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PARTE I — O livro da origem e a linhagem de Abraão


MATEUS 1:1
[PRECEITO]
Livro [registro, escrito, documento] da gênese [origem, nascimento, geração, genealogia] de Jesus Cristo [Jesus, o Messias, o Ungido], filho [descendente] de Davi, filho [descendente] de Abraão.
[PAPIRO 1 — GREGO]
Livro da origem [genealogia] de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Livro da gênese de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
[VULGATA LATINA]
Livro da geração [origem] de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
[PESHITTA SIRÍACA]
Livro da genealogia [geração] de Jesus, o Messias, filho de Davi, filho de Abraão.


O original grego começa com Βίβλος γενέσεως, literalmente “livro da gênese/origem”. Génesis possui um campo de sentido mais amplo do que uma lista de antepassados: pode remeter à origem e ao surgimento de alguém. A relação literária com a linguagem de Gênesis, especialmente Gênesis 2:4 e 5:1 na tradição grega, merece atenção posterior. O Papiro 1 preserva parte dessa abertura, embora esteja fragmentado.

MATEUS 1:2
[PRECEITO]
Abraão gerou [foi pai de, tornou-se ancestral de] Isaque [Isaac]; Isaque gerou Jacó [Israel]; Jacó gerou Judá [Judas, na forma grega] e seus irmãos [os irmãos dele].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Abraão gerou Isaque; Isaque gerou Jacó; e Jacó gerou Judá e seus irmãos.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Abraão gerou Isaque; Isaque, por sua vez, gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Abraão foi pai de Isaque; Isaque foi pai de Jacó; e Jacó foi pai de Judá e de seus irmãos.
[VULGATA LATINA]
Abraão gerou Isaque; Isaque gerou Jacó; e Jacó gerou Judá e seus irmãos.
[PESHITTA SIRÍACA]
Abraão gerou Isaque; Isaque gerou Jacó; e Jacó gerou Judá e seus irmãos.


O verbo γεννάω, “gerar”, reaparece ao longo da genealogia. Em genealogias antigas, uma relação formulada como “gerou” pode integrar uma sequência ancestral mais ampla; por isso “tornou-se ancestral de” é uma alternativa contextual, embora não substitua o verbo literal. O Sinaítico contém pequenas particularidades ortográficas e de partículas de ligação, sem alterar a sequência principal.

MATEUS 1:3
[PRECEITO]
Judá gerou Perez [Fares] e Zerá [Zara] de Tamar [por meio de Tamar, tendo Tamar como mãe]; Perez gerou Esrom [Hezrom, Hezrom/Hezron]; e Esrom gerou Aram [Ram].
[PAPIRO 1 — GREGO, FRAGMENTÁRIO]
Judá gerou Perez e Zerá de Tamar; Perez gerou Esrom; e Esrom gerou Aram. [Algumas letras e partes de palavras estão ausentes no papiro.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Judá gerou Fares e Zara por Tamar; Fares gerou Esrom; e Esrom gerou Aram.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Judá gerou Perez e Zerá de Tamar; Perez gerou Esrom; e Esrom gerou Aram.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Judá gerou Fares e Zara de Tamar; Fares gerou Esrom; e Esrom gerou Aram.
[VULGATA LATINA]
Judá gerou Fares e Zara de Tamar; Fares gerou Esrom; e Esrom gerou Aram.
[PESHITTA SIRÍACA]
Judá gerou Perez e Zerá de Tamar; Perez gerou Esrom; e Esrom gerou Aram.


A expressão ἐκ τῆς Θάμαρ identifica explicitamente Tamar como participante da linhagem. O Evangelho não relata aqui os acontecimentos envolvendo Tamar e Judá, descritos em Gênesis 38. Fares/Perez, Zara/Zerá, Esrom/Hezrom e Aram/Ram são formas de nomes transmitidas por línguas e convenções de tradução diferentes; não devemos tratá-las automaticamente como personagens distintos.

MATEUS 1:4
[PRECEITO]
Aram [Ram] gerou Aminadabe [Aminadab]; Aminadabe gerou Naassom [Naasson, Naasom, Naassão]; e Naassom gerou Salmom [Salmon, Salma].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Aram gerou Aminadabe; Aminadabe gerou Naassom; e Naassom gerou Salmom.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Aram gerou Aminadabe; Aminadabe gerou Naassom; e Naassom gerou Salmon.
[VULGATA LATINA]
Aram gerou Aminadabe; Aminadabe gerou Naassom; e Naassom gerou Salmon.
[PESHITTA SIRÍACA]
Aram gerou Aminadabe; Aminadabe gerou Naassom; e Naassom gerou Salmon.


Aqui encontramos uma sequência de nomes que também aparece, com particularidades próprias, nas genealogias preservadas em Rute 4:18–22 e 1 Crônicas 2. As alternativas entre colchetes identificam formas tradicionais dos nomes, não novos indivíduos acrescentados por Mateus.

MATEUS 1:5
[PRECEITO]
Salmom [Salmon] gerou Boaz [Booz, Boes] de Raabe [Raab, Raabe]; Boaz gerou Obede [Obed, Jobede] de Rute [Ruth]; e Obede gerou Jessé [Jesse, Isaí].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Salmom gerou Boaz de Raabe; Boaz gerou Obede de Rute; e Obede gerou Jessé.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Salmon gerou Boaz de Raabe; Boaz gerou Obede de Rute; e Obede gerou Jessé.
[VULGATA LATINA]
Salmon gerou Booz de Raabe; Booz gerou Obede de Rute; e Obede gerou Jessé.
[PESHITTA SIRÍACA]
Salmon gerou Boaz de Raabe; Boaz gerou Obede de Rute; e Obede gerou Jessé.


Mateus nomeia Raabe e Rute expressamente, assim como Tamar no versículo 3. A identificação da Raabe dessa genealogia com a mulher de Josué 2 é uma interpretação histórica tradicional; o versículo não relata a história dela nem fornece pormenores biográficos. A genealogia de Rute 4 sustenta a sequência Boaz–Obede–Jessé.

MATEUS 1:6
[PRECEITO]
E Jessé [Jesse, Isaí] gerou Davi, o rei [Davi, aquele que reinou; o rei Davi]; e Davi gerou Salomão [Solomão] daquela que havia sido [era] mulher [esposa] de Urias [Uriah, Uri].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Jessé gerou Davi, o rei; e Davi gerou Salomão daquela que havia sido esposa de Urias.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Jessé gerou o rei Davi; e o rei Davi gerou Salomão daquela que fora mulher de Urias.
[VULGATA LATINA]
Jessé gerou o rei Davi; e Davi, o rei, gerou Salomão daquela que havia sido esposa de Urias.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jessé gerou Davi, o rei; e Davi gerou Salomão daquela que havia sido mulher de Urias.


O texto crítico apresenta “Davi, o rei” na primeira oração e simplesmente “Davi” na segunda. O Texto Recebido e a Vulgata também aplicam o título de rei na segunda oração. Mateus não escreve o nome Bate-Seba neste versículo: identifica-a pela relação com Urias. A narrativa correspondente pode ser consultada em 2 Samuel 11–12, mas seu nome não deve substituir a construção original do Evangelho.

PARTE II — A linhagem real, de Davi ao exílio


MATEUS 1:7
[PRECEITO]
Salomão gerou Roboão [Reoboão]; Roboão gerou Abias [Abia]; e Abias gerou Asafe [Asa; Assá].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; e Abias gerou Asafe.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; e Abias gerou Asafe.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; e Abias gerou Asafe.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; e Abias gerou Asafe.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; e Abias gerou Asa.
[VULGATA LATINA]
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; e Abias gerou Asa.
[PESHITTA SIRÍACA]
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; e Abias gerou Asa.


Variante textual substantiva: os códices Sinaítico e Vaticano preservam Ἀσάφ, Asafe; a tradição do Texto Recebido apresenta Ἀσά, Asa. O nome histórico do rei de Judá é Asa, conforme 1 Reis 15:8–24 e 2 Crônicas 14–16. Asafe é também o nome de figuras conhecidas da tradição salmódica. Essa coincidência não autoriza concluir que o evangelista pretendesse identificar o rei com o músico Asafe; tampouco devemos substituir a leitura manuscrita por Asa sem registrá-la.

MATEUS 1:8
[PRECEITO]
Asafe [Asa] gerou Josafá [Jeosafá, Josafate]; Josafá gerou Jorão [Jeorão, Joram]; e Jorão gerou Ozias [Uzias, Uziasse; tornou-se ancestral de Ozias].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Asafe gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; e Jorão gerou Ozias.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Asafe gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; e Jorão gerou Ozias.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Asafe gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; e Jorão gerou Ozias.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; e Jorão gerou Ozias.
[VULGATA LATINA]
Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; e Jorão gerou Ozias.
[PESHITTA SIRÍACA]
Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; e Jorão gerou Uzias.


A variante Asafe/Asa prossegue do versículo anterior. Outro ponto importante: as genealogias reais de 1 Crônicas 3:10–12 e 2 Reis apresentam gerações entre Jorão e Ozias que Mateus não nomeia: Acazias, Joás e Amazias. Assim, “gerou” neste contexto pode representar uma relação ancestral condensada; não devemos inserir esses nomes dentro do versículo como se fossem encontrados nos códices do Evangelho.

MATEUS 1:9
[PRECEITO]
Ozias [Uzias] gerou Joatão [Jotão, Jotam]; Joatão gerou Acaz [Ahaz]; e Acaz gerou Ezequias [Hezequias, Hizquias].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; e Acaz gerou Ezequias.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; e Acaz gerou Ezequias.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; e Acaz gerou Ezequias.
[VULGATA LATINA]
Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; e Acaz gerou Ezequias.
[PESHITTA SIRÍACA]
Uzias gerou Jotão; Jotão gerou Acaz; e Acaz gerou Ezequias.


A sucessão corresponde aos reis de Judá mencionados nos relatos históricos do Antigo Testamento. As diferenças mais perceptíveis entre as versões são as formas dos nomes próprios. Não há, nos principais testemunhos aqui confrontados, uma alteração substantiva da ordem desses três elos genealógicos.

MATEUS 1:10
[PRECEITO]
Ezequias [Hezequias] gerou Manassés [Manassê]; Manassés gerou Amós [Amom, Amon]; e Amós [Amom] gerou Josias [Jozias].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amós; e Amós gerou Josias.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amós; e Amós gerou Josias.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amós; e Amós gerou Josias.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amom; e Amom gerou Josias.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amós; e Amós gerou Josias.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amom; e Amom gerou Josias.
[VULGATA LATINA]
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amom; e Amom gerou Josias.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amom; e Amom gerou Josias.


Variante textual substantiva: o Sinaítico, Vaticano e Ephraemi utilizam Ἀμώς, Amós, enquanto o Washingtoniano e muitos outros manuscritos têm Ἀμών, Amom. Nas narrativas reais de 2 Reis 21:18–26, o rei é Amom. A forma Amós também corresponde ao nome de um profeta bíblico, mas a semelhança dos nomes não prova que Mateus pretenda identificar os dois personagens. Devemos conservar ambas as leituras.

MATEUS 1:11
[PRECEITO]
Josias gerou [foi ancestral de] Jeconias [Joaquim/Joaquín na tradição dos nomes reais; Jeconias, Jeconiah] e seus irmãos, no tempo [por ocasião, na época] da deportação [transferência forçada, deslocamento populacional, exílio] para Babilônia [da Babilônia].
[Em outros testemunhos: Josias gerou Jeoaquim [Joaquim], e Jeoaquim gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilônia.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Josias gerou Jeconias e seus irmãos, por ocasião da deportação para Babilônia.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo do exílio para Babilônia.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Josias gerou Jeconias e os irmãos dele, durante a deportação babilônica.
[CÓDICE CAMPIANUS — GREGO]
Josias gerou Jeoaquim; e Jeoaquim gerou Jeconias e seus irmãos, por ocasião da deportação para Babilônia.
[CÓDICE PURPÚREO ROSSANENSE — GREGO]
Josias gerou Jeoaquim; Jeoaquim gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilônia.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Josias gerou Jeconias e seus irmãos, durante a deportação para Babilônia.
[VULGATA LATINA]
Josias gerou Jeconias e os irmãos dele no período da deportação para Babilônia.
[PESHITTA SIRÍACA]
Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo em que ocorreu a deportação para Babilônia.


Este versículo tem uma variante de grande relevância para a sequência histórica. O Sinaítico e o Vaticano passam diretamente de Josias para Jeconias. O Campianus, o Rossanense e alguns manuscritos minúsculos inserem Jeoaquim como geração intermediária. A segunda redação se aproxima da sucessão real relatada em 2 Reis 23–24 e 1 Crônicas 3. A tradução de μετοικεσία deve conservar o sentido de deslocamento ou deportação, não apenas uma migração voluntária.

PARTE III — Do exílio babilônico até José e Maria


MATEUS 1:12
[PRECEITO]
Depois [após, posteriormente a] da deportação para Babilônia [do exílio babilônico], Jeconias gerou [é apresentado como pai de] Salatiel [Sealtiel]; e Salatiel gerou Zorobabel [Zerubabel].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Depois da deportação para Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; e Salatiel gerou Zorobabel.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Depois da deportação para Babilônia, Jeconias gera Salatiel; e Salatiel gera Zorobabel.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Depois do exílio para Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; e Salatiel gerou Zorobabel.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Depois da deportação para Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel.
[VULGATA LATINA]
E, depois da deportação para Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; e Salatiel gerou Zorobabel.
[PESHITTA SIRÍACA]
Depois do exílio babilônico, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel.


O Vaticano apresenta γεννᾷ, “gera”, no presente, em ambas as orações, enquanto o Sinaítico utiliza ἐγέννησεν, “gerou”, no passado. A diferença é verbal, não uma mudança na sequência dos indivíduos. A relação genealógica entre Sealtiel e Zorobabel merece exame adicional de 1 Crônicas 3:17–19, Esdras 3:2 e Ageu 1:1, pois os documentos antigos preservam particularidades na apresentação da ascendência de Zorobabel.

MATEUS 1:13
[PRECEITO]
Zorobabel [Zerubabel] gerou Abiúde [Abiud]; Abiúde gerou Eliaquim [Eliakim]; e Eliaquim gerou Azor [Azôr].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Zorobabel gerou Abiúde; Abiúde gerou Eliaquim; e Eliaquim gerou Azor.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Zorobabel gerou Abiúde; Abiúde gerou Eliaquim; e Eliaquim gerou Azor.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Zorobabel gerou Abiúde; Abiúde gerou Eliaquim; e Eliaquim gerou Azor.
[VULGATA LATINA]
Zorobabel gerou Abiúde; Abiúde gerou Eliaquim; e Eliaquim gerou Azor.
[PESHITTA SIRÍACA]
Zorobabel gerou Abiúde; Abiúde gerou Eliaquim; e Eliaquim gerou Azor.


O versículo apresenta três relações genealógicas sucessivas. Não dispomos, apenas por este texto, de biografias independentes desses três personagens. A aparição dos nomes Abiúde, Eliaquim e Azor não é autorização para equipará-los automaticamente a outras pessoas homônimas de livros antigos.

MATEUS 1:14
[PRECEITO]
Azor gerou Sadoque [Sadoc, Zadoc]; Sadoque gerou Aquim [Akim, Achim]; e Aquim gerou Eliúde [Eliud].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Azor gerou Sadoque; Sadoque gerou Aquim; e Aquim gerou Eliúde.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Azor gerou Sadoque; Sadoque gerou Aquim; e Aquim gerou Eliúde.
[VULGATA LATINA]
Azor gerou Sadoque; Sadoque gerou Aquim; e Aquim gerou Eliúde.
[PESHITTA SIRÍACA]
Azor gerou Sadoque; Sadoque gerou Aquim; e Aquim gerou Eliúde.


As diferenças entre Sadoque/Zadoque, Aquim/Achim e Eliúde/Eliud são principalmente transliterações. Não devemos identificar o Sadoque desta genealogia com o sacerdote do tempo de Davi sem documentação adicional.

MATEUS 1:15
[PRECEITO]
Eliúde [Eliud] gerou Eleazar [Eliezer, em formas tradicionais aparentadas]; Eleazar gerou Matã [Matan, Matthan]; e Matã gerou Jacó [Jacob].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; e Matã gerou Jacó.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; e Matã gerou Jacó.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; e Matã gerou Jacó.
[VULGATA LATINA]
Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; e Matã gerou Jacó.
[PESHITTA SIRÍACA]
Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; e Matã gerou Jacó.


O nome Jacó reaparece aqui após sua primeira ocorrência em 1:2. O texto não identifica os dois como a mesma pessoa: pertencem a posições diferentes da genealogia. A forma “Eliezer” é apenas uma alternativa linguística relacionada ao nome Eleazar, não uma nova leitura manuscrita demonstrada para este versículo.

MATEUS 1:16
Este versículo merece um aparato mais detalhado, pois a genealogia apresenta uma mudança decisiva na construção verbal: depois de uma longa sequência de homens que “geraram” seus descendentes, a redação predominante passa a dizer que Jesus nasceu de Maria, sem apresentar José como sujeito do verbo gerar.
[PRECEITO]
E Jacó gerou José, o homem [marido, esposo] de Maria [Mariam], da qual [de quem, dela] nasceu [foi gerado] Jesus, chamado [denominado] Cristo [Messias, Ungido].
[Outra redação: Jacó gerou José, a quem Maria, a virgem, estava prometida em casamento; ela deu à luz Jesus, chamado Cristo.][No antigo siríaco sinaítico: Jacó gerou José; José, a quem Maria, a virgem, estava prometida em casamento, gerou Jesus, chamado Cristo.][PAPIRO 1 — GREGO, FRAGMENTÁRIO]
Jacó gerou José, o marido de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. [Há pequenas lacunas no papiro.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, aquele que é chamado Cristo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Jacó gerou José, o esposo de Maria, de quem nasceu Jesus, chamado Cristo.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.
[MANUSCRITO MINÚSCULO 543 — GREGO]
Jacó gerou José, a quem Maria, a virgem, estava prometida em casamento; ela deu à luz Jesus, chamado Cristo.
[CÓDICE VERCELLENSIS — LATIM ANTIGO]
Jacó gerou José, a quem a virgem Maria estava prometida em casamento; ela deu à luz Jesus, chamado Cristo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Jacó gerou José, o marido de Maria, da qual nasceu Jesus, aquele que é chamado Cristo.
[VULGATA LATINA]
Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jacó gerou José, marido de Mariam, da qual nasceu Jesus, chamado Messias.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Jacó gerou José, aquele a quem Mariam, a virgem, estava prometida em casamento; ela deu à luz Jesus, o Messias.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
Jacó gerou José. José, a quem Mariam, a virgem, estava prometida em casamento, gerou Jesus, chamado o Messias.


Diferença documental de grande importância: o texto grego predominante apresenta ἐξ ἧς, literalmente “da qual”, pronome relativo feminino singular que remete a Maria. O siríaco sinaítico antigo preserva, porém, uma redação equivalente a “José gerou Jesus”. A forma curetoniana atribui explicitamente a Maria o ato de dar à luz. A leitura que apresenta José como aquele que gerou Jesus é minoritária e não possui apoio grego conhecido; deve permanecer documentada sem ser transformada artificialmente em leitura dos códices gregos. Ela também precisa ser examinada à luz de 1:18–25, que nesse testemunho continua associando a concepção ao Espírito Santo. A diferença é real e não deve ser ocultada, tampouco resolvida antecipadamente como prova histórica independente de paternidade biológica.

MATEUS 1:17
[PRECEITO]
Todas, portanto [assim, desse modo], as gerações [sucessões genealógicas, etapas de descendência] desde Abraão até Davi são catorze [14] gerações; e desde Davi até a deportação [exílio, deslocamento] para Babilônia são catorze gerações; e desde a deportação para Babilônia até o Cristo [Messias, Ungido] são catorze gerações.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Todas, portanto, as gerações de Abraão até Davi são catorze; de Davi até a deportação para Babilônia, catorze; e da deportação para Babilônia até Cristo, catorze gerações.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Assim, todas as gerações desde Abraão até Davi são catorze; desde Davi até o exílio babilônico são catorze; e desde o exílio para Babilônia até o Cristo são catorze gerações.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Todas as gerações, portanto, de Abraão até Davi são catorze gerações; de Davi até a deportação para Babilônia, catorze gerações; e do exílio babilônico até Cristo, catorze gerações.
[VULGATA LATINA]
Todas as gerações, portanto, desde Abraão até Davi são catorze; de Davi até a deportação para Babilônia, catorze; e da deportação para Babilônia até Cristo, catorze gerações.
[PESHITTA SIRÍACA]
Todas as gerações de Abraão até Davi são catorze; desde Davi até a deportação para Babilônia, catorze; e desde a deportação para Babilônia até o Messias, catorze gerações.


O próprio evangelista estabelece três conjuntos de catorze gerações. Essa organização deve ser preservada exatamente, mas a interpretação precisa considerar as gerações não nomeadas no versículo 8 e o papel dos pontos de transição, como Davi e a deportação. A estrutura é genealógica e literária; os manuscritos não explicam aqui uma fórmula numerológica que prove a identidade de Jesus.

PARTE IV — A origem de Jesus Cristo e a decisão de José


MATEUS 1:18
[PRECEITO]
A gênese [origem, nascimento, geração; nascimento] de Jesus Cristo [Cristo Jesus; Cristo; Jesus] foi assim [aconteceu desta maneira]: estando Maria [Mariam], sua mãe, prometida em casamento [desposada, comprometida matrimonialmente] a José, antes que se unissem [vivessem juntos, convivessem como marido e mulher], ela foi encontrada [descobriu-se que estava] grávida [tendo no ventre, esperando um filho] por ação [procedência] do Espírito Santo [Espírito que é santo].
[PAPIRO 1 — GREGO, FRAGMENTÁRIO]
A origem de Jesus Cristo aconteceu assim: estando Maria, sua mãe, prometida em casamento a José, antes de conviverem, foi encontrada grávida por ação do Espírito Santo. [A parte final do papiro possui lacunas.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
A gênese de Jesus Cristo aconteceu assim: quando sua mãe, Maria, estava prometida em casamento a José, antes que se unissem, foi encontrada grávida pelo Espírito Santo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
A gênese de Cristo Jesus ocorreu assim: estando sua mãe, Maria, desposada com José, antes de conviverem, foi encontrada grávida pelo Espírito Santo.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
A origem de Jesus Cristo foi assim: tendo Maria, sua mãe, sido prometida a José, antes de se unirem, foi encontrada grávida pelo Espírito Santo.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
A origem de Jesus ocorreu assim: estando Maria, sua mãe, prometida em casamento a José, antes que convivessem, foi encontrada grávida por ação do Espírito Santo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
O nascimento de Jesus Cristo foi desta maneira: estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes que se unissem, foi encontrada grávida do Espírito Santo.
[VULGATA LATINA]
A geração de Cristo ocorreu assim: quando Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, antes que convivessem, foi encontrada grávida pelo Espírito Santo.
[PESHITTA SIRÍACA]
O nascimento de Jesus, o Messias, foi assim: quando Mariam, sua mãe, estava prometida a José, antes que convivessem, foi encontrada grávida pelo Espírito Santo.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
O nascimento do Messias foi desta maneira: quando Mariam, sua mãe, estava prometida em casamento a José, antes que se aproximassem um do outro, foi encontrada grávida pelo Espírito Santo.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
O nascimento do Messias foi assim: estando Mariam, sua mãe, prometida a José, antes que se aproximassem um do outro, foi encontrada grávida pelo Espírito Santo.


Há três conjuntos de variantes. Primeiro: “Jesus Cristo” no Sinaítico, “Cristo Jesus” no Vaticano, “Jesus” no Washingtoniano e somente “Cristo” na Vulgata Clementina. Segundo: γένεσις, gênese/origem, no Sinaítico e Vaticano, contra γέννησις, nascimento/geração, no Texto Recebido e diversos manuscritos posteriores. Terceiro: algumas tradições incluem uma partícula equivalente a “pois”, ausente de outras. A Peshitta e os siríacos antigos utilizam linguagem diretamente relacionada ao nascimento. Os colchetes preservam essas diferenças sem fingir que génesis e génnēsis são exatamente a mesma palavra grega.

MATEUS 1:19
[PRECEITO]
José, porém, o homem [marido, esposo] dela, sendo justo [reto, comprometido com a justiça] e não querendo [não desejando] expô-la publicamente [envergonhá-la, torná-la exemplo público, submetê-la à desonra; simplesmente expô-la], decidiu [pretendeu, considerou, teve intenção de] desvincular-se dela [repudiá-la, dissolver o compromisso matrimonial] secretamente [em particular, sem exposição pública].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
José, porém, marido dela, sendo justo e não querendo torná-la exemplo público, decidiu repudiá-la secretamente.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
José, seu esposo, sendo um homem justo e não desejando expô-la, decidiu dissolver o compromisso matrimonial em particular.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
José, marido dela, por ser justo e não querer colocá-la publicamente em desonra, resolveu afastar-se dela secretamente.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
José, porém, marido dela, sendo justo e não desejando torná-la exemplo público, teve intenção de repudiá-la em segredo.
[VULGATA LATINA]
José, seu marido, sendo justo e não querendo difamá-la, decidiu deixá-la secretamente.
[PESHITTA SIRÍACA]
José, marido dela, sendo um homem justo e não desejando expô-la, pensou em separar-se dela secretamente.


O Vaticano apresenta δειγματίσαι, “expor, mostrar publicamente”, enquanto o Sinaítico, Ephraemi e Texto Recebido possuem παραδειγματίσαι, forma prefixada com sentido de exposição exemplar ou desonra pública. O verbo ἀπολῦσαι pode significar dispensar ou repudiar; no contexto de um compromisso matrimonial reconhecido, “dissolver o vínculo” é uma explicitação adequada. O versículo apresenta José como justo e registra sua intenção, mas não declara quais informações ele já possuía sobre a origem da gravidez.

MATEUS 1:20
[PRECEITO]
Enquanto [quando, ao mesmo tempo que] considerava [ponderava, refletia profundamente sobre] essas coisas, eis que um mensageiro [anjo] do Senhor [do Soberano] lhe apareceu [manifestou-se a ele] em sonho, dizendo: José, filho [descendente] de Davi, não temas [não tenhas medo, não receies] receber [acolher, tomar para contigo] Maria [Mariam], tua mulher [esposa], pois aquilo que nela foi gerado [concebido, formado] procede [é] do Espírito Santo.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Enquanto José considerava essas coisas, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Mariam, tua esposa, pois aquilo que nela foi gerado procede do Espírito Santo.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Enquanto ponderava essas coisas, um mensageiro do Senhor apareceu-lhe em sonho e disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi concebido é do Espírito Santo.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Enquanto refletia sobre essas coisas, eis que um anjo do Senhor apareceu-lhe durante um sonho e disse: José, filho de Davi, não tenhas medo de acolher Mariam, tua esposa; aquilo que nela foi gerado vem do Espírito Santo.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Enquanto considerava essas coisas, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Mariam, tua mulher, pois o que foi gerado nela procede do Espírito Santo.
[VULGATA LATINA]
Enquanto ele pensava nessas coisas, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não receies receber Maria, tua esposa, pois aquilo que nela foi gerado é do Espírito Santo.
[PESHITTA SIRÍACA]
Enquanto meditava sobre essas coisas, um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e disse: José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Mariam, tua mulher, pois o que nela foi concebido procede do Espírito Santo.


O Sinaítico, o Ephraemi e o Texto Recebido apresentam a forma Mariam, enquanto o Vaticano possui uma forma declinada do nome Maria. A palavra grega ἄγγελος significa mensageiro e pode ser traduzida por anjo neste contexto. O texto descreve uma experiência em sonho, e não uma aparição que José tenha visto desperto. A origem atribuída ao Espírito Santo está expressa tanto na voz narrativa de 1:18 quanto na fala do mensageiro.

MATEUS 1:21
[PRECEITO]
Ela dará à luz [gerará, terá] um filho [um menino], e tu chamarás [darás] o nome dele Jesus [Yeshua, Iesous]; pois ele próprio [ele mesmo] salvará [livrará, resgatará, libertará; dará vida, na formulação siríaca] o seu povo [a sua gente; o mundo, no curetoniano] de seus pecados [faltas, erros, transgressões, desvios].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome Jesus, porque ele próprio salvará seu povo de seus pecados.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Ela terá um filho, e tu o chamarás Jesus; pois ele mesmo salvará o povo dele de seus pecados.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome Jesus; ele próprio salvará seu povo de suas transgressões.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Ela terá um filho, e tu lhe darás o nome Jesus, porque ele salvará seu povo de seus pecados.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ela dará à luz um filho e lhe chamarás Jesus; pois ele próprio salvará seu povo de seus pecados.
[VULGATA LATINA]
Ela dará à luz um filho, e tu chamarás seu nome Jesus, porque ele salvará seu povo de seus pecados.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ela dará à luz um filho, e tu o chamarás Jesus, pois ele dará vida [salvará, libertará] ao seu povo de seus pecados.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Ela dará à luz um filho para ti, e seu nome será chamado Jesus, porque ele dará vida [salvará] ao mundo de seus pecados.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
Ela dará à luz um filho para ti, e tu o chamarás Jesus, porque ele salvará seu povo dos pecados deles.


Variante de grande interesse: o grego predominante e a Peshitta apresentam “seu povo”; o siríaco curetoniano apresenta “o mundo”. A Peshitta e os antigos siríacos utilizam uma forma verbal que pode transmitir salvar ou dar vida. O nome Ἰησοῦς, Jesus, corresponde à tradição hebraico-aramaica de Josué/Yeshua e é relacionado historicamente à ideia de salvação divina. O versículo oferece sua própria explicação: ele receberá esse nome porque salvará seu povo dos pecados. Não é necessário acrescentar uma etimologia especulativa.

MATEUS 1:22
[PRECEITO]
E tudo isto [todas estas coisas, tudo o que aconteceu] ocorreu [aconteceu, veio a ser] para que se cumprisse [fosse completado, se realizasse] o que foi dito [falado] pelo Senhor [por Deus], por meio do profeta [por meio de Isaías, o profeta], dizendo:
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Tudo isso aconteceu para que se cumprisse aquilo que o Senhor havia dito por meio do profeta, dizendo:
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Todas essas coisas aconteceram para que se realizasse o que fora falado pelo Senhor mediante o profeta:
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Tudo isso aconteceu para cumprir aquilo que o Senhor havia declarado por meio do profeta, dizendo:
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio de Isaías, o profeta, dizendo:
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Tudo isso aconteceu para que fosse cumprido o que o Senhor falou por meio do profeta, dizendo:
[VULGATA LATINA]
E tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta, dizendo:
[PESHITTA SIRÍACA]
Tudo isso ocorreu para que se cumprisse aquilo que o Senhor disse por intermédio do profeta:


O Códice Beza identifica expressamente Isaías, enquanto o Sinaítico, Vaticano, Ephraemi e Texto Recebido possuem apenas “o profeta”. A citação que segue vem de Isaías 7:14. Portanto, identificar Isaías em comentário é correto, mas acrescentar seu nome à tradução desses códices sem colchetes ocultaria uma diferença efetiva. A expressão ὑπὸ κυρίου διὰ τοῦ προφήτου distingue a origem atribuída ao Senhor e a mediação profética.

PARTE V — Emanuel, o despertar de José e o nascimento


MATEUS 1:23
[PRECEITO]
Eis [vede, observai], a virgem [jovem virgem; jovem mulher, conforme a palavra hebraica da passagem de Isaías] terá no ventre [conceberá, ficará grávida] e dará à luz [gerará] um filho; e chamarão [darão] o nome dele Emanuel [Imanuel, Emmanuel; tu chamarás, na redação do Beza], que é traduzido [interpretado, explicado] como: Deus conosco [Deus está conosco; nosso Deus conosco, na expressão siríaca].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Eis que a virgem terá no ventre e dará à luz um filho, e chamarão seu nome Emanuel, que significa: Deus conosco.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e chamarão o nome dele Emanuel, que, traduzido, significa: Deus conosco.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho; e chamarão seu nome Emanuel, que se traduz: Deus conosco.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e tu chamarás o nome dele Emanuel, que significa: Deus conosco.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Eis que a virgem terá no ventre e dará à luz um filho, e chamarão seu nome Emanuel, que é interpretado: Deus conosco.
[VULGATA LATINA]
Eis que a virgem terá no ventre e dará à luz um filho; e chamarão seu nome Emanuel, o que se interpreta: Deus conosco.
[PESHITTA SIRÍACA]
Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e chamarão o nome dele Emanuel, que é traduzido: Nosso Deus conosco.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e seu nome será chamado Emanuel, que se traduz: Nosso Deus conosco.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e chamarão seu nome Emanuel, que significa: Nosso Deus conosco.


Diferença verbal: o Sinaítico, Vaticano e Texto Recebido apresentam καλέσουσιν, “chamarão”, plural; o Beza apresenta καλέσεις, “tu chamarás”, singular. Há também uma distinção importante entre Mateus e a fonte citada: o grego do Evangelho utiliza παρθένος, “virgem”, enquanto o hebraico de Isaías 7:14 possui עַלְמָה (‘almáh), termo referente a uma jovem mulher em idade de casamento. A antiga tradução grega de Isaías empregou parthénos. Essa diferença linguística deve ser explicada, não apagada. O evangelista cita a passagem dentro de sua compreensão revelacional da origem de Jesus.

MATEUS 1:24
[PRECEITO]
José, porém, tendo despertado [levantando-se, acordando] do sono, fez [cumpriu, praticou] conforme [da maneira que] o mensageiro [anjo] do Senhor lhe havia ordenado [instruído, determinado], e recebeu [tomou consigo, acolheu] sua mulher [esposa].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
José, tendo despertado do sono, fez como o mensageiro do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
José, levantando-se do sono, cumpriu aquilo que o anjo do Senhor lhe havia ordenado e tomou sua mulher consigo.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
José, tendo acordado, fez conforme a ordem do anjo do Senhor e acolheu sua esposa.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
José, ao despertar do sono, realizou o que o anjo do Senhor havia determinado e recebeu sua mulher.
[VULGATA LATINA]
José, levantando-se do sono, fez conforme o anjo do Senhor lhe havia ordenado e tomou consigo sua mulher.
[PESHITTA SIRÍACA]
José, ao despertar do sono, cumpriu aquilo que o anjo do Senhor lhe ordenou e recebeu sua esposa.


O Sinaítico apresenta o nome José sem artigo, enquanto o Vaticano utiliza uma construção com artigo. Ambos descrevem a ação de José após despertar. O verbo παραλαμβάνω pode significar receber ou tomar para junto de si, e é o mesmo utilizado na orientação do mensageiro em 1:20. O texto registra a decisão prática de José, sem acrescentar uma conversa com Maria que o evangelista não narra.

MATEUS 1:25
Este versículo contém diferenças de grande importância sobre a ausência de relações conjugais antes do nascimento, a designação do filho e quem lhe atribuiu o nome Jesus.
[PRECEITO]
E não a conhecia [não mantinha relações conjugais com ela, não se unia sexualmente a ela] até [até o momento em que] ela deu à luz [gerou] um filho [o seu filho primogênito, seu primeiro filho]; e ele [José; ela, Maria, segundo a Peshitta e o curetoniano] chamou [deu] o nome dele Jesus [Yeshua].
[No siríaco antigo curetoniano: E vivia com ela em pureza até que ela deu à luz o filho; e ela lhe deu o nome Jesus.][No siríaco antigo sinaítico: E ela lhe deu à luz um filho, e ele lhe deu o nome Jesus.][CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E não a conhecia [não mantinha relações conjugais com ela] até que ela deu à luz um filho; e ele lhe deu o nome Jesus.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E não a conhecia até que ela deu à luz um filho; e ele chamou seu nome Jesus.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E não a conhecia até que ela deu à luz seu filho, o primogênito; e ele lhe deu o nome Jesus.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E não a conheceu até que ela deu à luz seu filho, o primogênito; e ele lhe deu o nome Jesus.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E não a conhecia até que ela deu à luz um filho; e ele lhe deu o nome Jesus.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E não a conhecia até que ela deu à luz o seu filho primogênito; e ele lhe deu o nome Jesus.
[VULGATA LATINA]
E não a conhecia até que ela deu à luz o seu filho primogênito; e ele o chamou Jesus.
[PESHITTA SIRÍACA]
E não a conhecia até que ela deu à luz seu filho, o primogênito; e ela lhe deu o nome Jesus.
[SIRÍACO ANTIGO CURETONIANO]
E vivia com ela em pureza até que ela deu à luz o filho; e ela lhe deu o nome Jesus.
[SIRÍACO ANTIGO SINAÍTICO]
E ela lhe deu à luz um filho; e ele lhe deu o nome Jesus.


Quatro diferenças documentais merecem preservação. Primeiro, o Sinaítico e o Vaticano apresentam simplesmente “um filho”, enquanto o Ephraemi, Beza, Texto Recebido, Vulgata e Peshitta apresentam a designação “primogênito”. Segundo, o Sinaítico utiliza ἐγίνωσκεν, imperfeito, “não conhecia”, enquanto o Beza apresenta ἔγνω, aoristo, “não conheceu”. Terceiro, a Peshitta e o curetoniano apresentam Maria como sujeito da atribuição do nome, enquanto o grego e o siríaco sinaítico atribuem essa ação a José. Quarto, o curetoniano emprega uma expressão de convivência em pureza no lugar da formulação grega negativa. O siríaco sinaítico não conserva nessa passagem a oração grega sobre José não a conhecer. As traduções antigas, portanto, não podem ser reduzidas a uma única redação.

Nota sobre “até” e “primogênito”. A palavra “até” estabelece o limite temporal da declaração expressa, mas não informa, por si só, o que aconteceu depois. Do mesmo modo, “primogênito” identifica a posição do primeiro filho, sem necessariamente afirmar a existência de irmãos mais novos. As diferentes conclusões teológicas sobre a virgindade posterior de Maria pertencem a uma discussão interpretativa que não deve ser apresentada como resultado obrigatório de uma única palavra.

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