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[1] O sexto mandamento:
“Não cometerás adultério”

[2] Aqui, mais uma vez, aprendo o que Deus pretende comigo e o que deseja de mim: que eu viva em castidade, pureza e temperança, em pensamentos, palavras e atos.

[3] Que não desonre a mulher, filha ou criada de quem quer que seja, mas ajude a socorrer, proteger e fazer tudo em prol de sua honra e pureza, bem como ajude a refrear as más línguas que comprometem ou roubam a sua honra. Pois tudo isso é minha obrigação.

[4] E Deus deseja de mim que eu não apenas deixe intacta a honra da mulher e dos familiares de meu próximo, mas também sinta a obrigação de ajudar a preservar e guardar a honra e a integridade moral do mesmo, assim como desejo que meu próximo proceda para comigo e aplique este mandamento em relação a mim e aos meus.

[5] Por outro lado, agradeço ao Pai amado e fiel por essa sua graça e bênção, pois com esse mandamento tomou sob sua proteção e tutela meu marido, filho e criado, minha mulher, filha e criada, determinando assim, severa e rigorosamente, que não sejam desonrados.

[6] Pois ele me conduz em segurança, cuida para que esse mandamento seja observado e não deixa ninguém impune, ainda que ele mesmo tenha que punir quando alguém transgride ou viola este mandamento e proteção.

[7] Ninguém lhe escapa; ou a pessoa tem que pagar aqui ou então expiar esse desejo carnal no fogo do inferno, enfim.

[8] Porque Deus insiste na castidade e não tolera adultério, como constatamos diariamente em todos os impenitentes e perversos: no final das contas a ira de Deus os apanha e acaba com eles em desonra.

[9] Caso contrário, nem seria possível conservar a pureza e honra de sua mulher, filho, criadagem por uma hora sequer contra o diabo imundo; casamento de cachorro e pura bestialidade é no que daria isso, como acontece quando Deus, irado, retira sua mão e solta as rédeas a todos os excessos.

[10] Em terceiro lugar, confesso e professo o pecado meu (e o de todo o mundo), que cometi contra este mandamento, seja em pensamentos, palavras ou atos, em toda minha vida.

[11] Não só demonstrando ingratidão frente a ensino e presente tão belos; provavelmente também resmungando contra Deus por ter ordenado essa disciplina e castidade; por não permitir que ficasse livre e impune toda sorte de impudicícia e malandragem, tampouco que o matrimônio fosse desprezado, ridicularizado e condenado, etc.

[12] Visto que os pecados referentes a esse mandamento são de todos os mais flagrantes e mais facilmente reconhecíveis, não têm manto nem disfarce. Isso lamento muito, e assim por diante.

[13] Em quarto lugar, peço por mim e por todo o mundo que Deus nos queira conceder a graça de cumprir esse seu mandamento com muito amor. Que não somente nós vivamos em castidade, mas também ajudemos e apoiemos a outros nesse intento.

[14] Da mesma forma continuo com os outros mandamentos, na medida em que tenho tempo, disponibilidade ou vontade. Pois, como disse, não quero prender ninguém a essas minhas palavras ou reflexões. Quero apenas apresentar o meu exemplo, ao qual queira seguir quem assim entender, ou melhorar, quem puder, propondo-se de uma só vez todos os mandamentos ou quantos lhe aprouverem.

[15] Porque a alma, quando procura uma coisa, seja boa ou má, e o caso é sério para ela, consegue pensar, em um único momento, mais do que a língua consegue falar em dez horas, e a pena escrever em dez dias. Tão esperta, sutil e capaz é a alma ou espírito, motivo por que terá tratado com rapidez todos os Dez Mandamentos, passando pelas quatro partes, contanto que ela realmente o deseje.

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