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Sermão pregado pelo Reformador

Martinho Lutero

Para o Domingo da Santíssima Trindade de 11 de junho de 1536

[1] Havia um homem dos fariseus que se chamava Nicodemos, um principal entre os judeus.

[2] Este veio a Jesus de noite e lhe disse: “Rabi, sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes se Deus não estiver com ele.”

[3] Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo: se o homem não nascer de novo, não poderá ver o Reino de Deus.”

[4] Nicodemos lhe disse: “Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? Pode, por acaso, entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?”

[5] Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.

[6] O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é espírito.

[7] Não te maravilhes do que eu te disse: é necessário nascer de novo.

[8] O vento sopra onde quer, e se ouve o seu som; mas ninguém sabe de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.”

[9] Perguntou-lhe Nicodemos: “Como pode acontecer isso?”

[10] Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre de Israel e não sabes disso?

[11] Em verdade, em verdade te digo que falamos aquilo que sabemos e testificamos aquilo que temos visto, mas vós não recebeis o nosso testemunho.

[12] Se eu vos tenho dito coisas terrenas e não acreditastes, como acreditareis se eu vos falar das celestiais?

[13] Ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, o Filho do Homem, que está no céu.

[14] E, assim como Moisés levantou a serpente no deserto, é necessário que o Filho do Homem seja levantado,

[15] para que todo aquele que nele crer não se perca, mas tenha a vida eterna.

[16] Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não se perca, mas tenha a vida eterna.”

João 3:1-16

COMO ALCANÇAR A SALVAÇÃO, A PERGUNTA PRINCIPAL DA HUMANIDADE

[17] Hoje ainda não lhes foi explicado o Evangelho. Escreve o evangelista São João que certo fariseu, de nome Nicodemos, veio ao Senhor de noite e teve com ele uma conversa. Cristo, de sua parte, pregou um sermão para aquele homem piedoso, com o qual ele realmente não sabia o que fazer: quanto mais o ouvia, menos o entendia.

[18] Sobre essa história se prega todo ano. Mas, como hoje o momento novamente é propício, falaremos mais uma vez sobre ela. Desde que o mundo existe, os sábios que nele existem se perguntam: “De que modo se pode alcançar a justiça e a bem-aventurança?” Essa questão é discutida desde que há homens na terra e continuará sendo discutida até que o mundo chegue ao seu fim. Ainda em nossos dias pode-se ver com quanto ardor debatemos esse assunto. Todos creem estar em condições de emitir um juízo; porém, com seu juízo, revelam sua ignorância. Essa mesma questão, como nos informa o Evangelho para o dia de hoje, Cristo tratou com um homem que, falando nos termos da lei judaica, era uma pessoa corretíssima e muito instruída.

[19] Aquele homem quer discutir sobre aquilo que devemos fazer e sobre como devemos viver para sermos salvos, e espera que Cristo lhe dê uma resposta. “Porque tu”, diz ele, “és mestre vindo de Deus, pois os sinais que tu fazes vão além da capacidade de qualquer ser humano. Nós, os fariseus, ensinamos, no campo espiritual, a Lei de Moisés. Consideras que há algo melhor que possas nos recomendar?” Surge, assim, na discussão entre ambos, a pergunta sobre as obras, isto é, sobre a vida perfeita — a pergunta que inquieta os homens de todas as gerações.

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