Skip to main content
search
[1] Argumento 3

[2] O “livre-arbítrio” não pode obter aceitação diante de Deus através da observância da lei moral e cerimonial.

[3] Eu argumento que quando Paulo disse em Romanos 3.20,21: “…ninguém será justificado diante dele por obras da lei”, pensou na lei moral (os dez mandamentos), bem como na lei cerimonial.

[4] Tem-se generalizado a ideia de que Paulo tinha em mente apenas a lei cerimonial — o ritual de sacrifícios de animais e a adoração no templo.

[5] É espantoso que chamem Jerônimo, que criou essa ideia, de santo! Eu o classificaria de forma bem diferente!

[6] Jerônimo declarou que a morte de Cristo pôs fim a qualquer possibilidade de alguém ser justificado (ou declarado justo) por meio da observância da lei cerimonial. Mas deixou inteiramente aberta a possibilidade de alguém ser justificado mediante a observância da lei moral, contando apenas com as suas próprias forças, sem a ajuda de Deus.

[7] Minha resposta a isso é que se Paulo referiu-se somente à lei cerimonial, então seu argumento não tem qualquer significado. Paulo estava afirmando que todos os homens são injustos e necessitados da graça especial de Deus — o amor, a sabedoria e o poder de Deus — por intermédio dos quais Ele nos salva.

[8] O resultado da ideia de Jerônimo seria que a graça de Deus é necessária para salvar-nos da lei cerimonial, mas não da lei moral. Todavia, nós não podemos observar a lei moral à parte da graça divina. Você pode intimidar as pessoas para que observem as cerimônias, mas nenhum poder humano pode forçá-las a guardar a lei moral.

[9] Paulo estava argumentando que não podemos ser justificados diante de Deus mediante a tentativa de guardar a lei moral, ou mesmo a lei cerimonial. Comer e beber, e fazer outras coisas semelhantes, em si mesmas, nem nos justifica nem nos condena.

[10] Irei ainda mais longe, afirmando que Paulo queria dizer que a totalidade da lei, e não alguma porção particular dela, é obrigatória a todos os homens. Se a lei não se aplicasse mais aos homens devido à morte de Cristo, tudo quanto Paulo precisava dizer era isto e nada mais.

[11] Em Gálatas 3.10, Paulo escreveu: “Todos quantos, pois, são das obras da lei, estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las”.

[12] Nesse texto, Paulo busca apoio em Moisés para afirmar que a lei é imposta sobre todos os homens, e que o fracasso na obediência à lei sujeita todos os homens à maldição divina.

[13] Nem os homens que procuram obedecer à lei, nem aqueles que não tentam guardá-la estão justificados diante do Senhor, porquanto todos estão espiritualmente mortos. O ensinamento de Paulo é que há duas classes de pessoas no mundo — aquelas que estão espiritualmente vivas e aquelas que não estão. Isto está em harmonia com o ensinamento de Jesus Cristo em João 3.6: “O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito”.

[14] Para as pessoas que não possuem o Espírito Santo, a lei é sem utilidade. Não importa o quanto procurem guardar a lei, não serão justificadas exceto pela fé.

[15] Finalmente, então, se existe tal coisa como o “livre-arbítrio”, deve ser a mais nobre das capacidades humanas, porque, mesmo sem o Espírito Santo, o “livre-arbítrio” afirma possibilitar ao homem guardar a lei inteira!

[16] Entretanto, Paulo assevera que aqueles que são das “obras da lei” não estão justificados. Isso significa que o “livre-arbítrio”, mesmo considerado por seu melhor ângulo, é incapaz de corrigir a situação do homem diante de Deus.

[17] De fato, em Romanos 3.20, Paulo afirma que a lei é necessária para mostrar-nos no que consiste o pecado: “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.

[18] Aqueles que são das “obras da lei” não são capazes de reconhecer o que o pecado realmente é. A lei não foi dada a fim de mostrar aos homens o que eles podem fazer, mas para corrigir as suas ideias sobre o que é o certo e o errado aos olhos de Deus.

[19] O “livre-arbítrio” é cego, pois precisa ser ensinado através da lei. E também é impotente, pois não consegue justificar ninguém diante de Deus.

VCirculi

Author VCirculi

More posts by VCirculi
Close Menu