Aviso ao leitor
O texto frequentemente chamado de - Martinho Lutero — “Tratado sobre as Boas Obras” / Von den guten Werken - é apresentado aqui como literatura teológica e pastoral da Reforma Protestante (séc. XVI), escrito no contexto dos debates sobre fé, graça, justificação e prática cristã, procurando explicar o lugar das boas obras como fruto da fé e não como fundamento autônomo de salvação. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa, nem deve ser tratado como Escritura ou como norma doutrinária universal. Sua presença nesta biblioteca tem finalidade histórica, teológica e comparativa, ajudando a compreender a ética cristã e a argumentação reformadora de Lutero em seu próprio contexto, sem implicar canonização nem equiparação de autoridade às Escrituras reconhecidas por qualquer tradição cristã.
ATENÇÃO
O escrito de Martinho Lutero, conhecido como Tratado sobre as Boas Obras, deve ser lido com atenção crítica especial, pois é uma obra teológica, pastoral e reformadora, produzida no contexto da Reforma Protestante e voltada a explicar o lugar das obras na vida cristã a partir da fé.
Sua leitura exige cuidado porque o texto procura corrigir a ideia de que obras exteriores, práticas religiosas, méritos humanos ou observâncias formais possam justificar o ser humano diante de Deus. Ao mesmo tempo, Lutero não rejeita as boas obras em si, mas as reposiciona como fruto da fé viva, e não como causa da salvação. Por isso, o texto deve ser lido com discernimento para evitar dois desvios opostos: o legalismo, que transforma obras em moeda de mérito diante de Deus, e o antinomismo, que despreza a obediência, a santidade e a responsabilidade prática do cristão.
Sua preservação nesta biblioteca se dá por alto valor histórico, teológico, pastoral e crítico, especialmente para compreender a tensão reformadora entre fé, graça, mandamentos, obediência e vida moral. Recomenda-se leitura com discernimento, cautela e filtro rigoroso, distinguindo entre correção reformadora contra o mérito humano, exortação legítima à prática do bem, ênfase confessional luterana e aquilo que deve ser tomado como fundamento normativo da escritura.
O NONO E O DÉCIMO MANDAMENTOS
[O DÉCIMO MANDAMENTO]
“Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” — Êxodo 20:17; Deuteronômio 5:21.
[1] Os dois últimos mandamentos proíbem os desejos perversos do corpo: o desejo pelo prazer e o desejo pelos bens temporais.[2] Esses mandamentos são claros por si mesmos.[3] Tais desejos perversos podem não causar diretamente algum dano exterior ao próximo, mas permanecem dentro de nós até o sepulcro.[4] A luta interior contra eles continua até a morte.[5] Por essa razão, São Paulo reúne esses dois mandamentos em um só ao tratar da cobiça e do pecado que atua dentro do ser humano — Romanos 7:7–25.[6] Esses mandamentos são colocados diante de nós como um alvo que ainda não alcançamos completamente, mas para o qual avançamos e nos estendemos em nossos pensamentos durante toda a vida, até a morte.[7] Ninguém jamais se tornou tão santo que deixasse de sentir dentro de si alguma inclinação perversa, especialmente quando surgem a ocasião e a tentação.[8] O pecado original nasce conosco por natureza.[9] Ele pode ser contido e impedido de governar, mas não pode ser completamente arrancado pela raiz enquanto permanecermos neste corpo.[10] Sua completa remoção acontece somente por meio da morte do corpo.[11] Por essa razão, a morte também se torna proveitosa e algo a ser desejado, pois encerra definitivamente a luta contra o pecado que permanece na carne — Romanos 7:24–25; Filipenses 1:21–23.[12] Que Deus nos ajude a alcançar isso.Amém.

