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[1] Argumento 4

[2] A lei tem o propósito de conduzir os homens a Cristo, dando-lhes o conhecimento do pecado.

[3] O argumento a favor do “livre-arbítrio” é que a lei não nos teria sido dada se não fôssemos capazes de obedecê-la.

[4] Erasmo, por repetidas vezes você tem dito: “Se nada podemos fazer, qual é o propósito das leis, dos preceitos, das ameaças e das promessas?”

[5] A resposta é que a lei não foi dada para mostrar-nos o que podemos fazer. Nem mesmo a fim de ajudar-nos a fazer o que é correto.

[6] Paulo diz em Romanos 3.20: “…pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.

[7] O propósito da lei foi o de mostrar-nos no que consiste o pecado e ao que ele nos conduz — à morte, ao inferno e à ira de Deus.

[8] A lei só pode destacar essas coisas. Não pode livrar-nos delas. O livramento nos chega exclusivamente através de Cristo Jesus, que nos é revelado através do evangelho.

[9] Nem a razão, nem o “livre-arbítrio” podem conduzir os homens a Cristo, visto que a razão e o “livre-arbítrio” precisam da luz da lei para mostrar-lhes sua enfermidade.

[10] Paulo faz esta indagação em Gálatas 3.19: “Qual, pois, a razão de ser da lei?”

[11] Entretanto, a resposta de Paulo à sua própria pergunta é o contrário da resposta que você e Jerônimo dão.

[12] Você diz que a lei foi dada a fim de provar a existência do “livre-arbítrio”. Jerônimo diz que ela tem o propósito de restringir o pecado. Mas Paulo não diz nada disso.

[13] Todo seu argumento é que os homens precisam de graça especial para lutar contra o mal que a lei revela.

[14] Não pode haver cura enquanto a enfermidade não for diagnosticada. A lei é necessária para fazer os homens perceberem a perigosa condição em que estão, a fim de que anelem pelo remédio que se encontra somente na pessoa de Cristo.

[15] Portanto, as palavras de Paulo em Romanos 3.20 podem parecer muito simples, mas elas têm poder suficiente para fazer com que o “livre-arbítrio” seja total e completamente inexistente.

[16] Diz Paulo em Romanos 7.7: “…pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás”.

[17] Isto significa que o “livre-arbítrio” nem mesmo reconhece o que o pecado é! Como, pois, poderia chegar a conhecer o que é certo?

[18] E, se não sabe reconhecer o que é certo, como poderia esforçar-se por fazer o que é certo?

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