por meio das pragas.

[18] Você diz que isso ocorreu apenas por longanimidade, não por punição. Mas o contexto mostra que Deus agiu após longa paciência diante da opressão de Israel.

[19] A sucessão das pragas manifesta o poder de Deus e fortalece a fé dos israelitas.

[20] Você quer afirmar que o Faraó possui um arbítrio livre para obedecer ou resistir, mas isso faria Deus depender do “livre-arbítrio” humano.

[21] Assim, Deus não poderia ter previsto o que aconteceria.

[22] Porém Deus endureceu o coração do Faraó, e o Faraó agiu conforme sua natureza caída.

[23] Portanto, essa passagem não apoia o “livre-arbítrio”, mas o contradiz fortemente.

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