PARTE I — A tradição dos antigos e o mandamento de Deus
MATEUS 15:1
[PRECEITO]
Então [naquela ocasião] aproximaram-se [vieram, chegaram] de Jesus, vindos de Jerusalém, fariseus e escribas [escribas e fariseus; especialistas na Lei e fariseus], dizendo [perguntando]:
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Então aproximaram-se de Jesus, vindos de Jerusalém, fariseus e escribas, dizendo:
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então chegaram a Jesus, vindos de Jerusalém, escribas e fariseus, dizendo:
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Então aproximaram-se dele, vindos de Jerusalém, escribas e fariseus, dizendo:
[PESHITTA SIRÍACA]
Então vieram a Jesus fariseus e escribas que eram de Jerusalém, dizendo:
O SBLGNT coloca “fariseus” antes de “escribas”; o Texto Recebido e a Vulgata invertem a ordem. A Vulgata diz “dele”, sem repetir o nome Jesus nessa posição. Escribas e fariseus são categorias distintas, embora uma pessoa pudesse participar de ambas.
MATEUS 15:2
[PRECEITO]
Por que [por qual motivo] os teus discípulos [aprendizes] transgridem [ultrapassam, violam, desobedecem] a tradição [transmissão, ensinamento recebido] dos anciãos [mais velhos, antigos, antepassados]? Pois não lavam as mãos [suas mãos] quando comem pão [ao se alimentarem].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Por que os teus discípulos transgridem a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos quando comem pão.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Por que os teus discípulos violam a tradição dos antigos? Porque não lavam suas mãos quando comem pão.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Por que teus discípulos transgridem a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos quando comem pão.
[PESHITTA SIRÍACA]
Por que os teus discípulos transgridem a tradição dos anciãos e não lavam suas mãos quando comem pão?
O grego utiliza παράδοσις, aquilo que é transmitido, e πρεσβύτεροι, os anciãos. Algumas edições apresentam o possessivo “suas” depois de mãos; outras o omitem. A controvérsia envolve uma prática de lavagem associada à tradição religiosa, não uma afirmação de que a higiene física seja desnecessária.
MATEUS 15:3
[PRECEITO]
Ele, porém, respondendo [em resposta], lhes disse: Por que também vós [vós mesmos] transgredis [violais, ultrapassais] o mandamento [ordem, preceito] de Deus por causa da vossa tradição [transmissão, ensinamento recebido]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele lhes respondeu: Por que também vós transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mas ele, respondendo-lhes, disse: Por que vós também violais o mandamento de Deus por vossa tradição?
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que também vós transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus respondeu-lhes e disse: Por que também vós transgredis o mandamento de Deus em favor da vossa tradição?
A pergunta contrapõe ἐντολή, mandamento, a παράδοσις, tradição. Jesus não responde apenas à prática das mãos: desloca a discussão para o critério pelo qual uma tradição é julgada.
MATEUS 15:4
[PRECEITO]
Pois Deus disse [ordenou, dizendo]: Honra [respeita, atribui honra a, cuida de] teu pai e tua mãe; e: Aquele que falar mal [amaldiçoar, insultar gravemente] do pai ou da mãe, morra de morte [seja condenado à morte, certamente morra].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, PRIMEIRA MÃO]
Pois Deus ordenou, dizendo: Honra teu pai e tua mãe; e aquele que falar mal de pai ou mãe seja morto.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, CORREÇÃO]
Pois Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; e aquele que amaldiçoar pai ou mãe morra de morte.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Pois Deus disse: Honra o pai e a mãe; e aquele que falar mal do pai ou da mãe certamente morra.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Pois Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; e quem amaldiçoar pai ou mãe seja condenado à morte.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Pois Deus ordenou, dizendo: Honra teu pai e tua mãe; e quem falar mal de pai ou mãe seja morto.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Pois Deus disse: Honra o pai e a mãe; e quem amaldiçoar o pai ou a mãe morra de morte.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pois Deus disse: Honra teu pai e tua mãe; e aquele que amaldiçoar o pai ou a mãe certamente morrerá.
O Sinaítico original e a tradição bizantina possuem “Deus ordenou, dizendo”; o Vaticano, o Beza e a correção do Sinaítico apresentam “Deus disse”. As passagens legais evocadas são Êxodo 20:12 e 21:17. Κακολογέω é falar mal ou insultar; o contexto da citação legal confere gravidade ao ato.
MATEUS 15:5
[PRECEITO]
Vós, porém, dizeis: Quem disser [declarar] ao pai ou à mãe: É uma dádiva [oferta, presente consagrado, corban — termo da passagem paralela de Marcos] aquilo com que poderias [poderíeis] ser beneficiado [ajudado, sustentado] por mim [aquilo que de mim te seria proveitoso]…
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, LEITURA COM ACRÉSCIMO]
Mas vós dizeis: Quem disser ao pai ou à mãe: É oferta aquilo com que poderias beneficiar-te de mim; nada é.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Mas vós dizeis: Aquele que disser ao pai ou à mãe: É oferta aquilo de que poderias beneficiar-te por meio de mim…
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Mas vós dizeis: Quem disser ao pai ou à mãe: Uma dádiva é aquilo com que poderias ser ajudado por mim…
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: Dádiva é aquilo de que poderias obter benefício de mim…
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Mas vós dizeis: Quem disser ao pai ou à mãe: Uma oferta é tudo aquilo que de mim te poderia ser útil…
[PESHITTA SIRÍACA]
Mas vós dizeis: Quem disser ao pai ou à mãe: É minha oferta aquilo com que poderias ser beneficiado por mim…
O grego de Mateus emprega δῶρον, “dádiva/oferta”; corban aparece expressamente em Marcos 7:11 e é útil como referência cultural, mas não deve ser atribuído como palavra literal de Mateus 15:5. A estrutura é elíptica e continua no versículo 6. Uma leitura da primeira mão do Sinaítico acrescenta “nada é”, aparentemente como esclarecimento.
MATEUS 15:6
Este é um dos versículos mais importantes do capítulo em crítica textual, porque apresenta três substantivos concorrentes: palavra, Lei e mandamento.
[PRECEITO]
… não honrará [não precisará honrar, não prestará auxílio ou honra a] seu pai [ou sua mãe; seu pai e sua mãe]. E assim anulastes [invalidastes, tornastes sem efeito, cancelastes] a palavra [a Lei; o mandamento] de Deus por causa da vossa tradição [do ensinamento recebido de vós].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, PRIMEIRA MÃO]
… certamente não honrará seu pai. E anulastes a Lei de Deus por causa de vossa tradição.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, CORREÇÃO]
… não honrará seu pai. E anulastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
… de modo algum honrará seu pai. E tornastes sem efeito a palavra de Deus mediante a vossa tradição.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
… não honrará seu pai. E anulastes a palavra de Deus por meio da vossa tradição.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
… não honrará seu pai ou sua mãe. E invalidastes a Lei de Deus por causa da vossa tradição.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
… e não honrará seu pai ou sua mãe. Assim invalidastes o mandamento de Deus por causa da vossa tradição.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
… e não honrou seu pai ou sua mãe. E anulastes o mandamento de Deus por causa de vossa tradição.
[PESHITTA SIRÍACA]
… e não honrará seu pai ou sua mãe. Assim anulastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição.
O Vaticano e o Beza sustentam λόγον, “palavra”; a primeira mão do Sinaítico e o Ephraemi, νόμον, “Lei”; a tradição bizantina, ἐντολήν, “mandamento”. A menção da mãe na continuação também varia. A construção pode ser entendida como uma declaração de que a pessoa fica dispensada de ajudar seus pais, mas o grego mais curto conserva uma formulação abrupta: devemos distinguir a estrutura literal de sua implicação prática.
MATEUS 15:7
[PRECEITO]
Hipócritas [dissimuladores, aqueles que representam uma aparência], bem [corretamente, adequadamente] profetizou Isaías a vosso respeito [acerca de vós], dizendo:
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Hipócritas, corretamente Isaías profetizou sobre vós, dizendo:
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Hipócritas, bem profetizou Isaías acerca de vós, dizendo:
[PESHITTA SIRÍACA]
Hipócritas, com acerto Isaías, o profeta, profetizou a vosso respeito, dizendo:
Ὑποκριταί pode significar hipócritas ou pessoas que desempenham um papel. Neste contexto, o termo denuncia a divergência entre conduta exterior e fidelidade interior. A Peshitta explicita “o profeta” após Isaías.
MATEUS 15:8
[PRECEITO]
Este povo [estas pessoas, esta comunidade] [aproxima-se de mim com sua boca e] me honra [reverencia, reconhece] com os lábios [com palavras], mas seu coração [seu interior, centro das disposições] está [permanece] longe [distante, afastado] de mim.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Este povo honra-me com os lábios; o coração deles, porém, permanece distante de mim.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Este povo com seus lábios me honra, mas seu coração está longe de mim.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Este povo se aproxima de mim com sua boca e me honra com os lábios, mas o coração deles está distante de mim.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Este povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas seu coração permanece longe de mim.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim.
[PESHITTA SIRÍACA]
Este povo honra-me com os lábios, mas o coração deles está muito distante de mim.
O acréscimo “aproxima-se de mim com sua boca” aparece na tradição bizantina e no Texto Recebido. O Sinaítico, Vaticano, Beza e Vulgata Clementina preservam a frase mais curta. A passagem retoma Isaías 29:13, cuja redação grega antiga ajuda a compreender o desenvolvimento da variante.
MATEUS 15:9
[PRECEITO]
Mas em vão [inutilmente, sem proveito, sem resultado] me reverenciam [adoram, prestam culto], ensinando [transmitindo como doutrinas] ensinamentos [doutrinas] que são mandamentos [ordens, preceitos] de homens [seres humanos].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Mas em vão me reverenciam, ensinando como doutrinas mandamentos humanos.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mas inutilmente me prestam culto, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Mas sem proveito me adoram, ensinando doutrinas e mandamentos de homens.
[PESHITTA SIRÍACA]
Mas em vão me reverenciam, quando ensinam doutrinas que são mandamentos de homens.
O grego combina διδασκαλίας (“ensinamentos/doutrinas”) com ἐντάλματα ἀνθρώπων (“mandamentos humanos”). O contraste do argumento é entre autoridade divina e prescrições humanas tomadas como critério superior.
PARTE II — Aquilo que entra e aquilo que sai da boca
MATEUS 15:10
[PRECEITO]
E, tendo chamado [convocado, reunido] a multidão [o povo, as pessoas reunidas], disse-lhes: Ouvi [escutai, prestai atenção] e compreendei [entendei, reuni o sentido].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E, chamando a multidão, disse-lhes: Ouvi e compreendei.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E chamou a multidão para perto e lhes disse: Escutai e entendei.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E, convocando as multidões, disse-lhes: Ouvi e compreendei.
[PESHITTA SIRÍACA]
E chamou as multidões e lhes disse: Escutai e entendei.
Os verbos gregos são ἀκούω, ouvir, e συνίημι, compreender. Essa associação já foi importante em Mateus 13, sobretudo na explicação das parábolas.
MATEUS 15:11
[PRECEITO]
Não é aquilo que entra [penetra, é introduzido] na boca que torna comum [contamina, profana, torna ritualmente impuro] o homem [ser humano]; mas aquilo que sai [procede, vem para fora] da boca, isto [essa coisa] torna o homem comum [contamina-o, profana-o].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Não é o que entra na boca que torna o ser humano impuro, mas aquilo que sai da boca, isso é o que o torna impuro.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Aquilo que entra na boca não contamina o homem; aquilo, porém, que procede da boca, isto contamina o homem.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Não é aquilo que entra na boca que contamina o homem, mas aquilo que sai da boca, isto contamina o homem.
[PESHITTA SIRÍACA]
Não é aquilo que entra na boca que torna uma pessoa impura, mas aquilo que sai da boca é o que a contamina.
O verbo κοινόω significa tornar comum ou profanar, com aplicação à impureza ritual. O contraste é fundamental: Jesus desloca o exame da pureza do alimento ingerido para o que procede da pessoa. A frase deve ser lida em relação ao problema da lavagem das mãos, sem apagar as discussões legais mais amplas que poderiam surgir em torno dela.
MATEUS 15:12
[PRECEITO]
Então os discípulos [seus discípulos], aproximando-se [tendo chegado perto], lhe dizem [disseram]: Sabes [tens conhecimento] que os fariseus, ao ouvirem [depois de escutarem] essa palavra [declaração, ensinamento], tropeçaram [escandalizaram-se, ficaram ofendidos, encontraram motivo de objeção]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Então os discípulos se aproximaram e lhe disseram: Sabes que os fariseus, tendo ouvido esta declaração, ficaram ofendidos?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então seus discípulos aproximaram-se e disseram-lhe: Sabes que os fariseus se escandalizaram ao ouvir essas palavras?
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Então seus discípulos aproximaram-se e lhe disseram: Sabes que os fariseus, depois de escutar esta palavra, se escandalizaram?
[PESHITTA SIRÍACA]
Então seus discípulos aproximaram-se e disseram: Sabes que os fariseus, ao ouvirem essa declaração, ficaram ofendidos?
O texto crítico não exige o possessivo “seus” antes de discípulos; o Texto Recebido e as versões antigas o explicitam. O verbo σκανδαλίζω reaparece com o sentido de encontrar motivo de tropeço ou ofensa.
MATEUS 15:13
[PRECEITO]
Ele, porém, respondendo [em resposta], disse: Toda plantação [planta cultivada, aquilo que foi plantado] que meu Pai celestial [meu Pai, o que está nos céus] não plantou será arrancada pela raiz [desenraizada, removida desde a raiz].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele respondeu: Toda plantação que meu Pai celestial não plantou será arrancada pela raiz.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ele, porém, respondendo, disse: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será desenraizada.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Mas ele, respondendo, disse: Toda plantação que meu Pai celestial não plantou será arrancada.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ele lhes respondeu: Toda plantação que meu Pai, que está nos céus, não plantou será arrancada pela raiz.
O grego utiliza φυτεία, plantação, e ἐκριζόω, arrancar pela raiz. A imagem pode iluminar a discussão sobre ensinamentos e práticas, mas a frase não identifica nominalmente cada plantação. Devemos preservar a metáfora antes de decidir seus referentes.
MATEUS 15:14
[PRECEITO]
Deixai-os [permiti que sigam, afastai-vos deles]; são cegos [sem visão, cegos em sentido figurado], guias [condutores, orientadores] [de cegos]. E, se um cego guiar [conduzir, orientar] outro cego, ambos [os dois] cairão [despencarão] em uma cova [fosso, buraco, poço].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
Deixai-os; são guias cegos. Se um cego guiar outro cego, ambos cairão em uma cova.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
Deixai-os; são guias cegos. E, se um cego conduzir um cego, os dois cairão em um fosso.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
Deixai-os; são guias cegos. Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão numa cova.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Deixai-os; são cegos condutores de cegos. E, se um cego conduzir outro cego, ambos cairão no fosso.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Deixai-os; são cegos e condutores de cegos. Se um cego oferecer condução a outro cego, ambos cairão na cova.
[PESHITTA SIRÍACA]
Deixai-os; são guias cegos de cegos. Se um cego guiar outro cego, ambos cairão em uma cova.
O Sinaítico, Vaticano e Beza apresentam a expressão mais curta “guias cegos”; a tradição bizantina e a Peshitta explicitam “de cegos” na primeira oração. A segunda oração preserva em ambas as tradições a imagem de um cego conduzindo outro. O termo βόθυνος significa cova ou fosso.
MATEUS 15:15
[PRECEITO]
Mas Pedro [Cefas, Kipha, Pedra], respondendo [tomando a palavra], disse-lhe: Explica-nos [esclarece-nos, expõe-nos detalhadamente] esta parábola [a parábola, a comparação, este ensinamento figurado].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Pedro, respondendo, disse-lhe: Explica-nos esta parábola.
[EDIÇÃO WESTCOTT–HORT — GREGO]
Pedro respondeu-lhe: Explica-nos a parábola.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Esclarece-nos esta parábola.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Pedro, porém, respondendo, disse-lhe: Explica-nos esta parábola.
[PESHITTA SIRÍACA]
Simão Cefas respondeu-lhe e disse: Meu Senhor, explica-nos esta parábola.
Westcott–Hort apresenta a forma sem “esta”, enquanto o SBLGNT e o Texto Recebido a conservam. A Peshitta explicita Simão Cefas e acrescenta “meu Senhor”. O verbo φράζω pode significar explicar ou tornar compreensível.
MATEUS 15:16
[PRECEITO]
Ele, porém [Jesus, porém], disse: Ainda [até agora, mesmo agora] também vós estais sem entendimento [sem compreensão, não compreendeis, sois incapazes de reunir o sentido]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele, porém, disse: Até agora também vós estais sem entendimento?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Jesus, porém, disse: Ainda também vós sois sem entendimento?
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Mas ele disse: Ainda também vós estais sem compreensão?
[PESHITTA SIRÍACA]
Ele lhes disse: Ainda também vós não compreendeis?
O Texto Recebido e vários manuscritos posteriores explicitam “Jesus”, ausente da construção mais curta. Ἀσύνετοι significa sem entendimento ou sem compreensão, pertencendo ao campo lexical explorado em Mateus 13. A pergunta corrige a incompreensão dos discípulos, sem descrever seu valor humano como inferior.
MATEUS 15:17
[PRECEITO]
Não compreendeis [ainda não compreendeis, ainda não percebeis] que tudo aquilo que entra [é introduzido] na boca passa [vai, segue] para o ventre [estômago, cavidade abdominal] e é lançado para fora [eliminado] na latrina [lugar de evacuação, privada, esgoto]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Não compreendeis que tudo o que entra na boca segue para o ventre e é eliminado na latrina?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ainda não percebeis que tudo o que entra na boca vai para o ventre e é lançado fora na latrina?
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Não compreendeis que tudo o que entra na boca passa para o ventre e é lançado fora no lugar de evacuação?
[PESHITTA SIRÍACA]
Não sabeis que tudo aquilo que entra na boca vai ao ventre e dali é eliminado para fora na purificação [evacuação]?
A tradição do Texto Recebido emprega οὔπω, “ainda não”, no início; o texto crítico utiliza οὐ, “não”. O substantivo grego ἀφεδρών designa latrina ou local de evacuação. A linguagem é fisiológica e concreta, não uma descrição simbólica do corpo.
MATEUS 15:18
[PRECEITO]
Mas aquilo que sai [procede, vem para fora] da boca vem [procede, surge] do coração [do interior, das disposições íntimas]; e essas coisas tornam impuro [contaminam, profanam, tornam comum] o homem [ser humano].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Mas as coisas que saem da boca procedem do coração, e são elas que tornam impuro o ser humano.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mas aquilo que sai da boca vem do coração, e isso contamina o homem.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Mas as coisas que procedem da boca saem do coração, e essas contaminam o homem.
[PESHITTA SIRÍACA]
Mas aquilo que sai da boca vem do coração, e isso torna impuro o filho do homem [ser humano].
O grego utiliza καρδία, coração, no sentido de centro interior de pensamentos e disposições. Algumas cópias antigas apresentam omissões parciais na transição entre este versículo e o seguinte, aparentemente por salto de cópia. Não apresento aqui uma reconstrução dessas lacunas como se fossem redações completas e autônomas.
MATEUS 15:19
[PRECEITO]
Pois do coração [do interior] saem [procedem, surgem] raciocínios maus [pensamentos perversos, deliberações malignas], homicídios [assassinatos], adultérios, porneíai [condutas sexuais ilícitas, imoralidades sexuais], furtos [roubos, subtrações], falsos testemunhos [depoimentos falsos] e blasfêmias [falas injuriosas, ofensas graves].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]Pois do coração procedem pensamentos maus, homicídios, adultérios, condutas sexuais ilícitas, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Porque do coração saem maus pensamentos, assassinatos, adultérios, imoralidades sexuais, roubos, falsos testemunhos e blasfêmias.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Pois do coração saem pensamentos maus, homicídios, adultérios, fornicação [condutas sexuais ilícitas], furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
[PESHITTA SIRÍACA]
Pois do coração procedem pensamentos maus, adultério, homicídio, condutas sexuais ilícitas, roubo, falso testemunho e blasfêmia.
O grego apresenta homicídios antes de adultérios; a tradução histórica da Peshitta coloca adultério antes de homicídio. Μοιχεία e πορνεία são substantivos diferentes e devem permanecer separados. O termo πορνεία exige estudo histórico próprio para estabelecer quais condutas eram abrangidas em cada contexto, sem impor uma definição moderna única.
MATEUS 15:20
[PRECEITO]
Estas são as coisas [essas ações e disposições] que tornam impuro [contaminam, profanam] o homem [ser humano]; mas comer [alimentar-se] com mãos não lavadas [sem a lavagem das mãos] não torna impuro [não contamina] o homem.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Estas são as coisas que contaminam o homem; comer, porém, com as mãos não lavadas não contamina o homem.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Essas são as coisas que tornam o ser humano impuro; mas comer sem lavar as mãos não o contamina.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Estas são as coisas que contaminam o homem; comer, porém, com as mãos não lavadas não contamina o homem.
[PESHITTA SIRÍACA]
Estas coisas contaminam uma pessoa; mas, se alguém come com as mãos não lavadas, não se torna impuro por isso.
Jesus encerra o argumento retomando expressamente as mãos não lavadas de 15:2. Aqui fica clara a distinção entre a impureza religiosa em discussão e as boas práticas de higiene física, que não são o objeto da declaração.
PARTE III — A mulher cananeia e a confiança que atravessa fronteiras
MATEUS 15:21
[PRECEITO]
E Jesus, tendo saído [partido, retirado-se] dali, afastou-se [dirigiu-se, foi] para as regiões [territórios, partes, limites] de Tiro e Sidom.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E Jesus, tendo saído dali, retirou-se para as regiões de Tiro e Sidom.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E Jesus, partindo daquele lugar, dirigiu-se às regiões de Tiro e Sidom.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E Jesus, saindo dali, retirou-se para as partes de Tiro e Sidom.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus partiu daquele lugar e chegou aos limites de Tiro e Sidom.
O grego μέρη significa regiões ou partes de um território. O siríaco, conforme a tradução de Etheridge, enfatiza os limites dessas localidades. O versículo não nomeia uma cidade específica em que Jesus teria permanecido.
MATEUS 15:22
[PRECEITO]
E eis que uma mulher cananeia [de origem cananeia], tendo saído [vindo] daquelas regiões [daqueles limites], clamava [gritava, chamava insistentemente; gritou-lhe], dizendo: Tem misericórdia de mim [compadece-te de mim], Senhor [meu Senhor], Filho de Davi [descendente de Davi]! Minha filha é terrivelmente atormentada por um demônio [está muito mal sob ação de um demônio, sofre gravemente na condição descrita como possessão demoníaca].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E eis que uma mulher cananeia, vinda daquela região, clamava: Tem misericórdia de mim, Senhor, Filho de Davi! Minha filha está terrivelmente atormentada por um demônio.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E eis que uma mulher cananeia saiu daquelas regiões e gritou-lhe, dizendo: Compadece-te de mim, Senhor, Filho de Davi! Minha filha sofre gravemente sob ação de um demônio.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E eis que uma mulher cananeia, vindo daqueles limites, clamou, dizendo: Tem misericórdia de mim, Senhor, Filho de Davi! Minha filha está muito mal, atormentada por um demônio.
[PESHITTA SIRÍACA]
E eis que uma mulher cananeia, saindo daqueles territórios, clamava e dizia: Tem misericórdia de mim, meu Senhor, filho de Davi! Minha filha está gravemente atormentada pelo demônio.
O texto crítico utiliza o imperfeito ἔκραζεν, “clamava”; o Texto Recebido apresenta uma forma equivalente a “gritou-lhe”. A mulher é chamada Χαναναία, cananeia, e não genericamente “gentia” na redação de Mateus. O sofrimento da filha é apresentado pela mãe; não se fornece um diagnóstico clínico independente.
MATEUS 15:23
[PRECEITO]
Ele, porém [Jesus], não lhe respondeu palavra alguma [nada lhe respondeu, permaneceu sem resposta verbal]. E os discípulos [seus discípulos], aproximando-se [vindo até ele], lhe pediam [suplicavam, insistiam], dizendo: Despede-a [dispensa-a, manda-a embora; atende-a e deixa-a partir], porque clama [grita] atrás de nós [vem gritando em nosso encalço].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Mas ele não lhe respondeu palavra alguma. E seus discípulos aproximaram-se e lhe pediam: Despede-a, pois está gritando atrás de nós.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mas ele não lhe respondeu uma palavra. Seus discípulos vieram e lhe suplicavam: Manda-a embora, porque grita atrás de nós.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Ele, porém, não lhe respondeu palavra alguma. E seus discípulos, aproximando-se, lhe rogavam: Despede-a, porque clama atrás de nós.
[PESHITTA SIRÍACA]
Mas ele não lhe deu resposta. E os discípulos aproximaram-se e lhe pediram: Dispensa-a, pois ela clama atrás de nós.
O verbo ἀπολύω significa soltar, dispensar ou deixar partir. A tradução “atende-a e deixa-a partir” corresponde a uma interpretação possível da intenção dos discípulos, mas não aparece como dois verbos expressos no grego. Tampouco devemos afirmar que Jesus tenha pronunciado uma recusa nesse momento: o texto registra que não respondeu à mulher.
MATEUS 15:24
[PRECEITO]
Ele, porém, respondendo [em resposta], disse: Não fui enviado [mandado, comissionado] senão [exceto, a não ser] às ovelhas perdidas [extraviadas, que pereceram] da casa [família, povo] de Israel.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mas ele, respondendo, disse: Não fui enviado a não ser às ovelhas que se perderam da casa de Israel.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Ele, porém, respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
[PESHITTA SIRÍACA]
Ele lhes respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas que se extraviaram da casa de Israel.
A formulação retoma a linguagem de Mateus 10:6. O verbo grego ἀποστέλλω pertence ao campo de enviar alguém para uma missão. A sequência narrativa conservará a declaração de prioridade de Israel e a resposta dada à mulher cananeia, sem apagar uma das duas.
MATEUS 15:25
[PRECEITO]
Ela, porém, tendo vindo [aproximando-se, chegando até ele], prostrava-se [prestava reverência, adorava; prostrou-se] diante dele, dizendo: Senhor [meu Senhor], ajuda-me [socorre-me, vem em meu auxílio].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ela, porém, veio e prostrava-se diante dele, dizendo: Senhor, ajuda-me.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
Mas ela aproximou-se, prostrou-se diante dele e disse: Senhor, socorre-me.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Ela, porém, veio, adorou-o [prostrou-se diante dele] e disse: Senhor, ajuda-me.
[PESHITTA SIRÍACA]
Então ela veio, prostrou-se diante dele e disse: Meu Senhor, ajuda-me!
O texto crítico utiliza προσεκύνει, imperfeito, “prostrava-se/prestava reverência”; a tradição bizantina apresenta προσεκύνησεν, aoristo, “prostrou-se”. O pedido é breve: Κύριε, βοήθει μοι, “Senhor, ajuda-me”.
MATEUS 15:26
[PRECEITO]
Ele, porém [Jesus], respondendo, disse [disse-lhe]: Não é bom [belo, apropriado, correto] tomar [pegar, retirar] o pão dos filhos [das crianças, dos descendentes] e lançá-lo [atirá-lo, entregá-lo] aos kynária [cachorrinhos, pequenos cães, cães da casa].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Ele respondeu: Não é apropriado tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Mas ele respondeu: Não é bom pegar o pão das crianças e atirá-lo aos pequenos cães.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus lhe disse: Não é apropriado tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães.
O grego utiliza κυνάρια, forma diminutiva relacionada a cães. “Cachorrinhos” conserva a morfologia, mas não autoriza suavizar artificialmente a hierarquia expressa na imagem: os filhos recebem o pão, e os animais são colocados em outra posição. A Vulgata utiliza canibus, “cães”; Etheridge também traduz a palavra siríaca como “cães”. O texto não qualifica a mulher, diretamente e fora da comparação, com um substantivo independente “cão”.
MATEUS 15:27
[PRECEITO]
Ela, porém, disse: Sim [é verdade, certamente], Senhor [meu Senhor]; pois até [também, mesmo] os cachorrinhos [pequenos cães, cães] comem das migalhas [pequenos fragmentos, farelos] que caem [se desprendem, descem] da mesa [das mesas] de seus senhores [donos, responsáveis pela casa] [e vivem].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Mas ela disse: Sim, Senhor, pois até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus senhores.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Ela respondeu: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Ela, porém, disse: Sim, Senhor; pois também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos.
[PESHITTA SIRÍACA]
Mas ela disse: Assim é, meu Senhor; contudo, os cães comem das migalhas que caem das mesas de seus senhores, e vivem.
O texto grego predominante usa “da mesa”, singular, enquanto a tradução de Etheridge da Peshitta apresenta “das mesas”, plural, e acrescenta “e vivem” ao final. A mulher não rejeita frontalmente a imagem de Jesus; responde a partir dela, identificando uma possibilidade de receber até mesmo uma pequena parcela do alimento.
MATEUS 15:28
[PRECEITO]
Então Jesus, respondendo [em resposta], lhe disse: Ó mulher, grande [imensa, elevada] é a tua fé [confiança, crença]! Aconteça-te [seja feito para ti, venha a ser para ti] como queres [como desejas, segundo tua vontade]. E sua filha foi curada [restabelecida, sarada] desde aquela hora [a partir daquele momento].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Então Jesus lhe respondeu: Ó mulher, grande é tua fé! Aconteça-te conforme queres. E sua filha foi curada desde aquela hora.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Então Jesus, respondendo, disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja feito para ti como desejas. E a filha dela foi curada naquela mesma hora.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Então Jesus respondeu-lhe: Ó mulher, grande é tua fé! Seja feito para ti conforme desejas. E sua filha ficou curada desde aquela hora.
[PESHITTA SIRÍACA]
Então Jesus lhe disse: Ó mulher, grande é a tua fé! Aconteça-te conforme tua vontade. E sua filha ficou curada a partir daquela hora.
O adjetivo grego é μεγάλη, “grande”. O verbo γενηθήτω, “aconteça/venha a ser”, pertence à mesma família verbal usada em Mateus 6:10 e 9:29. A narrativa atribui a cura da filha àquela hora, mas não descreve um encontro presencial entre Jesus e a menina.
PARTE IV — As multidões, as enfermidades e o Deus de Israel
MATEUS 15:29
[PRECEITO]
E Jesus, tendo partido [mudado de lugar, atravessado] dali, chegou [veio] junto ao mar da Galileia [à margem do mar da Galileia]; e, tendo subido [ascendido] ao monte [à montanha], sentou-se [permaneceu sentado] ali.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E Jesus, partindo dali, veio para junto do mar da Galileia e, subindo ao monte, sentou-se naquele lugar.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Jesus, tendo-se retirado dali, chegou à margem do mar da Galileia, subiu à montanha e sentou-se.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Jesus, tendo passado dali, chegou junto ao mar da Galileia; e, subindo ao monte, permanecia sentado.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus partiu daquela região e chegou perto do mar da Galileia; subiu à montanha e sentou-se ali.
O grego utiliza μεταβαίνω, deslocar-se de um lugar para outro, e ἀναβαίνω, subir. A passagem não informa quantos dias transcorreram desde o encontro com a mulher cananeia.
MATEUS 15:30
[PRECEITO]
E aproximaram-se dele grandes multidões [muitos grupos de pessoas], trazendo consigo [acompanhando, carregando] pessoas sem fala [mudas, surdas], cegas [sem visão], coxas [mancas, com dificuldades de locomoção], com membros debilitados [deformados, atrofiados, lesionados], e muitas outras; e as colocaram [lançaram, depositaram] junto aos seus pés [aos pés de Jesus], e ele as curou [tratou, restabeleceu].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E grandes multidões aproximaram-se dele, trazendo mudos, cegos, coxos, pessoas com membros debilitados e muitos outros; colocaram-nos junto aos seus pés, e ele os curou.
[EDIÇÃO WESTCOTT–HORT — GREGO]
E muitas multidões chegaram até ele, trazendo coxos, pessoas com membros atrofiados, cegos, mudos e muitos outros; colocaram-nos aos pés dele, e ele os curou.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E muitas multidões vieram até ele, trazendo coxos, cegos, mudos, pessoas com membros deformados e muitos outros; colocaram-nos aos pés de Jesus, e ele os curou.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E numerosas multidões vieram até ele, trazendo mudos, cegos, coxos, debilitados e muitos outros; colocaram-nos a seus pés, e ele os curou.
[PESHITTA SIRÍACA]
Grandes multidões aproximaram-se, trazendo consigo coxos, cegos, mudos, pessoas mutiladas e muitos outros; colocaram-nos aos pés de Jesus, e ele os curou.
As listas apresentam ordens diferentes. O SBLGNT inicia com κωφούς, pessoas sem fala ou audição; Westcott–Hort começa com χωλούς, coxos; a tradição bizantina dispõe outra sequência. Já κυλλούς refere-se a membros deformados ou debilitados, não a uma doença única que possamos diagnosticar retrospectivamente. A tradição bizantina explicita “de Jesus” depois de “pés”.
MATEUS 15:31
[PRECEITO]
De modo que a multidão [as multidões] se admirou [ficou espantada, maravilhou-se] ao ver [observar] os mudos falando [os que não falavam passando a falar; os surdos ouvindo; os surdos ouvindo e falando], os debilitados [com membros deformados] saudáveis [restabelecidos], os coxos caminhando [andando] e os cegos enxergando [vendo]; e glorificaram [louvaram, deram glória a] o Deus de Israel.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
De modo que a multidão ficou admirada ao ver os surdos ouvindo, os coxos caminhando e os cegos vendo; e glorificaram o Deus de Israel.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
De modo que as multidões se admiraram ao ver os mudos falando, os debilitados saudáveis, os coxos andando e os cegos enxergando; e glorificaram o Deus de Israel.
[CÓDICE WASHINGTONIANO — GREGO]
De modo que as multidões se maravilharam ao ver os mudos falando, os debilitados restabelecidos, os coxos caminhando e os cegos vendo; e glorificaram o Deus de Israel.
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
De modo que a multidão se admirou ao ver os mudos falando, os que tinham membros debilitados saudáveis, os coxos andando e os cegos vendo; e glorificaram o Deus de Israel.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
De modo que as multidões ficaram espantadas ao ver mudos falando, debilitados restaurados, coxos caminhando e cegos enxergando; e louvaram o Deus de Israel.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
De modo que as multidões se admiravam ao ver mudos falando, coxos andando e cegos vendo; e engrandeciam o Deus de Israel.
[PESHITTA SIRÍACA]
E as multidões ficaram espantadas ao ver os mudos falando, os mutilados restabelecidos, os coxos caminhando e os cegos enxergando; e glorificaram o Deus de Israel.
Variantes particularmente importantes: o Vaticano apresenta κωφοὺς ἀκούοντας, “surdos ouvindo”, enquanto o Ephraemi e o Washingtoniano apoiam “mudos falando”. Alguns testemunhos reúnem as duas ações, “ouvindo e falando”. Além disso, o Vaticano e a Vulgata Clementina não apresentam o mesmo segmento explícito sobre os membros debilitados que aparece em outras redações. A diferença entre “mudo” e “surdo” deve ser lida com atenção ao campo lexical de κωφός.
PARTE V — Os sete pães, os peixes e a alimentação da multidão
MATEUS 15:32
[PRECEITO]
Jesus, porém, tendo chamado [convocado, reunido junto de si] os seus discípulos, disse: Tenho compaixão [sou movido por profunda misericórdia, compadeço-me] da multidão, porque já faz três dias [há três dias] que permanecem [continuam, estão] comigo e não têm o que comer [alimento para se alimentar]; e não quero [não desejo] despedi-los [dispensá-los, mandá-los embora] em jejum [com fome, sem terem comido], para que não desfaleçam [percam as forças, fiquem exaustos] pelo caminho [durante a viagem].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Jesus, tendo chamado seus discípulos, disse: Tenho compaixão da multidão, porque já há três dias permanecem comigo e não têm o que comer; não quero despedi-los em jejum, para que não desfaleçam pelo caminho.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Jesus chamou seus discípulos e disse: Compadeço-me da multidão, porque já faz três dias que estão comigo e não possuem alimento; não quero mandá-los embora famintos, para que não percam as forças na estrada.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Jesus, porém, reunindo seus discípulos, disse: Tenho compaixão da multidão, porque já há três dias permanecem comigo e não têm o que comer; não quero despedi-los sem alimento, para que não desfaleçam no caminho.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus chamou seus discípulos e disse-lhes: Tenho piedade desta multidão, pois eis que há três dias continuam comigo e nada têm para comer; não quero despedi-los em jejum, para que não desfaleçam pelo caminho.
O grego usa σπλαγχνίζομαι, compadecer-se profundamente, e ἐκλύω, perder as forças ou desfalecer. O numeral três dias pertence à narrativa. A vontade declarada de Jesus é não enviar as pessoas embora sem alimento, motivo que conduz ao acontecimento seguinte.
MATEUS 15:33
[PRECEITO]
E os discípulos [seus discípulos] lhe dizem [disseram]: De onde [de que lugar, como obteríamos] teríamos nós [conseguiríamos] tantos pães [alimento suficiente] neste deserto [lugar ermo, região pouco habitada] para saciar [alimentar até a satisfação] tão grande multidão [tantas pessoas]?
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Os discípulos lhe dizem: De onde teríamos tantos pães num lugar deserto, para saciar tão grande multidão?
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Seus discípulos lhe disseram: De onde conseguiríamos, neste deserto, tantos pães que pudéssemos satisfazer uma multidão tão grande?
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Seus discípulos lhe dizem: De onde teremos, neste deserto, tantos pães para alimentar até a saciedade tão grande multidão?
[PESHITTA SIRÍACA]
Os discípulos lhe dizem: De onde poderemos obter pão neste deserto para satisfazer toda esta multidão?
O texto crítico apresenta “os discípulos”; o Texto Recebido e a Vulgata explicitam “seus discípulos”. O verbo χορτάζω expressa saciar ou satisfazer a fome. A pergunta não nega literalmente a alimentação anteriormente narrada em Mateus 14; ela registra a dificuldade manifestada pelos discípulos nesta nova situação.
MATEUS 15:34
[PRECEITO]
E Jesus lhes diz [disse]: Quantos pães [quantas porções de pão] tendes [possuís]? Eles, porém, disseram [responderam]: Sete [sete pães] e uns poucos peixinhos [peixes pequenos, alguns peixes de tamanho reduzido].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E Jesus lhes diz: Quantos pães tendes? Eles responderam: Sete, e alguns peixinhos.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
Jesus lhes perguntou: Quantos pães possuís? Eles disseram: Sete, e uns poucos peixes pequenos.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
Jesus lhes diz: Quantos pães tendes? Eles disseram: Sete, e uns poucos peixinhos.
[PESHITTA SIRÍACA]
Jesus lhes diz: Quantos pães tendes? Responderam-lhe: Sete, e alguns pequenos peixes.
O grego utiliza ἰχθύδια, diminutivo de peixe, e não simplesmente ἰχθύες, como encontramos em parte do relato de Mateus 14. Os números devem permanecer separados: aqui são sete pães e alguns pequenos peixes, enquanto em Mateus 14 eram cinco pães e dois peixes.
MATEUS 15:35
[PRECEITO]
E, tendo ordenado [instruído, mandado; ordenou] à multidão [às multidões] que se reclinasse [que se acomodasse, que se sentasse para comer] sobre a terra [o chão, o solo],
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E, tendo instruído a multidão a reclinar-se sobre o chão,
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, depois de ordenar à multidão que se acomodasse sobre a terra,
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E, tendo mandado a multidão reclinar-se sobre o solo,
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E ordenou às multidões que se acomodassem sobre a terra.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E mandou que as multidões se reclinassem sobre o chão.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E ordenou à multidão que se reclinasse sobre a terra.
[PESHITTA SIRÍACA]
E ordenou às multidões que se reclinassem sobre o chão.
O Sinaítico, Vaticano e Beza apresentam παραγγείλας τῷ ὄχλῳ, com particípio e multidão no singular. A tradição bizantina apresenta ἐκέλευσεν τοῖς ὄχλοις, com verbo finito e multidões no plural. Essa é uma variante gramatical efetiva e deve permanecer visível.
MATEUS 15:36
[PRECEITO]
Tomou [pegou; e, tendo tomado] os sete pães e os peixes, e, tendo dado graças [agradecido, pronunciado ação de graças], partiu-os [quebrou-os, dividiu-os] e os dava [entregava repetidamente; deu] aos discípulos [aos seus discípulos]; e os discípulos [os entregaram] às multidões [à multidão].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
Tomou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os e os dava aos discípulos; e os discípulos, às multidões.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E, tendo tomado os sete pães e os peixes, agradeceu, partiu-os e os deu aos seus discípulos; e os discípulos os deram à multidão.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, tomando os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os e os entregou aos seus discípulos, e os discípulos à multidão.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E, tendo tomado os sete pães e os peixes, agradeceu, partiu-os e os deu aos seus discípulos; e os discípulos os deram ao povo.
[PESHITTA SIRÍACA]
E tomou aqueles sete pães e os peixes, ofereceu louvor [ação de graças], partiu-os e os entregou aos seus discípulos; e os discípulos os distribuíram às multidões.
O texto crítico contém ἐδίδου, imperfeito, “dava”, enquanto a tradição bizantina apresenta ἔδωκεν, aoristo, “deu”. Além disso, o texto crítico usa “aos discípulos” sem possessivo expresso, e o bizantino acrescenta “seus”. O verbo εὐχαριστέω, “agradecer/dar graças”, é diferente de εὐλογέω, “abençoar”, empregado em Mateus 14:19. A diferença deve ser preservada mesmo quando ambas as ações tenham relação com uma oração sobre o alimento.
MATEUS 15:37
[PRECEITO]
E todos comeram [alimentaram-se] e foram saciados [ficaram satisfeitos, fartos]; e recolheram [levantaram, ajuntaram] o excedente [aquilo que sobrava, o que havia em abundância] dos fragmentos [pedaços partidos], sete spyrídes [grandes cestos, cestas, recipientes de transporte] cheios [completamente preenchidos].
[TRADIÇÃO GREGA CRÍTICA — SBLGNT]
E todos comeram e ficaram saciados; e recolheram o excedente dos pedaços partidos, sete grandes cestos cheios.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E comeram todos e ficaram fartos; depois juntaram aquilo que sobrava dos fragmentos, sete cestos completamente cheios.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E todos comeram e ficaram saciados; recolheram o que havia sobrado dos fragmentos, sete grandes cestos cheios.
[PESHITTA SIRÍACA]
E todos comeram e foram satisfeitos; recolheram a abundância dos fragmentos, enchendo sete cestos.
O grego emprega σπυρίς, nome de cesto diferente de κόφινος, utilizado em Mateus 14:20. Podemos traduzir ambos como cestos, mas devemos preservar a diferença no glossário. O texto não informa o volume exato nem o peso transportado em cada recipiente.
MATEUS 15:38
[PRECEITO]
E os que comeram [participaram da refeição] eram quatro mil homens [adultos do sexo masculino], além das mulheres e crianças [além das crianças e mulheres; sem contar mulheres e crianças].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO]
E aqueles que comeram eram quatro mil homens, além das crianças e mulheres.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E os que comeram eram quatro mil homens, além das mulheres e crianças.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E aqueles que comeram eram quatro mil homens, sem contar crianças e mulheres.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E os que se alimentaram eram quatro mil homens, além das mulheres e crianças.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E aqueles que comeram eram quatro mil homens, além das crianças e mulheres.
[PESHITTA SIRÍACA]
E os que haviam comido eram quatro mil homens, além das mulheres e crianças.
O Sinaítico e o Beza apresentam “crianças e mulheres”, enquanto o Vaticano e a tradição bizantina têm “mulheres e crianças”. A Vulgata Clementina também coloca as crianças antes das mulheres. O numeral quatro mil diz respeito aos homens contados, e não fornece uma cifra total das pessoas que participaram da refeição.
MATEUS 15:39
Este versículo encerra o capítulo com uma variante geográfica importante, comparável às diferenças encontradas em Mateus 8:28.
[PRECEITO]
E, tendo despedido [dispensado, mandado partir] as multidões [a multidão], entrou [subiu] no barco [na embarcação, numa pequena embarcação] e chegou [veio] aos limites [territórios, região, fronteiras] de Magadã [Magadan; Magedã, Magedan; Magdala; Magdalan; Magodu, na tradição siríaca consultada].
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, PRIMEIRA MÃO]
E, tendo despedido as multidões, entrou no barco e chegou à região de Magadã.
[CÓDICE SINAÍTICO — GREGO, CORREÇÃO]
E, tendo dispensado as multidões, entrou no barco e chegou aos limites de Magedã.
[CÓDICE VATICANO — GREGO]
E, tendo despedido as multidões, entrou na embarcação e chegou aos territórios de Magadã.
[CÓDICE BEZA — GREGO]
E, depois de despedir as multidões, entrou no barco e chegou aos limites de Magadã.
[CÓDICE EPHRAEMI — GREGO]
E, tendo dispensado as multidões, subiu ao barco e chegou à região de Magdalan.
[TRADIÇÃO BIZANTINA — GREGO]
E, tendo despedido as multidões, entrou no barco e chegou à região de Magdala.
[TEXTO RECEBIDO — GREGO]
E, depois de despedir as multidões, entrou na embarcação e veio à região de Magdala.
[VULGATA LATINA — CLEMENTINA]
E, tendo despedido a multidão, subiu a uma pequena embarcação e chegou aos limites de Magedã.
[PESHITTA SIRÍACA — CONFORME ETHERIDGE]
E, tendo despedido as multidões, subiu a um barco e chegou aos territórios de Magodu.
As principais formas documentadas são Μαγαδάν, Magadã, no Sinaítico original, Vaticano e Beza; Μαγεδάν, Magedã, na correção do Sinaítico e em parte da tradição latina; Μαγδαλάν, Magdalan, no Ephraemi; e Μαγδαλά, Magdala, na tradição bizantina. Etheridge apresenta Magodu na tradução da Peshitta. Marcos 8:10, relato paralelo, utiliza Dalmanuta, mas isso não autoriza substituir o topônimo próprio de Mateus. A localização exata de Magadã permanece discutida.

